Singularidades de uma Rapariga Loura
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Singularidades de uma Rapariga Loura

Singularidades de uma Rapariga Loura

Tipo

Filme

Ano

2009

Duração

64 min

Status

Released

Lançamento

2009-04-30

Nota

6.1

Votos

44

Direção/Criação

Manoel de Oliveira

Orçamento

US$ 2.500.000

Receita

-

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Mais um filme português bastante académico e erudito… todavia mais tolerável do que muitos outros que já vi.** Apesar de considerar-me um patriota, reconheço que o cinema português não é particularmente bom, quando comparado ao espanhol, francês, italiano ou britânico. Simplesmente, não temos o capital e as pessoas para fazer filmes tão bons quanto os deles. Como já disse noutras resenhas que escrevi, o cinema português acaba por se focar em dois campos distintos: as comédias de mau gosto e de forte apelo popular e os filmes académicos, eruditos e não raramente intragáveis, que (quase) nunca saem do “circuito dos festivais”. O filme que nos traz aqui é uma pequena peça dirigida por Manoel de Oliveira, um decano dos cineastas que muito boa fama granjeou, mas que não me parece ter, algum dia, conseguido um reconhecimento internacional à altura do que merecia. De facto, e por muito que eu possa às vezes criticá-lo e discordar do seu estilo ou opções, Oliveira era um bom director e um homem que entendia e que vivia o cinema como muito poucos. E a prova é o facto de ele ter lançado o filme que temos aqui com a provecta idade de cem anos! O roteiro baseia-se estritamente num conto de Eça de Queirós, um dos maiores e mais notáveis escritores portugueses, e foi pensado como uma comédia romântica ligeira. Tão ligeira que não me fez rir por um único minuto! Pessoalmente, encaro-o mais como um melodrama moral. O que temos aqui é, basicamente, a paixão assolapada de um amanuense emaciado e gentil por uma jovem loira que parece tão gentil, dócil e sem personalidade quanto ele. É o arquétipo da mulher etérea, angelical e aparentemente perfeita que, no século XIX, se considerava de bom-tom. Ele vai, por vários meios, tentar fazer fortuna suficiente para o casamento, indo até contra o tio, que o tinha por empregado na casa comercial dele. O filme é razoavelmente bom. Poderia ser melhor se fosse um pouco mais animado (é suposto ser uma comédia, certo?) e se certas atitudes e maneirismos das personagens tivessem sido, de certa forma, actualizados e modernizados. Ambientado na actualidade, não se justifica como é que aquelas personagens falam e se comportam como se estivessem em 1850! Aquela questão toda em redor do leque, por exemplo, soa de modo arcaico. Qual é a jovem que, actualmente, carrega sempre consigo semelhante objecto? Outra situação que não me parece credível é toda a sequência de abertura, na viagem de comboio. Eu sei que as viagens de comboio são bastante susceptíveis de levar pessoas estranhas a começarem a conversar entre si, já passei por isso. No entanto, acho que seria mais coerente e credível, por exemplo, a personagem fazer o desabafo que precisa em meio a um bar, já depois de algumas bebidas. Soa mais actual, e mais coerente com a postura da personagem, que vive um desgosto pessoal forte. O filme conta com a participação de uma série de bons actores portugueses, com um palmarés bastante considerável no teatro, televisão e cinema. Catarina Wallenstein parece-me uma boa escolha para a personagem principal feminina. Ela era bastante jovem, e conseguiu dar um aspecto doce àquela loirinha dócil. Ricardo Trêpa, neto do director Oliveira, também não parece ter sido uma má opção para interpretar o jovem apaixonado, muito embora seja um nome algo desconhecido. Diogo Dória, Luís Miguel Cintra e Leonor Silveira dão um apoio bem-vindo. Tecnicamente, o filme aposta imenso na cinematografia. Oliveira, com um olhar atento, usa os movimentos da câmara e o enquadramento das cenas para transmitir ao público a sensação de absoluta idealização e endeusamento daquela rapariga loira, para a vermos como a via o seu pretendente. O filme foi feito em Portugal, claro, e faz bom uso dos locais de filmagem, assim como da viagem de comboio (é a segunda vez que vejo um comboio ter tanto protagonismo e visibilidade na abertura de um filme de Oliveira). Todavia, é um filme que perde bastante pelo seu ritmo morno, pela ausência de qualquer emoção, pela narrativa excessivamente pausada e pela absoluta ausência de banda sonora.

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