
Tipo
Filme
Ano
2016
Duração
110 min
Status
Released
Lançamento
2016-07-14
Nota
5.6
Votos
14
Direção/Criação
Pedro Varela
Orçamento
-
Receita
-
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Vasco Leitão, vive da mesada das tias, que vivem no Porto e o consideram um aluno cumpridor. Mas Vasco prefere os bares e as mulheres bonitas, em particular Alice, uma rapariga com talento para a música e filha do candidato a Primeiro Ministro José Caetano. Os azares de Vasco sucedem-se: no mesmo dia em que volta a reprovar uma prova oral, recebe um e-mail em que as tias lhe anunciam uma visita a Lisboa.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Mais um remake desnecessário e escusado de Leonel Vieira: desta vez, há alguns pontos interessantes a considerar, mas continua a ter problemas demais para ser um bom filme.** Está visto que Leonel Vieira aderiu absolutamente à moda dos remakes de filmes muito antigos, mas muito consagrados. É uma moda que emana de Hollywood e que tem certa pertinência por lá, dada a enorme quantidade de filmes e histórias esquecidas em filmes que só mesmo os peritos na matéria ainda vão rever. Em Portugal, país com um cinema que é consideravelmente mais pobre em filmes antigos e esquecidos, fazer remakes não é tão aliciante. Haveria alguns filmes, sim, que poderiam ser alvo de remake, ou mesmo de uma reescrita e actualização. Estou, por exemplo, a pensar em “O Feitiço do Império”, um filme quase publicitário das ideias do Estado Novo e que foi tão ostracizado que não há uma cópia inteira. Não me chocaria se Vieira pegasse no que ainda existe e fizesse uma história diferente, nos anos finais da presença portuguesa no Ultramar, dando-nos um filme politicamente neutro, com uma história interessante sobre as pessoas que, nos anos 50 e 60, foram para lá trabalhar, os soldados que foram combater, a relação entre os migrantes portugueses e os nativos africanos, isto é, sobre um grupo heterogéneo de pessoas que, de modos diferentes, viveram os anos em que o “feitiço”, essa ideia de um Portugal espalhado em três continentes, se estilhaçou. Isso seria um bom remake. O que Leonel Vieira fez com este filme não é um remake interessante ou necessário. Assemelha-se muito ao que fez em “O Pátio das Cantigas” com uma ressalva: ele parece ter aprendido com os erros cometidos nesse filme: ele não fez um filme tão insípido, tão focado em namoricos e intrigas, e tentou respeitar mais o material original. Não fez uma cópia, actualizou a história, inseriu algumas coisas novas e enxertou um punhado de cenas que, essas, sim, copiou a papel químico do filme original (o exame final do Vasco e o casamento são as mais evidentes, até os diálogos e falas são as mesmas). Há aqui, no entanto, algumas opções discutíveis: transformar a personagem Alice numa jovem que é portuguesa, mas foi criada no Brasil pela mãe e voltou para Portugal a “pedido” de um pai que detesta é, confuso, desnecessário e inverosímil. É apenas uma tentativa de tornar o filme num caldo cultural idêntico a “Pátio das Cantigas”, onde até vimos indianos a “dançar à Bollywood”! É verdade que cada vez mais recebemos imigrantes e que quase não se ouve a nossa língua nas ruas, mas isso não é um ponto que eu glorificaria como algo incrivelmente bom, até porque a maioria deles vêm trabalhar quase como escravos em tarefas que nós, os senhores doutores, tendemos a desprezar. Fica-nos a consciência aliviada por lhes darmos o que para nós são trocos, mas para eles são bons salários. César Mourão foi uma boa aposta para dar vida ao Vasco. Ele ainda é jovem o suficiente para o papel e tem algumas habilidades musicais que a personagem requer, mas que são ridiculamente desprezadas neste filme, que dá um pontapé ao fado em detrimento de um conjunto de modinhas à guitarra. Tudo bem, isso seria pior se o remake fosse do filme “Fado: História de uma Cantadeira”, o que felizmente não acontece. A brasileira Luana Martau, bem conhecida de quem acompanha o que se faz de melhor nas terras da Vera Cruz, foi também uma boa escolha e deu à personagem uma certa força e energia que a jovem Beatriz Costa não trouxe à personagem (embora a actriz fosse realmente de uma personalidade enorme, vincada, uma força da natureza, como bem sabem todos os que a conheceram pessoalmente). Marcus Majella foi uma adição positiva também. Gostei de São José Lapa e Maria Vieira, mas acho que transformar as tias num casal de lésbicas a cair da tripeça abaixo é um erro e desrespeita o material original. Entendo a vontade de piscar o olho ao público “gay”, mas tudo tem o seu lugar. Também não gostei de Miguel Guilherme. O actor é bom, é perfeitamente capaz, mas Vieira instruiu-o de uma maneira que apagou completamente a personagem. Compará-lo a António Silva, no filme antigo, é comparar um anão a um gigante. Inserir a política também foi uma ideia errada e que parece rebuscada demais para ser digna de credibilidade.
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