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Reviews
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Filipe Manuel Neto
**Apesar do orçamento reduzido e das qualidades redentoras que apresenta a vários níveis, é um filme globalmente pouco interessante, enfadonho e morno.** Quando me decidi a ver este filme eu já tinha expectativas muito baixas. O filme é claramente uma produção barata e pouco desenvolvida, que procura aproveitar o ambiente soturno e algo enevoado de Londres para imprimir algum charme adicional a um filme geralmente insosso. O filme é dirigido por Shimako Sato, um director que parece tentar imprimir-lhe algumas lições extraídas do terror nipónico (a importância do ambiente, do ‘suspense’ e da tensão, dos cenários e da iluminação), mas penso que a maneira como ele o tentou nem sempre foi a mais feliz e que falta ao filme um roteiro que lhe permita, verdadeiramente, fazê-lo com êxito. O roteiro, bastante pobre e pouco interessante, tenta criar um drama romântico sobre bases de terror gótico pouco assustador e, por vezes, enfadonho. Tudo começa numa biblioteca, com um largo conjunto de documentos antigos, historiadores e frequentadores habituais que procuram o espaço para estudar. Um deles, o elegante e discreto Alex, começa a mostrar interesse por uma das empregadas, a jovem Anne. O que ninguém sabe é que ele é um vampiro com séculos de vida que viu nela uma sósia de um amor antigo, há muito desaparecido, e que ele também é o responsável pela onda de mortes misteriosas que tem acontecido na cidade. Julian Sands é um actor competente, que assegura de maneira satisfatória o papel principal. Ele é elegante, bonito, adequadamente sombrio e taciturno como um homem depressivo. De facto, a boa performance do actor é uma boa razão para ver este filme. Suzanna Hamilton é decente o bastante para a personagem dela, mas parece-me bastante entorpecida e dormente durante a maior parte do filme, agindo de modo pouco natural e espontâneo. Kenneth Cranham parece um vilão adequado quando começa a aparecer, mas é bastante previsível e óbvio que ele sabe o que Alex é realmente. As razões para o comportamento da personagem de Cranham também não são convincentes. Tecnicamente, o filme tem vários elementos dignos de interesse e de atenção, os quais lhe dão uma qualidade adicional e fazem com que o filme não seja tão mau quanto pode parecer numa primeira impressão. A cinematografia, por exemplo, é realmente muito interessante, com uma utilização muito hábil das sombras, da luz, do enquadramento da imagem, dos reflexos de luz e da omnipresente neblina londrina. Os cenários também foram utilizados com muita habilidade, com a casa decadente do vampiro a ser, quase, um reflexo visual e claro da sua psicologia e da maneira como ele se vê a si mesmo. Os figurinos também foram bem utilizados. Em contraponto temos, de facto, efeitos visuais e especiais baratos, inverosímeis, por vezes óbvios, e uma banda sonora desinteressante e maçadora.
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