
Tipo
Filme
Ano
1990
Duração
115 min
Status
Released
Lançamento
1990-09-21
Nota
7.5
Votos
1.822
Direção/Criação
Joel Coen
Orçamento
US$ 14.000.000
Receita
US$ 5.080.409
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Um gângster inglês e seu braço direito lutam contra os rivais pela disputa do controle do lado leste da cidade. A vida do gângster começa a desmoronar quando ele descobre que sua mulher está envolvida com seu grande rival.
Elenco principal
Reviews
Total: 3
Filipe Manuel Neto
**A very good film.** Eu vi vários filmes dos irmãos Cohen e sei que eles têm o hábito de fazer filmes complexos, mais ou menos entre o comercial e o intelectual. Os Cohen têm a capacidade de ir de uma ponta a outra desse espectro. A trama passa-se durante a Lei Seca e no contexto de uma guerra iminente entre gângsters. Tom, a personagem principal, está a tentar evitá-la mas acaba envolvido numa teia de lealdades cruzadas. Gabriel Byrne deu vida à personagem principal e foi excelente. Adorei a sua performance numa personagem que é um anti-herói. Tem tudo para ser mau (não tem carácter ou escrúpulos e não se importa em trair amigos), mas é pragmático e parece considerar o derramamento de sangue como algo que deve ser evitado. Isso faz de Tom uma personagem de que gostamos. Não é um bom sujeito mas parece ser a pessoa mais humana de todo o filme. Velma, por outro lado, parece uma miúda fria, calculista e traiçoeira. A maneira como Marcia Gay Harden actuou também ajudou. A actriz é boa e teve um bom desempenho. John Turturro também brilhou no papel de Bernie, um pequeno oportunista que se mete numa grande confusão ao enganar um tubarão. Albert Finney deu vida a Leo, o poderoso chefe da máfia, cheio de bondade. Ele é um bom actor, mas a personagem parece boa demais para ser mafioso. Muito mais perto do quadro cruel e cínico dos chefes da máfia é a personagem de Jon Polito. Ele é o actor mais dominante no filme, junto com Byrne. Eu adorei o trabalho dele. A sua crueldade, a maneira fácil com que mata ou manda matar dá-me arrepios. O resto do elenco também fez um bom trabalho mas acho que estes actores merecem destaque, não tanto por serem as personagens principais mas pela qualidade do trabalho desenvolvido. Outra coisa boa são os detalhes técnicos. A fotografia é boa e contribui decisivamente para o ambiente assustador que gostamos de sentir num filme de gangsters. Algumas cenas são claramente homenagens a outros filmes, bem como a relevância dada aos chapéus fedora, que de facto eram usados na época mas foram imortalizados nos filmes de gangsters. Se há algo que imediatamente relacionamos com o mundo dos gângsters é esse tipo de chapéu, embora seja também um dos modelos mais clássicos, ainda na moda hoje em dia (eu também tenho um). Também podemos ver outros elementos icónicos do mundo da máfia, como as metralhadoras Thompson. Tem excelentes cenas de tiroteio e o humor seco e irónico que é a marca registada dos Cohen. A única coisa que não gostei foi a banda sonora porque senti que cortava a tensão agradável que senti ao longo do filme. "Miller's Crossing" é um bom filme. Não é muito complexo ou ininteligível, conta uma boa história, tem uma boa ironia, um bom elenco a fazer um óptimo trabalho, bons valores de produção e detalhes técnicos positivos. Vale a pena ver.
Rosana Botafogo
**English** A good American neo-noir gangster film from 1990, sometimes boring and monotonous, sometimes violent and interesting, alternating between highs and lows... Aloof script, antagonistic between the convincing and intriguing, and the bland, intricate and dense plot, certainly the least pleasant of the Coen brothers... Films about the mafia give me ambiguous feelings, positive and/or negative... Dark, dry and cold.... **Portuguese** Um bom filme de gângster neo-noir norte-americano de 1990, ora entediante e monótonos, ora violento e interessante, alternando altos e baixos... Roteiro arredio, antagônico entre o convincente e intrigante, e o insosso, enredo intrincado e denso, certamente o menos agradável dos irmãos Coen... Filmes sobre a máfia me causa sensações ambíguas, positiva e/ou negativamente... Sombrio, seco e frio....
João Jaime Jorge
Miller’s Crossing é produto das mentes de Joel e Ethan Coen que mais tarde seriam responsáveis por Fargo (1996) e aquele que é uma verdadeira obra-prima, um filme que transcende o seu próprio médium figurando como um dos maiores expoentes da criatividade e génio humano, The Big Lebowski em 1998. Aqui estamos na fase inicial da sua carreira, em 1990, sendo este a sua terceira obra após Bood Simple e Raising Arizona. É um neo-noir, seco e emocionalmente reprimido, com diálogos rápidos, carregados de veneno, ironia e desprezo, com homens duros, violentos, a fumar em cadeia e à beira do precipício. Segredos, reviravoltas, traições, tudo está presente numa história que decorre nos meandros do crime, mas cujo foco é uma complicada trama de ligações emocionais e o confronto com uma existência baseada na lei da selva onde só o poder é garantia de sobrevivência. Durante a Lei Seca, Tom Reagan (Gabriel Byrne) é o conselheiro de confiança de Leo (Albert Finney), um influente chefe do crime irlandês. Quando Leo se recusa a eliminar um pequeno criminoso protegido pela sua amante Verna, Tom vê-se forçado a intervir, temendo que essa decisão ponha em risco o equilíbrio entre os vários grupos do submundo. Envolvido numa teia de lealdades, intrigas e jogos de poder, Tom começa a manipular os diferentes lados do conflito. À medida que as tensões aumentam, ele move-se numa linha ténue entre a fidelidade e a sobrevivência. O seu percurso revela-se cada vez mais ambíguo, mergulhado em traição, frieza e escolhas morais duvidosas. Tom é uma personagem complexa, um génio maquiavélico, um jogador inveterado, um manipulador amoral, mas também um amigo leal, capaz de causar a morte de alguém, porém cobarde ou sensível demais para puxar ele próprio o gatilho. É uma dicotomia em constante relevo que orienta as suas ações, o coloca em perigo e lhe permite, igualmente, usar as vidas de outros como peças de xadrez numa partida em que sair do tabuleiro equivale à morte. A intensidade sobe num crescendo até ao clímax em que todos os planos chegam à sua conclusão e o jogo termina e onde é visível como Tom é realmente viciado em risco sejam quais forem as consequências. No que diz respeito ao microcosmo criminal os Coen focam a profissionalização do criminoso, não havendo nos atos mais bárbaros nada de pessoal, apenas negócios, num prenúncio da criminalidade organizada moderna. Todos os delinquentes entendem essa normalidade da violência e aceitam-na com fair-play e até honradamente. O tipo responsável pela tareia a Tom por dívidas de jogo é cordial e até lamenta ter de o fazer, é apenas o seu trabalho e Tom aceita o seu castigo sem ressentimentos. Quando se mostra fraqueza o outro tomará vantagem e tal é aceite como uma regra e até como algo moral. O mesmo acontece com a corrupção da polícia, fenómeno pintado como absolutamente trivial, até consuetudinário. O criminoso é humanizado, são homens que amam, assassinos, porém frágeis emocionalmente. Amigos a quem a traição magoa, dotados de uma ética própria que lhes dá, pelo menos, a ilusão de uma honra pessoal. Há censura nos vícios privados, como a homossexualidade, racismo, em particular contra os judeus, desumanização e demonização do género feminino e pequenos ódios privados como no resto da sociedade não desviante. Não se trata de uma apologia dos Coen à delinquência, apenas um realismo digno de elogio que destrói o positivismo de Raffaele Garofalo. Miller’s Crossing é cinema puro, com algo a dizer sobre a dualidade do ser humano e as suas intricadas, contraditórias e, por vezes, aberrantes emoções. É o produto criativo de dois génios, um privilégio para o espectador, arte no estado puro.
Fotos do título
Clique para abrir e expandir cada foto.
