Os Crimes de Limehouse
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Os Crimes de Limehouse

Os Crimes de Limehouse

Antes do Estripador, o medo tinha outro nome.

Tipo

Filme

Ano

2016

Duração

109 min

Status

Released

Lançamento

2016-10-18

Nota

6.2

Votos

725

Direção/Criação

Juan Carlos Medina

Orçamento

-

Receita

US$ 2.225.698

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Londres 1880. Baseado em um conto gótico, um distrito sofre com misteriosas mortes e experiências sobrenaturais que levam seus moradores a crerem que a mítica criatura de Golem realmente existe.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Crimes, a Londres Vitoriana, ‘suspense’ e algum ‘gore’ num bom filme thriller.** Encontrei este filme na televisão por casualidade e decidi-me a vê-lo, seduzido por uma breve sinopse do enredo e um começo intrigante. Em boa hora o fiz, o filme valeu a pena e merece a nossa atenção. O enredo passa-se nos anos anteriores ao surgimento do Jack o Estripador, e relata a forma um pouco amadora com que as autoridades inglesas lidaram com o surgimento de um assassino em série sanguinário. Obviamente, a inspiração para este filme era evidente: cada um dos crimes do Golem tinha uma assinatura bastante vincada do Jack o Estripador, assassino real que nunca foi apanhado e nem sequer identificado com sucesso. Os crimes deste filme são sangrentos e gráficos, e o filme pode, por vezes, chocar. Mas o melhor do filme é, a meu ver, o seu roteiro inteligentemente escrito e executado, em que um inspector da Scotland Yard procura o assassino sendo que todas as pistas apontam para uma mulher que ele acredita piamente estar inocente e, provavelmente, a tentar encobrir o verdadeiro criminoso. A trama tem bastantes reviravoltas e convém estar atento para não perder nada de importante. O esforço é compensador. O filme aposta muito na criação de um ambiente denso, de profundo ‘suspense’, e aproveita da melhor forma o ambiente nocturno, decadente e quase desumano da Londres Vitoriana. Das ruas sombrias ao teatro mal frequentado, passando pelos bordéis e pela própria Biblioteca (um dos cenários mais importantes e carregados de simbolismo), o filme tem a atmosfera correcta e é visualmente elegante. Há várias personagens que carregam em si mesmas um desalento e um sentimento de amargura que faz parte do sentir vitoriano, onde o desencanto leva à necessidade de abstracção e ao escapismo, à depressão e à angústia mental. O trabalho de Bill Nighy é realmente o mais sólido e consistente de todo o elenco, e sustenta o filme bastante bem. O actor é um veterano britânico, impecável no seu trabalho, e consegue dar à personagem um toque de cansaço que lhe dá realismo e credibilidade. Olivia Cooke é surpreendente e fez aqui um excelente trabalho, numa personagem nada fácil, exigente e cheia de ‘nuances’ psicológicas. Não obstante, ela consegue de facto cativar e captar a nossa simpatia, até mesmo ser mais agradável do que a personagem de Nighy. Douglas Booth também imprime à sua personagem um pouco de acidez. Ela já viu coisas demais num mundo feio demais. Sam Reid parece-me bem, e Maria Valverde também deu um contributo muito bem imaginado. A nível técnico, o filme faz uma aposta séria e consistente na cinematografia, escura, densa e propositalmente enevoada, como que a imergir o público numa Londres nebulosa, suja, cheia de vícios e cheiro a carvão e fumo. Os efeitos especiais e visuais também trabalharam bem, em particular nos cenários de crime e nos assassinatos. Os cenários foram muito bem executados e a escolha dos locais de filmagem foi cuidadosa, assim como a concepção dos figurinos e adereços do filme, que parecem excelentes e historicamente rigorosos. A banda sonora ajuda-nos muito a viver a época e a sentir o ambiente do filme.

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