
Tipo
Filme
Ano
2017
Duração
111 min
Status
Released
Lançamento
2017-10-27
Nota
7.3
Votos
1.802
Direção/Criação
Sergio G. Sánchez
Orçamento
US$ 8.000.000
Receita
US$ 12.294.931
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Quatro irmãos, devastados com a morte trágica da mãe, decidem se refugiar em uma localidade rural, temendo ser separados pelo serviço social. No entanto, o local esconde um obscuro e perigoso segredo que desafiará a união e sobrevivência dos quatro.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Um bom filme de terror psicológico.** Para mim, a única coisa boa no Halloween é a quantidade de filmes de terror que passam pelas televisões. O leitor anglo-saxónico não me leve a mal, eu sei que é uma tradição muito querida dos americanos e ingleses, e respeito isso, da mesma forma que respeito o Dia de Los Muertos. Mas no meu país essa tradição é inexistente. Só comecei a ouvir falar nisso há quinze anos, por força de uma aliança irresistível entre o comércio (sempre interessado em vender bugigangas e máscaras que sobraram do Carnaval) e o peso da globalização, que torna a variedade cultural numa sopa homogénea, sem sabor. O que temos no meu país é apenas a celebração católica de Todos os Santos e, no dia a seguir, a festa religiosa dos fiéis defuntos, com a tradicional romagem aos cemitérios. Para quem não é cristão ou não tem ninguém querido no cemitério, talvez sejam dias iguais a quaisquer outros. Mas vamos ao que interessa! Como já deu para entender, eu vi este filme pelo Halloween, e gostei bastante do que vi. Apesar da presença de Sérgio Sánchez, que assina o roteiro e garante uma direcção impecável, e de ter sido filmado e produzido em Espanha, o filme é protagonizado por actores anglófonos e toda a história se passa nos Estados Unidos. O roteiro começa com a chegada de uma mãe, com os seus filhos, à sua casa familiar, há muito fechada. É claro, desde o começo, que eles estão a fugir e a esconder-se de um marido/pai violento que ficara na Europa. Tudo corre bem até à morte da mãe, que deixa os filhos sob os cuidados do mais velho. A partir daí, eles procuram esconder a morte dela até que ele perfaça 21 anos, idade a partir da qual terá direito de ser tutor legal dos irmãos, assegurando, assim, que permanecem todos juntos. O roteiro tem muito mais, não é apenas um melodrama familiar sobre irmãos muito unidos e os perigos de um pai violento. O terror está bem presente nas sobras daquela casa decrépita, onde se pressente a presença de algo mais, e de um segredo tenebroso escondido algures no piso de cima, totalmente inacessível. A relação dos jovens órfãos com Allie, a sua mais próxima vizinha, e com um advogado da cidade próxima, será o móbil para novos desenvolvimentos, que nos vão levar a conhecer mais sobre os jovens, e o que realmente existe naquela casa isolada. O filme está cheio de reviravoltas, e algumas delas surpreenderam-me um pouco. George MacKay é o grande protagonista do filme e dá-nos uma interpretação verdadeiramente soberba, profunda e por vezes perturbadora. Apesar da qualidade do elenco, no geral, ser boa, ele destaca-se bastante dos demais e rouba as nossas atenções sempre que aparece. Charlie Heaton é outra boa adição, e brilha especialmente nas cenas onde contracena com MacKay, em particular nos seus vários conflitos. Tom Fisher é bastante eficaz como vilão, muito embora não seja feliz com a sua personagem, despida de qualquer profundidade e transformada numa besta louca, um monstro do armário determinado a comer criancinhas. Anya Taylor-Joy foi uma adição agradável e eficaz, mas tem muito pouco para fazer. Tecnicamente, o filme aposta bastante na cinematografia, nos locais de filmagem, nos efeitos de som e no design dos cenários. A cinematografia aproveita as cores frias e os dias enevoados, bem como a pouca luz dos interiores da casa, e das velas acesas, para ajudar a criar um ambiente tenso e adequadamente sombrio, o qual é adensado pelos efeitos sonoros, muito bem usados, e pelos cenários da casa de campo, envelhecida e carente de obras. A casa é transformada, tal como sucede noutros filmes de casas assustadoras, numa personagem adicional da trama, com a sua própria personalidade e a sua própria história e peculiaridades. A escolha dos figurinos e dos automóveis coloca-nos em sintonia com a época em que tudo acontece (os anos 50). Falta, todavia, uma banda sonora eficaz e realmente memorável.
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