
Tipo
Filme
Ano
2010
Duração
106 min
Status
Released
Lançamento
2010-07-09
Nota
6.6
Votos
1.578
Direção/Criação
Lisa Cholodenko
Orçamento
US$ 3.500.000
Receita
US$ 34.705.850
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Jules e Nic são um casal de lésbicas que vivem juntas há quase 20 anos e têm dois filhos adolescentes chamados Joni e Laser, concebidos por meio de inseminação artificial. Sem o conhecimento de suas mães, os dois vão atrás do pai biológico, Paul, proprietário de um restaurante. As complicações surgem quando os jovens, tendo criado laços afetivos com ele, levam o pai para fazer parte do cotidiano da família.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Um filme “gay friendly” que consegue ser minimamente neutro para agradar também a quem está fora das lutas políticas e ideológicas.** Nunca as causas fracturantes foram tão populares como actualmente: do aborto à eutanásia, da questão histórica entre países colonizadores e colonizados à devolução de arte saqueada pelos museus europeus, passando pelas causas e bandeiras do movimento Gay, cuja sigla aumenta a cada ano e a cada nova definição que se inventa para cada forma de sentir e viver a sexualidade, espelhando uma necessidade de afirmação que se sente mais fortemente do que a conveniência de apresentar certa união nas hostes. Este filme “gay friendly” enquadra-se perfeitamente numa lista crescente de obras de cinema que se dedica, precisamente, a esmiuçar a dinâmica destas novas famílias. A vantagem deste filme é que não o faz de modo excessivamente militante. O roteiro apresenta-nos duas mulheres maduras, que vivem numa relação lésbica estável e que decidiram engravidar, por inseminação artificial (obviamente o método mais tradicional estava posto de parte por razões óbvias), sendo que o doador do sémen foi o mesmo e as crianças que nasceram são, por isso, meios-irmãos por parte do pai (que não conhecem). É precisamente a busca pelo seu pai biológico e a criação de uma relação mais próxima com ele que leva o enredo adiante, com a introdução deste simpático e descomplicado homem a desestabilizar totalmente a vida daquela casa. Gostei do filme, na generalidade. Ao mesmo tempo que nos tenta desmentir aquela ideia, muito replicada, de que duas lésbicas iriam incutir aos seus filhos a sua própria orientação sexual, o filme procura criar uma questão em torno da inviolabilidade do anonimato dos doadores de material seminal… eu não posso falar por todos, mas eu jamais doaria sémen se suspeitasse que, anos depois, poderia ter alguém a bater à minha porta e a dizer que é meu filho. O anonimato é algo que deveria ser inviolável e sagrado aqui, independentemente da vontade dos envolvidos. Foi o ponto do roteiro que mais me incomodou, mas houve mais alguns. Para mim, o ponto mais forte do filme acaba sendo o elenco e a sua performance muito boa, e fortemente suportada por um duo de veteranas: Julianne Moore e Annette Bening. Ambas são incríveis nas suas personagens, e estabelecem uma excelente dinâmica de trabalho e uma boa química. Mia Wasilowska e Josh Hutcherson, ambos ainda bastante jovens, são uma adição boa e refrescante ao elenco, sendo que ambos parecem estar realmente a divertir-se com o que vão fazendo. De resto, todos os conhecemos hoje em dia, pois são duas jovens estrelas. Apesar de não ser tão interessante, tenho de admitir que gostei do trabalho de Mark Ruffalo. Acho que a sua personagem foi mal pensada, e mal escrita, mas o actor desembaraça-se muito bem e sabe contornar os obstáculos que vão aparecendo. Não é um filme tecnicamente notável, nota-se que não teve direito a um orçamento soberbo, e que foi um trabalho feito graças, em parte, à extremosa dedicação de todos os envolvidos. Não tem uma cinematografia e edição incríveis, mas o que foi feito funciona bem e é eficaz. O filme tem um ritmo agradável, leve, e um ambiente bem-humorado e descomplicado.
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