A Tempestade
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A Tempestade

A Tempestade

Tipo

Filme

Ano

2010

Duração

111 min

Status

Released

Lançamento

2010-09-11

Nota

5.3

Votos

132

Direção/Criação

Julie Taymor

Orçamento

US$ 20.000.000

Receita

US$ 346.594

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Próspera é traída por seu irmão e, por ser considerada uma bruxa, é exilada em uma ilha mágica junto com sua filha de quatro anos. Anos depois, Próspera provoca uma tempestade para naufragar o navio de seus inimigos e se prepara para sua vingança.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Um filme que parecia muito promissor, mas que acaba por desiludir bastante.** Tenho de dizer que nunca li _A Tempestade_ e precisei, antes de ver o filme, de ler um pouco sobre a peça original. Pessoalmente, gosto bastante das obras de William Shakespeare e já li várias das suas peças. E também já me apercebi que os defensores mais acérrimos da obra do consagrado autor são, por vezes, bastante desconfiados com as abordagens cinematográficas. Até certo ponto, eu entendo-os, mas também consigo compreender a necessidade de se fazerem adaptações, cortes ou mudanças. Talvez a mais chocante ou questionável, neste caso, seja a mudança de sexo da personagem central, que seria um homem e aqui foi interpretada muito bem por Helen Mirren. O roteiro segue, no essencial, a história que quase todos conhecerão melhor até que eu, que não li ainda o livro: Próspera, a duquesa de Milão, é expulsa dos seus senhorios pelo rei Alonso de Nápoles e pelo irmão dela, António. Acusada de feitiçaria, ela foge com a filha, Miranda, e consegue chegar a uma ilha habitada por uma criatura, Caliban. Doze anos depois, Miranda é uma jovem belíssima, em idade de casar, e o acaso volta a soprar a favor de Próspera quando os homens que a afastaram do poder embarcam num navio que ela, por artes mágicas, afunda com uma furiosa tempestade, obrigando-os a naufragar na sua ilha. O filme é agradável, mas padece de uma grande falha comum em filmes com material de teatro, particularmente adaptações shakespearianas: soa artificial e excessivamente encenado quando deveria soar de modo mais natural e realista. O cinema quer que os actores não ajam, falem ou se comportem como se estivessem num teatro. Se eu quisesse ver a peça original, eu compraria um bilhete de teatro. Compreendo o esforço da directora Julie Taymor para manter a fidelidade aos diálogos e material de origem, mas a verdade é que ela deveria ter feito as necessárias adaptações, e procurado atingir maior realismo e autenticidade, tanto através dos diálogos e material dado aos actores, como através do seu esforço pessoal, ao dirigir as cenas. Os modos afectados e diálogos complicados não se adequam a uma obra cinematográfica. Com estas notas, é fácil compreender o quanto os esforços do elenco estiveram condicionados ao material recebido. O elenco é bom, tem vários grandes actores, com provas dadas, mas não consegue dar-nos um produto final verdadeiramente bom e correspondente aos seus méritos e talentos. Como já referi, Helen Mirren é a actriz principal, no papel de Próspera. Foi um gesto arriscado, tanto dela quanto da directora Taymor, mas a verdade é que Mirren deixa um bom trabalho e mostrou estar à altura do desafio feito. Outro actor que merece destaque é Djimon Hounsou. No papel de Caliban, o actor mostrou ter uma enorme expressividade física e uma boa modulação vocal. Também Ben Whishaw nos deixa um trabalho interessante e bem feito, ainda que mais contido e fortemente suportado no CGI. O restante elenco, simplesmente, faz o que realmente tem de fazer. Pela negativa, eu destacaria Felicity Jones, pela total ausência de presença e carisma, e também Reeve Carney, açucarado e idealista demais. Tecnicamente, o filme deixa muito a desejar, sendo que em vários aspectos parece ser ainda um projecto incompleto. A cinematografia é bastante má: é incompreensível como é que não se pensou em apostar num visual mais vibrante, colorido e espectacular, onde o CGI ganhasse força adicional e as paisagens havaianas fossem melhor aproveitadas e mais impressionantes! A edição é regular, mas o ritmo do filme ainda é bastante lento e por vezes cansativo. Apesar de alguns figurinos tentarem trazer ao filme um aroma da época renascentista, o facto é que a roupa usada pelos actores não possui qualquer tipo de realismo histórico. Há muita tela verde no filme, mas os efeitos visuais e sonoros são fracos, e o CGI utilizado é amador.

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