
A Catedral
Tipo
Filme
Ano
1989
Duração
102 min
Status
Released
Lançamento
1989-03-10
Nota
6.0
Votos
251
Direção/Criação
Michele Soavi
Orçamento
US$ 3.500.000
Receita
-
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Na era medieval, uma catedral é construída para abrigar e esconder corpos de pessoas consideradas possuídas por demônios. Séculos depois, um jovem bibliotecário libera o mal que está sob a construção ao remover uma pedra nas catacumbas. Ao redor, uma série de eventos macabros começa a acontecer e o padre Gus parece ser o único a não estar possuído. Portanto, cabe a ele a tarefa de evitar o caos na cidade.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Um filme medíocre em vários aspectos.** Este filme é inteiramente filmado em redor de uma grandiosa catedral gótica, aproveitando bem a grandiosidade e a beleza do monumento e da arte medieval. O roteiro, que é assinado por Dario Argento, não é isento de falhas ou de opções que podiam ter sido melhor pensadas. A história começa na Idade Média, quando um grupo de cavaleiros teutónicos massacra uma aldeia germânica de adoradores do Diabo. O massacre é bastante brutal, e nem as crianças ou os animais foram poupados. Os corpos foram então agrupados numa vala comum, cobertos de cal e terra e esquecidos para sempre… ou não! No local foi erguida uma grande catedral. Seis ou sete séculos depois, no nosso tempo, a catedral está a sofrer importantes obras de restauro e recuperação. Durante as obras, um pergaminho é encontrado que revela a existência de um compartimento secreto, atrás de uma pedra com sete olhos gravados. Sabendo que a catedral é a única no seu género sem um único túmulo – com excepção do arquitecto da igreja, que foi ali sepultado – o bibliotecário da diocese começa a desconfiar que o prédio pode ter guardado algum segredo ou tesouro, e decide procurá-lo. Mas o segredo da catedral é mais tenebroso e perigoso do que ele julga. Como eu disse, o filme tem um roteiro bastante amador, tendo em conta a reputação de Argento e do director, Michele Soavi. Acho que o massacre é revelado demasiado cedo, teria sido mais interessante se surgisse a meio do filme, como explicação para eventos que viessem a ocorrer antes e que precisassem de explicação. Também me parece inconcebível que toda a igreja tenha apenas aquela porta. Qualquer pessoa que conheça um mínimo de arquitectura religiosa sabe que uma catedral tem sempre três portas, no mínimo: a porta principal, a porta de serventia para uso dos sacerdotes e acesso à sacristia, e ainda a chamada “Porta Santa”, a qual é geralmente aberta solenemente em anos de jubileu, e cuja passagem dá aos peregrinos indulgências especiais mediante o cumprimento de certas condições prévias. Faltou aqui um bom consultor que aconselhasse o director e o argumentista. O elenco fez um trabalho medíocre, mas não podia fazer muito melhor com o material que recebeu. Barbara Cupisti e Tomas Arana não estiveram mal no início, mas perdem brilho e protagonismo a partir do meio e acabam totalmente subaproveitados. Hugh Quarshie e Feodor Chaliapin (que deu vida a Jorge em “O Nome da Rosa”) fizeram um bom trabalho e destacam-se no elenco. Asia Argento começa mal, com a sua personagem a assemelhar-se apenas a mais uma Lolita, carregada de sexualidade mas reprimida pelo pai, porém acaba por desabrochar e revelar-se uma boa adição ao elenco. Todos os demais são carne para canhão, literalmente, porque estão ali para morrer: temos uma mulher vaidosa que morre ao se ver feia num espelho, uma esposa idosa que mata o marido após se cansar de o ouvir resmungar constantemente e um sacristão que se suicida. As mortes são quase sempre grotescas. O amadorismo persiste nos aspectos técnicos. O único aspecto técnico totalmente positivo é a banda sonora, composta por Keith Emerson, Goblin e Philip Glass, e que ajudou muito a criar e amplificar a tensão dramática, quando ela foi possível. A cinematografia é bastante datada e comum, mas pelo menos tira bom proveito da beleza gótica da famosa Igreja de Matias, em Budapeste. A ponte sobre o Danúbio existente nesta cidade também foi bem aproveitada para uma cena muito breve, mas bem-feita, em fast-forward. Apesar disso, o filme não menciona uma cidade específica como palco dos acontecimentos do roteiro, devendo-se a escolha de Budapeste para as filmagens, talvez, a políticas financeiras e fiscais mais leves para as produções de filmes. Os efeitos especiais, visuais e sonoros do filme são muito maus e nota-se claramente que são falsos. O sangue parece sumo de framboesa, a criatura é nitidamente um homem num fato ou um grupo de homens… o desastre é completo. Eu poderia ainda falar dos figurinos dos cavaleiros teutónicos, do aspecto estranho dos elmos e armas ou de como eles se parecem com o KKK, mas prefiro nem desenvolver esse assunto. Medíocre.
Fotos do título
Clique para abrir e expandir cada foto.
