
Tipo
Filme
Ano
1982
Duração
108 min
Status
Released
Lançamento
1982-09-08
Nota
6.6
Votos
202
Direção/Criação
Rainer Werner Fassbinder
Orçamento
US$ 1.600.000
Receita
-
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
O marujo francês Querelle chega a Brest e frequenta um estranho bordel. Logo descobre que seu irmão Robert é amante da dona do lugar, Lysiane. "Aqui você pode jogar dados com Nono, o marido de Lysiane: se você ganhar, pode fazer amor com ela; se perder terá que fazer amor com Nono..." Querelle perde de propósito.
Elenco principal
Reviews
Total: 2
Pedro Quintão
Este foi um daqueles filmes que, sinceramente, me deixou completamente perdido sem saber o que acabei de ver. É daqueles casos em que no início não estava a entender nada e no fim sentia-me como no início. E o mais curioso é que até li o livro e, em vez de me ajudar, fiquei ainda mais confuso. Contudo, seja para o bem ou para o mal, é uma obra que se destaca por tentar ser diferente do habitual. Nota-se uma aposta numa cinematografia invulgar, com uma paleta de cores fora do comum e cenários que, pela sua artificialidade, acabam por ter uma certa identidade própria (mesmo que essa escolha artística seja o maior fator do meu desagrado). A narrativa é assumidamente poética, metafórica e, atrevo-me a apelidá-la de, abstrata e até os diálogos parecem mais teatrais do que naturais. Mesmo que não funcione e desgoste deste aspeto, reconheço o mérito da tentativa de sair da norma. Mas, na prática, nada disso me conseguiu conquistar. Durante duas horas senti-me completamente perdido, sem entender a história, nem o seu propósito. Assumo a minha culpa, pois cheguei a um ponto em que deixei de prestar atenção e de fazer um esforço por tentar-me envolver, mas, mais uma vez, os diálogos e os cenários artificiais eram repulsivos para mim. Faltou também algo que me prendesse emocionalmente. Querelle é monótono, as personagens são inconsistentes e bidimensionais (pelo menos pareceram-me assim), e nunca consegui estabelecer qualquer ligação com elas. A abordagem teatral, desde os cenários até às interpretações, acabou por me afastar ainda mais. Pessoalmente, teria preferido uma fórmula mais convencional, que não sacrificasse a clareza narrativa em nome da estética. Um aspeto que me chamou a atenção foi a carga sexual homoerótica presente ao longo do filme, sobretudo na forma como as personagens masculinas foram caracterizadas. A certa altura comecei a pensar se o livro não terá sido uma inspiração direta para o artista Tom of Finland, ou se, pelo contrário, foi o artista que acabou por influenciar a caraterização das personagens masculinas do filme. De qualquer forma, existe aqui uma clara estilização da masculinidade que se encaixa totalmente no tom da narrativa e dá um certo charme e identidade à obra. Reconheço a ousadia e a coragem de arriscar algo diferente. No entanto, para mim, foi apenas uma experiência confusa, frustrante e sem o impacto que esperava. Muitos/as de vocês vão condenar-me, mas sinto que a obra original deveria receber um remake produzido por um estúdio de qualidade, como um elenco que fizesse jus à caraterização das personagens originais e, sobretudo, com uma releitura da narrativa mais acessível e cativante para as gerações atuais.
Pedro Quintão
Este foi um daqueles filmes que, sinceramente, me deixou completamente perdido sem saber o que acabei de ver. É daqueles casos em que no início não estava a entender nada e no fim sentia-me como no início. E o mais curioso é que até li o livro e, em vez de me ajudar, fiquei ainda mais confuso. Contudo, seja para o bem ou para o mal, é uma obra que se destaca por tentar ser diferente do habitual. Nota-se uma aposta numa cinematografia invulgar, com uma paleta de cores fora do comum e cenários que, pela sua artificialidade, acabam por ter uma certa identidade própria (mesmo que essa escolha artística seja o maior fator do meu desagrado). A narrativa é assumidamente poética, metafórica e, atrevo-me a apelidá-la de, abstrata e até os diálogos parecem mais teatrais do que naturais. Mesmo que não funcione e desgoste deste aspeto, reconheço o mérito da tentativa de sair da norma. Mas, na prática, nada disso me conseguiu conquistar. Durante duas horas senti-me completamente perdido, sem entender a história, nem o seu propósito. Assumo a minha culpa, pois cheguei a um ponto em que deixei de prestar atenção e de fazer um esforço por tentar-me envolver, mas, mais uma vez, os diálogos e os cenários artificiais eram repulsivos para mim. Faltou também algo que me prendesse emocionalmente. Querelle é monótono, as personagens são inconsistentes e bidimensionais (pelo menos pareceram-me assim), e nunca consegui estabelecer qualquer ligação com elas. A abordagem teatral, desde os cenários até às interpretações, acabou por me afastar ainda mais. Pessoalmente, teria preferido uma fórmula mais convencional, que não sacrificasse a clareza narrativa em nome da estética. Um aspeto que me chamou a atenção foi a carga sexual homoerótica presente ao longo do filme, sobretudo na forma como as personagens masculinas foram caracterizadas. A certa altura comecei a pensar se o livro não terá sido uma inspiração direta para o artista Tom of Finland, ou se, pelo contrário, foi o artista que acabou por influenciar a caraterização das personagens masculinas do filme. De qualquer forma, existe aqui uma clara estilização da masculinidade que se encaixa totalmente no tom da narrativa e dá um certo charme e identidade à obra. Reconheço a ousadia e a coragem de arriscar algo diferente. No entanto, para mim, foi apenas uma experiência confusa, frustrante e sem o impacto que esperava. Muitos/as de vocês vão condenar-me, mas sinto que a obra original deveria receber um remake produzido por um estúdio de qualidade, como um elenco que fizesse jus à caraterização das personagens originais e, sobretudo, com uma releitura da narrativa mais acessível e cativante para as gerações atuais.
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