Maria Cheia de Graça
Voltar
Maria Cheia de Graça

Maria Cheia de Graça

Tipo

Filme

Ano

2004

Duração

101 min

Status

Released

Lançamento

2004-04-02

Nota

7.2

Votos

424

Direção/Criação

Joshua Marston

Orçamento

US$ 3.000.000

Receita

US$ 12.450.821

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Maria, uma colombiana de 17 anos, descobre que está grávida e precisa encontrar um novo trabalho com urgência. Ela se envolve com o sedutor Franklin, que lhe oferece um perigoso trabalho transportando drogas.

Anterior7.2Próximo

Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Um excelente filme, carregado de autenticidade e verosimilhança, com uma protagonista crível e que harmoniza bem a ingenuidade da juventude com a coragem e a capacidade de iniciativa.** Fiquei curioso para ver este filme por dois motivos em particular: o primeiro foi por ser falado em Espanhol e, mesmo assim, ter conseguido tantos admiradores no público anglófono. Isto é, por ultrapassar a barreira linguística e cultural que, muitas vezes, bloqueia muito as produções europeias, asiáticas e sul-americanas. O segundo motivo foi o tema geral do filme: os correios de droga, uma premissa mais do que suficiente para um bom filme dramático. O roteiro é verdadeiramente bom: em meio a uma aldeia rural na Colômbia, que depende quase por completo das grandes plantações intensivas de rosas para exportar, uma jovem chamada María, ainda menor de idade, acaba de perder o emprego e descobre que está grávida de um rapaz de quem nem sequer gosta verdadeiramente. A fim de ajudar na economia familiar (é uma grande família, maioritariamente no feminino), ela decide ir para a capital, Bogotá, procurar um emprego melhor. No caminho, todavia, acaba seduzida por Franklin, um jovem que lhe promete dinheiro fácil se aceitar ingerir cápsulas de droga e contrabandeá-las para os Estados Unidos. Com esta história, somos apresentados a uma série de problemas pertinentes, e que são quase transversais a toda a América Latina: o tráfico de drogas e a forma como pessoas inocentes, mas desesperadas, são usadas nesse negócio, por vezes com ameaças às suas famílias; a forma como menores são explorados no trabalho, e a maneira como eles aceitam isso para ajudarem os seus pais e famílias, chegando até a abandonar a escola; a desestruturação das famílias, com mães solteiras abandonadas (até menores de idade), casamentos de adolescentes e a ignorância (ou descaso) dos pais quanto à vida sexual dos filhos e à prática de sexo seguro; enfim, é o retracto social de uma América Latina pobre, dependente dos países mais ricos, e onde nem a religião consegue ajudar a manter alguma moral e valores familiares. É um cenário que eu conheço por ter amigos nesta região do mundo, e que o filme conseguiu perpassar para tela muito bem. Catalina Moreno é uma jovem actriz colombiana que gostei muito de descobrir e espero ver em mais trabalhos no futuro. Ela foi feliz ao dar vida a uma protagonista naturalmente bondosa e ingénua, e capta a nossa simpatia facilmente pela forma como se desembaraça dos problemas, com uma coragem e capacidade de iniciativa superiores à sua pouca idade. O restante elenco não faz mais do que auxiliar a actriz na sua tarefa, sendo que a única que realmente merece um louvor pelo trabalho bem feito é Yenni Paola Vega, no papel de uma amiga com quem María vai mantendo um relacionamento difícil e conturbado, mas a quem não nega ajuda. Tecnicamente, o filme é bastante bom. A cinematografia discreta aproveita o melhor do cenário e das paisagens sul-americanas, brindando-nos com boas cores e um agradável contraste. Todo o filme transpira verosimilhança, credibilidade, autenticidade, e quase nos faz esquecer que é só ficção. O filme tem uma excelente edição e o tempo de duração é breve, na medida em que nos deixa com vontade de ver mais qualquer coisa.

Fotos do título

Clique para abrir e expandir cada foto.