The Magic Flute
Voltar
The Magic Flute

The Magic Flute

Tipo

Filme

Ano

2006

Duração

133 min

Status

Released

Lançamento

2006-09-07

Nota

6.4

Votos

28

Direção/Criação

Kenneth Branagh

Orçamento

-

Receita

-

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Anterior6.4Próximo

Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Honra a mais completa arte de palco: a ópera.** Antes de falar deste filme, devo esclarecer uma coisa: sou um fã incondicional de ópera, penso que é a forma de arte de palco mais completa que existe, harmonizando em si as outras formas de arte (música, teatro, canto, dança etc.). Quando é bem feita, a ópera é uma festa para os sentidos que só é prejudicada por um elitismo injusto, culpa dos exorbitantes preços dos bilhetes. Então, conheço muito bem "A Flauta Mágica", a música de Mozart em o libreto de Schikaneder. Tendo feito esse esclarecimento, vamos falar do filme. Kenneth Branagh é um tipo corajoso. É precisa coragem para adaptar Shakespeare para o cinema e ele fez isso mais de uma vez. Por isso, não me surpreende que ele tenha tido a coragem de transformar uma das mais famosas óperas cómicas num filme. É algo que soa a iconoclasta, especialmente aos puristas, mas ele fê-lo! O filme é muito bonito e a transição para o cinema não prejudicou a música. As melodias de Mozart estão quase todas presentes, omitindo os elementos relacionados com o tema maçónico, que Mozart e Schikaneder introduziram e Branagh fez desaparecer. A maioria dos cantores não é famosa e René Pape, no papel de Sarastro, é o nome mais reconhecível aos amantes da ópera. Pessoalmente, acho que não havia nenhum problema em apostar em cantores mais experientes, desde que eles estivessem preparados para as exigências do trabalho em cinema. O trabalho da Orquestra de Câmara da Europa também merece uma nota de parabéns. Quem conhece o libreto percebe logo que o contexto e o ambiente da história foram totalmente alterados: a acção não acontece mais num mundo de contos de fadas, mas numa guerra claramente inspirada na Primeira Guerra Mundial, e isso levanta um problema: algumas personagens nunca se encaixam correctamente nesse ambiente, como a Rainha da Noite. Houve também um esforço para tornar a história mais politicamente correta, já que a ópera original é, às vezes, racista e misógina. Não culpe Mozart por isso, era a mentalidade das pessoas naquela época. Mesmo assim, tais mudanças tiraram a razão de ser a algumas personagens como Monostatos que, na ópera original, é um muçulmano do Norte da África, pensado de acordo com os preconceitos da época. No meio das falhas decorrentes das mudanças feitas ao ambiente em que a história se passa, o filme é agradável. Claro, a música de Mozart será sempre o elemento que atrairá as pessoas a vê-lo mas pessoalmente acho que é também uma maneira interessante de despertar o gosto pela ópera nalgumas pessoas que, de outra forma, nunca teriam a curiosidade de dar uma oportunidade a esta bela forma de arte.

Fotos do título

Clique para abrir e expandir cada foto.