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A Ilha dos Cães

A Ilha dos Cães

Tipo

Filme

Ano

2017

Duração

77 min

Status

Released

Lançamento

2017-04-20

Nota

5.0

Votos

1

Direção/Criação

Jorge António

Orçamento

-

Receita

-

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Um filme luso-angolano que parece ter sido feito para a TV e não para o cinema.** Hoje, por casualidade, encontrei este filme, que é uma co-produção entre Portugal e Angola. É por isso a minha primeira incursão pelo cinema angolano. Após o ver, não posso dizer que fiquei desiludido, mas o filme deixa-nos com vontade de ver algo mais que nunca chega. A história do filme é baseada num livro e centra-se numa misteriosa e sombria ilha onde domina uma matilha de cães. A ilha foi comprada por um grupo de investidores de Luanda, que decide expulsar os pescadores que viviam ali para construir um grande resort para turistas estrangeiros passarem férias paradisíacas. Nós já vimos coisas parecidas acontecerem na vida real… Porém, à medida que as obras prosseguem, os trabalhadores da obra começam a ser mortos pelos cães que dão nome à ilha. Pedro Mbala é então enviado para resolver o problema. O filme associa, de modo inteligente, os fantasmagóricos cães a uma maldição lançada por um feiticeiro que os colonos portugueses mataram ali. Eu nunca li o livro original, portanto não posso averiguar acerca da forma como o filme foi fiel ao livro. O que posso dizer é que o filme é surpreendentemente mais curto do que eu esperava, não ultrapassando muito uma hora de duração. Curto, e deixa muitas explicações em suspenso, dando ao público a liberdade para pensar o que quiser. A história tem bastante de sobrenatural e até fantasmagórico, mas é claramente o fantasma do colonialismo que Angola parece estar a precisar de exorcizar. Nem tudo foi mau na presença portuguesa, e nem todos os portugueses foram viciosos, racistas, gananciosos e aproveitadores. Não há nenhuma página de história, de nenhum país, que seja totalmente boa ou totalmente feita de boas ou más pessoas. O elenco não é mau, é mediano, e curiosamente é quase inteiramente composto por actores de dupla cidadania, portuguesa e angolana. Miguel Hurst faz um trabalho satisfatório, e parece-me um actor bastante competente. Também gostei do trabalho de Ciomara Morais (ainda que julgue que a personagem dela foi sexualizada demais) e Matamba Joaquim. O filme conta ainda com uma boa participação de José Eduardo e João Cabral, e um breve cameo de Nicolau Breyner. A nível técnico, o filme destaca-se pela escolha criteriosa dos locais de filmagem. Até onde fui percebendo, e após alguma pesquisa, boa parte do filme foi filmada em São Tomé e Príncipe. No entanto, um dos cenários que mais me impressionou foi, na verdade, o Cemitério de Tômbua, uma cidade que há décadas luta contra o avanço do Deserto de Namibe. Também gostei das cenas na fortaleza, embora não tenha conseguido perceber onde ela fica. A cinematografia não é má, mas é um pouco televisiva, e o filme parece feito mais para a TV do que para o cinema. Os efeitos especiais e CGI utilizados são escassos, mas cumprem o seu papel de modo inteligente.

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