
Tipo
Filme
Ano
2017
Duração
106 min
Status
Released
Lançamento
2017-09-13
Nota
6.9
Votos
1.228
Direção/Criação
Stephen Frears
Orçamento
US$ 22.000.000
Receita
US$ 66.558.465
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
A história real de uma amizade inesperada nos últimos anos da Rainha Vitória. Abdul Karim, um jovem empregado, viaja da Índia para participar do Jubileu de ouro da rainha, e é surpreendido ao se encontrar com a própria rainha. Os dois forjam uma aliança improvável e dedicada com uma lealdade um ao outro, que seu círculo interno tenta destruir. Quando a amizade se aprofunda, a rainha começa a ver um mundo em mudança com novos olhos e, com alegria, recupera sua humanidade.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Um bom filme, a quase todos os níveis.** Gosto bastante de filmes de fundo histórico ou ligados à monarquia, o que tem muito a ver com a minha vida pessoal, a minha família de origem e também com a minha ocupação profissional, enquanto historiador. Fiquei muito curioso com este filme e hoje, finalmente, consegui vê-lo. E posso dizer que foi realmente muito bom. Não posso dizer que tudo está bem, há diversas cenas e momentos que me parecem demasiado imaginativos para terem realmente acontecido, mas o panorama é bastante positivo. A relação entre a poderosa rainha Vitória e este seu servidor pessoal foi seguramente objecto de duras críticas e enorme incompreensão. A corte britânica era, então, tal como quase toda a Europa, profundamente preconceituosa, racista e eurocêntrica. Havia realmente uma crença de que a Europa era a civilização e que o esforço colonizador e imperialista das potências europeias iria levar um pouco dessa civilização a um mundo bárbaro, de costumes estranhos, carente de religião cristã, de educação, de maneiras, de infra-estruturas modernas que só os europeus de cor branca poderiam administrar. Foi esta a postura britânica na Índia, e noutros lugares do seu império. Para nós isto pode ser chocante, e nós temos assistido a uma onda de destruição de estátuas e monumentos ligados ao passado colonial europeu por culpa desse sentimento geral de choque e repúdio… mas a história não vai desaparecer só porque a varremos para debaixo do tapete. É com os ensinamentos da história, dentro e fora das salas de aula, que aprendemos, e apagar os vestígios visíveis de um passado que nos ofende (ou que ofende outras pessoas e outros povos) não serve para nada. Penso que não devemos ter vergonha de ter sido impérios, e de termos estado presentes em outros países, ou dominado outros povos. Para o melhor e para o pior, isso marcou ambos os lados (dominadores e dominados), e as trocas culturais que se estabeleceram ajudaram a moldar os países e povos que conhecemos hoje. Acho bastante mais produtivo aprendermos com tudo isto: aprendermos a não cometer os mesmos erros e, por outro lado, aproveitarmos da melhor forma as pontes que esse passado estabeleceu entre povos diferentes, de partes distintas do mundo. Perdoem-me o desabafo, mas penso que vinha a propósito. Como já percebeu o digno leitor, o filme explora a relação entre duas pessoas muito diferentes: a rainha do maior império do seu tempo e um humilde escriturário que por casualidade acabou a servi-la, tornando-se num dos seus favoritos e chocando a corte, racista e fútil. Muito do que sabemos desta ligação perdeu-se porque as cartas e documentos foram, esmagadoramente, queimados após a morte de Vitória, mas penso que o filme captou bem a essência do que ali aconteceu. Judi Dench é uma grande actriz, que curiosamente já deu vida a Vitória noutro filme mais antigo, e está perfeitamente talhada para o papel e consegue estabelecer uma química bem positiva com Ali Fazal, que é carismático, simpático e capta muito bem o nosso interesse e a nossa afinidade. Há várias personagens no filme que parecem esboçadas e desinteressantes, e a maioria das figuras da corte régia incluem-se nesse grupo. Gostei, todavia, da performance de Michael Gambon, Tim Piggot Smith e Eddie Izzard. O fim do filme é particularmente tocante. A nível técnico, eu tenho de destacar a escolha criteriosa e inteligente dos locais de filmagem, em particular Osborne House, uma antiga residência real muito ligada à monarca. O filme usa bem essas filmagens, capta muito bem a cor e a luz, e constrói uma cinematografia elegante e quente, agradável ao olhar e bastante envolvente. Sendo um filme de época, foi feito um esforço adicional no tocante aos cenários e aos figurinos, e eu posso dizer que não observei grandes erros ou problemas aqui. A maior crítica que posso fazer é a dificuldade que senti para perceber a passagem do tempo: seria difícil a alguém que não conhecesse bem a história dizer se a acção do filme se passa no decorrer de apenas alguns dias ou no decurso de vários anos. Também a partitura de Thomas Newman, escrita para o filme, se revelou excelente.
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