
Ensina-me a Viver
Eles deveriam ser. Mas exatamente o que eles deveriam ser não está muito claro.
Tipo
Filme
Ano
1971
Duração
91 min
Status
Released
Lançamento
1971-12-20
Nota
7.6
Votos
1.193
Direção/Criação
Hal Ashby
Orçamento
US$ 1.200.000
Receita
-
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
O relacionamento entre um rapaz de 20 anos com obsessão pela morte, que passa seu tempo indo a funerais ou simulando suicídios, e uma senhora de 79 anos encantada com a vida. Eles passam muito tempo juntos e, durante esta convivência, ela expõe a beleza da vida.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Saber viver ou saber morrer são virtudes, temas difíceis e debatíveis que um filme raramente tem coragem de abordar.** Harold é um jovem, recém-chegado à vida adulta, com uma mórbida fascinação pela morte: ele conduz carros fúnebres, vai a funerais por “diversão”, ensaia mil e uma vezes o próprio suicídio. Ele vai mudar por influência de uma idosa, cuja vontade de viver ao máximo cada momento a leva a atitudes muito incorrectas, como “levar emprestadas” as coisas dos outros sem sequer se dar ao trabalho de as pedir. De certo modo, ambos têm a aprender um com o outro, e o filme mostra-nos esse processo de aprendizagem mútuo, e a ligação especial que se cria entre eles. Comédias negras nunca são consensuais, já se sabe, mas esta é especialmente tocante e carregada de um espírito positivo. O filme aborda temas difíceis, mesmo duros, com um certo espírito de informalidade e ligeireza que, todavia, não os reduz nem menoriza: que significa morrer, como se deve viver, como se deve aproveitar a vida ou saber morrer de modo digno, como educar e compreender um filho, enfim. Por isso, e pela carga cómica negra, não é um filme fácil e vai desagradar a certas pessoas seja pelo humor, seja pelos temas que aborda. O filme tem bons valores de produção, mas não deixa de parecer muito barato. O filme é ambientado nos EUA, mas é tão intrinsecamente britânico que nos esquecemos disso e assumimos que tudo se passa nalgum canto rural inglês. Temos uma cinematografia com bom gosto, baixo contraste e boa luz, temos bons cenários e figurinos. Destacaria muito particularmente as casas de Harold e Maude, porque não podiam ser mais diferentes e, ao mesmo tempo, mais caracterizadoras das suas personalidades: uma mansão antiquada e virada ao passado e uma agradável casinha com detalhes acolhedores. Não há nada de muito chamativo, tecnicamente, e a única chamada de atenção negativa vai para a banda sonora, estridente e demasiadamente chamativa. Não podia encerrar este texto sem deixar um louvor ao trabalho impecável de Bud Cort, um actor que nunca vi antes e que não me parece ter feito grande carreira no cinema, e à inspirada actuação da sua contraparte, Ruth Gordon, uma veterana de alto nível que fez uma enorme variedade de papéis nos anos seguintes.
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