Subconscious Cruelty
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Subconscious Cruelty

Subconscious Cruelty

Tipo

Filme

Ano

2001

Duração

92 min

Status

Released

Lançamento

2001-04-13

Nota

4.7

Votos

79

Direção/Criação

Karim Hussain

Orçamento

US$ 100.000

Receita

-

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Filme blasfemo, surreal e atmosférico, uma viagem aos abismos da mente e a capacidade de crueldade de todo ser humano. Imagens dilacerantes, chocantes de evocações malignas, assassinatos de bebês, sacrifícios cristãos, órgãos devorados, perversão sexual explícita, tudo saído direto da mente de um canadense insano (o diretor Karim Hussain), que fez um dos longas mais bizarros e polêmicos de todos os tempos.

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Reviews

Total: 3

Filipe Manuel Neto

**Uma vergonha... há filmes que nem merecem esse nome.** Quando a arte surrealista nasceu chocou as pessoas. Salvador Dali é um dos mais polémicos pintores de todos os tempos graças a isso. Mas, no entanto, é bonita, é arte. Este filme, que pretensiosamente tenta ser surrealista ou dadaísta, não compreende a arte e é absolutamente condenável na sua intenção básica: chocar as pessoas porque sim. Dirigido e escrito por Karim Hussain, também tem alguns actores, mas quem se importa? O filme é dividido em quatro partes, cada uma mais doentia que a anterior, reflectindo a mente distorcida do seu director, que parece ter a sensibilidade de uma rocha e a saúde mental de um imperador romano. O filme mistura, sem razão ou sentido, violência extremamente gráfica, sangue explícito, sexo, palavrões, simbologia religiosa profanada, assassinatos e outras coisas assim. O único propósito explícito e latente ao longo do filme é o choque, a clara e declarada intenção de intimidar o público e repugnar as pessoas. E quando isso é feito sem qualquer intenção positiva por trás é sempre mau, implica fazer o oposto do que o cinema deveria ser: arte que nos conta uma história. Sim, o cinema pode chocar e ir contra o que as pessoas consideram normal mas deve servir para mudar as pessoas, aprimorá-las, mudar as suas mentalidades. Ofender as pessoas não deve ser um fim em si mesmo, nem nos filmes nem em qualquer outra coisa. A Sétima Arte não precisava disso. Este filme servirá como um farol de mau exemplo para sempre. Este filme tem sido repetidamente censurado e banido em vários países. Uma medida que muitas pessoas acharão punitiva ou ditatorial mas, nesse caso, parece-me muito razoável. É como uma dieta mental em que a pessoa se abstém de ver filmes que não lhe fazem bem.

Rosana Botafogo

**English** Bizarre, only for trash fans, in the worst style of "Human Centipede", "Serbian", "Salò", disturbing images, blood, cannibalism, blasphemy, but nothing very pleasant or shocking enough, but the most interesting was his explanation about menstruation "the woman carried the suffering, the idea of ​​menstruation seemed like a horrible and macabre joke, to perpetuate the species she had to suffer the pain, and the discomfort of genitals bleeding monthly, a strangely sadistic process". Strange Bizarre. **Portuguese** Bizarro, só para fãs do trash, no pior estilo "Centopeia Humana", "Serbian", "Salò", imagens perturbadoras, sangue, canibalismo, blasfêmia, mas nada muito agradável ou chocante o suficiente, mas o mais interessante foi sua explanação sobre a menstruação "a mulher carregado o sofrimento, a ideia da menstruação parecia uma piada horrível e macabra, para perpetuar a espécie tinha de sofrer a dor, e o desconforto das genitais sangrando mensalmente, estranhamente sádico processo". Estranho Bizarro.

Filipe Manuel Neto

**O EVANGELHO DE CALÍGULA: A ANTIPOESIA GROTESCA DE KARIM HUSSAIN.** REVISÃO E DESENVOLVIMENTO À MINHA CRÍTICA ORIGINAL. Define-se como Niilismo a doutrina filosófica que defende que a existência do universo e do Homem não tem um sentido intrínseco. Existimos simplesmente, e depois deixamos de existir. A existência é um incidente sem consequências ou propósito pois não há Deus, não há Céu ou Inferno, não há nada antes ou depois da vida. Os adeptos do niilismo rejeitam não só a religião, mas qualquer metafísica, qualquer moralidade, qualquer noção de ética. O Niilismo acredita fielmente no Nada Existencial. Nada faz sentido porque não há sentido. Apesar de aterrador, o Niilismo foi essencial a partir dos anos 60, servindo para questionar a sociedade. O canadiano Karim Hussain, que só fez três peças longa-metragem como director, encaixava-se num grupo de niilistas rebeldes que acreditavam que a sociedade estava tão entorpecida que só reflectiria profundamente através do choque visual. Surgiu assim esta película, que sinceramente me recuso a chamar de filme. Ao longo da peça, dividida em quatro secções temáticas, ele entretém-se a destruir o cérebro do seu público com imagens violentíssimas e grosseiras. Ele quer mostrar-nos que, se não existe alma nem Deus, o corpo humano não tem valor, pode ser cortado e mutilado, e as imagens religiosas podem ser profanadas alegremente. Numa jornada através dos instintos reprimidos e censurados do ser humano, ele defende que, se nada é sagrado, então pode fazer-se tudo e a liberdade é total, gráfica e muitas vezes violenta. Pode parecer surpreendente, mas esta brutalidade teve direito a um argumento escrito que se dividia nas quatro secções citadas e fazia descrições detalhadas do que se vai mostrando. Não havia diálogos escritos, da mesma forma que não há muita coisa a dizer. O director encarou isso como um poema visual, embora eu veja apenas um gigantesco pesadelo: afinal, qualquer poesia obedece a regras de métrica, composição rítmica e rima, pelo que até a poesia tem normas e quase sempre alguma beleza. O director não busca a beleza, busca o grosseiro e o brutal; ele não cria poesia, mas uma «antipoesia grotesca». O texto demorou quatro anos a fazer e após a gravação desapareceu… provavelmente numa fogueira de churrasco. A gravação destas cenas perturbadoras demorou seis anos e foi o aborto das carreiras de jovens estudantes de cinema: a carreira deles nem chegou a nascer, eles as mataram. O orçamento, de 100 mil dólares canadianos, foi arranjado com empregos part-time de Hussain e do produtor, Mitch Davis. Feito inteiramente no Canadá, utiliza vários locais reais sem qualquer permissão, o que provavelmente infringe alguma lei. Para filmar, usam câmaras Arriflex e Eclair de 16 mm, comuns no cinema indie, alguns tripés, dollies e lentes de zoom que aumentam a sensação de desconforto visual. Os efeitos visuais e gore explícito recorrem a técnicas práticas, sem adições na pós-produção. Hussain gravou sons de carne sendo cortada, vegetais esmagados e fluidos a serem mexidos, editando-os e amplificando-os no corte final. As vísceras são verdadeiras, obtidas em talhos locais, o que conferia um cheiro indescritível ao set devido ao apodrecimento sob o calor dos holofotes. Esse cheiro ficava na pele durante horas, mesmo depois de vários banhos tomados... uma experiência sensorial total que, provavelmente, lhes custou algumas caixas de antieméticos. Para o sangue artificial, Hussain criou uma receita à base de xarope de milho e óleos, e as mutilações foram simuladas com próteses de látex e espuma no corpo das pessoas que vemos (não vou usar a palavra actores para não ofender actores talentosos) e depois sujas com lama, cinzas e óleo de motor para dar a estética cruelmente autêntica de uma gravação caseira feita por um sádico. As pessoas que vemos são, essencialmente, amigos que eles recrutaram oferecendo-lhes umas cervejas ou algo assim! É literalmente uma produção à base de sanduiches, cerveja, risco e força de vontade. Após tudo ter sido filmado, Hussain visitou os EUA levando uma cópia do material. Na Alfândega, ao voltar a casa, a polícia canadiana confiscou-a ao abrigo das leis que protegiam a moral pública. Isto obrigou Hussain a esconder o material que ainda tinha consigo, editando-o às escondidas, e a processar as autoridades para ter de volta o material confiscado, que quase acabou queimado. Quando tudo estava quase pronto para a estreia, Hussain desentendeu-se com um dos produtores por causa de valores em dívida. Como ele tinha consigo parte do material filmado, reteve-o até ao pagamento ser realizado, obrigando Hussain a editar a cópia positiva dos negativos sem saber se algum dia voltaria a ter os originais! A peça só foi salva porque ele conseguiu obter o dinheiro necessário para resgatar os negativos do seu cativeiro. Isso contribui para a estética suja e amassada das imagens: parece que isto esteve guardado num porão. No passado, o cinema conheceu movimentos disruptivos e contraculturais. Vemos isso, por exemplo, na obra de Luis Buñuel, fortemente inspirada no surrealismo, ou no expressionismo alemão, feito à base de trocos de padaria e muita criatividade visual. No passado, eles também chocaram, mas mesmo entre o grotesco exibido havia um propósito para além do choque visual. Podemos encaixar esta gravação numa contracultura que vai em busca do horrendo e lhe chama beleza poética porque desconhece a beleza metódica da verdadeira poesia. Hussain aprendeu técnicas de cinema, mas não sabe dirigir nem escrever porque não entende que a essência do cinema não é o que aparece na tela ou se ouve numa coluna de som, mas a capacidade de usar o que se vê e escuta para contar uma história, bonita ou feia. O cinema pode ser argumentativo, moralizante, gráfico e até violento! Vemos isso muitas vezes, mas de maneira suportável! Eu não quero ir ao cinema para ser doutrinado em alguma coisa ou para sair aos vómitos e com a certeza que terei pesadelos! Há um mínimo de bom-senso que deve ser mantido! Provocar o público é lícito, mas causar choque como um fim em si mesmo é irracional, e ironicamente, espelha a irracionalidade do niilismo: afinal, Hussain fez tudo isto e de que adiantou? Nada! Ele chocou o seu público! De que adiantou? Nada. A sua arte provocou uma reacção visceral! E depois? Nada. Karim Hussain não sabe dirigir, não tem talento para escrever argumentos, mas encontrou o seu lugar: hoje, é um respeitado director de fotografia e conquistou o respeito geral como técnico. Eu respeito isso. No fim, ele estava apaixonado pelo cinema, apenas não sabia amar com a maturidade e sabedoria que o amor exige. Talvez seja por isso que ele se declarou arrependido de ter feito este “filme”. É o tipo de coisa que só um imperador romano apreciaria, mas vai ser um exemplo eterno do que se deve evitar no cinema, e nas artes em geral.

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