
Tipo
Filme
Ano
2010
Duração
120 min
Status
Released
Lançamento
2010-03-19
Nota
6.7
Votos
419
Direção/Criação
Luca Guadagnino
Orçamento
US$ 3.600.000
Receita
US$ 12.014.663
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Emma deixou a Rússia para morar com seu marido na Itália. Agora, membro de uma poderosa família industrial, ela é a respeitada mãe de três filhos, mas se sente insatisfeita. Um dia Antonio, um chef talentoso, amigo de seu filho e funcionário do restaurante da família, que desperta seus sentidos, fazendo embarcar num tórrido romance que mudará a família Recchi para sempre..
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Apesar do poderoso desempenho de Swinton, Luca Guadagnino provou ser um erro colocar uma narrativa ao serviço da técnica.** Qual é a origem e o ponto fundamental da arte cinematográfica? É uma pergunta que parece retórica, mas que, para mim, é fundamental para entender os problemas deste filme. Porquê? Porque para mim, o ponto essencial do cinema, o que é mais importante, é contar uma história. Isto significa que a estética, o estilo e a arte devem servir a narrativa, não o oposto. E o que este filme faz é, precisamente, servir-se de uma narrativa para um exercício de estética e estilo. O roteiro tinha tudo para funcionar, com uma história dramática que, apesar de não trazer nada de novo (há imensos filmes sobre adultérios, mulheres maduras insatisfeitas com as suas vidas, famílias ricas que funcionam mal etc.), tinha pelo menos tudo o que precisava para nos entreter. Basicamente, é a história de uma mulher russa que casou com um magnata da indústria têxtil italiana e teve três filhos. Ela não é necessariamente infeliz, mas vive uma existência monótona, ao sabor das conveniências sociais e familiares, de forma que acaba por encontrar excitação e prazer num tórrido caso com um amigo de um dos filhos, um cozinheiro. E claro, quando tudo isto vem a ser conhecido, a família tem a sua vida muito abalada. O filme tem o seu valor pela narrativa e pelo roteiro, mesmo considerando que há muito cliché e melodrama previsível. Mas o director Luca Guadagnino não parece dar relevância à história que quer contar. Ele não está interessado em nos entreter com um filme que misture a arte e o entretenimento de forma harmoniosa. Guadagnino quer apenas exibir-se e mostrar tudo o que aprendeu sobre cinema, toda a técnica, o domínio da cinematografia, o uso habilidoso da banda sonora, do som e da imagem. Este filme é simplesmente um exercício vaidoso de técnica e estilo. Tilda Swinton aproveitou inteligentemente a oportunidade para, em franca colaboração com o director, construir para si mesma uma personagem à medida daquilo que precisa e sabe fazer. Foi um trabalho de vários anos, mas que alavancou o projecto até à sua feliz conclusão. E temos de admitir que Swinton está maravilhosa e dá-nos uma interpretação profunda e poderosa da personagem principal. Infelizmente, ela é a única actriz que sobressai neste filme pela positiva. O resto do elenco, maioritariamente italiano, é bastante mediano, com interpretações vazias e desinteressadas, e há personagens verdadeiramente irritantes e cansativas. Como eu disse mais acima, é nos aspectos técnicos que Guadagnino aposta verdadeiramente e tenta ao máximo destacar-se, e temos de admitir que ele sabe usar muito bem a cinematografia, e o trabalho de filmagem. O filme aproveita bem os locais de filmagem usados em Milão e em outros pontos da Itália, e consegue transmitir o prazer de comer uma boa refeição. De facto, até transmite mais facilmente o prazer da gula que o prazer do sexo, porque todas as cenas de sexo, por mais intensas que sejam, são manifestamente artificiais e exageradas. A sensação de que é tudo exagerado e artificial torna-se ainda mais latente devido a um ritmo muito lento, que nos vai entorpecendo, e devido à intrusão de uma banda sonora histriónica e irritante.
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