Medo Profundo
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Medo Profundo

Medo Profundo

Tipo

Filme

Ano

2017

Duração

95 min

Status

Released

Lançamento

2017-05-18

Nota

4.1

Votos

55

Direção/Criação

Sérgio Graciano

Orçamento

US$ 535.220

Receita

US$ 199.509

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

O que era pra ser um tranquilo passeio de barco se transforma em uma luta pela sobrevivência quando um grupo de amigos mergulha no oceano, mas não consegue voltar a bordo.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Um filme com falhas e problemas, mas que, no cinema português, tem algumas novidades e originalidades dignas de menção positiva.** Já vi muitos filmes, mas não quero nunca arrogar-me a perito seja do que for. Contudo, do que eu já vi, apercebi-me de que o cinema português é bastante mais especializado em comédias e telefilmes do que em material dramático. Basta pensarmos em filmes portugueses (até mesmo em produções recentes, pondo de parte os grandes e veneráveis clássicos com Vasco Santana e outros) e provavelmente a maioria dos títulos que nos vão ocorrer são comédias. Este filme é, portanto, um estranho no meio da festa, digamos assim! Por isso, quando o decidi ver já estava curioso, mas à medida que ia vendo o filme comecei a pensar “onde é que eu já vi isto?”. Para minha surpresa, este é um remake de outro filme que tinha visto há uns anos atrás, “Open Waters 2”. Se um filme dramático é coisa incomum no cinema português, um remake de um filme estrangeiro é uma coisa que eu nunca tinha visto. O director Sérgio Graciano ousou, foi por um caminho diferente dos outros, e isso é sempre um esforço que merece ser louvado e encorajado, independentemente do resultado. E quero deixar claro que deixo aqui, ao director e à produção, um louvor especial por terem feito algo diferente. O elenco conta com actores razoavelmente conhecidos, e que fazem um trabalho muito bom, e com bastante realismo. Dânia Neto convence-nos mais quando finge ter medo de água do que quando briga com o marido por tudo e por nada. Diogo Amaral faz igualmente um trabalho de valor aqui. Lourenço Ortigão e Afonso Pimentel ficaram com duas personagens mais irritantes (o ricaço presunçoso e o palhaço do grupo) mas conseguem desembaraçar-se bem da tarefa que lhes é colocada em mãos. Dalila Carmo ficou com uma personagem menos interessante, o que não a impediu de fazer um bom trabalho. Catarina Gouveia, que tudo indicava que estaria aqui apenas para aparecer de biquíni ou sem ele (ao estilo “morena estúpida do Instagram”), também tem algumas boas cenas. Gostei em particular da cena onde a actriz entra em pânico e questiona como poderá ir morrer junto de pessoas que nem sequer conhece, longe de todos os que lhe são queridos e que verdadeiramente a conhecem. Tecnicamente, o filme tem igualmente vários pontos a seu favor que merecem uma menção: a fotografia é bastante bem conseguida, com um uso muito eficaz e inteligente da luz e da cor (o azul do céu e do mar, obviamente, é a cor dominante). As ilhas madeirenses, onde o filme foi rodado, são magnificas, um pedaço de Paraíso com a bandeira portuguesa lá espetada, e não consigo pensar em lugar melhor para um filme deste género, ainda que possa elencar diversos outros lugares eventualmente apropriados, porque temos realmente a sorte de ter um país lindo do qual muitos de nós conhecem apenas a rama. A banda sonora, bastante atmosférica, é boa e faz um trabalho inteligente. Agora, vamos falar sobre algumas coisas que eu penso que podiam ter sido melhores. Apesar de eu louvar a relativa originalidade do projecto, tenho de lamentar a falta de capacidade dos argumentistas e produtores para criar histórias boas e realmente originais em Portugal. De há uns tempos a esta parte, o cinema nacional tem vivido de remakes (de filmes nacionais) e de comédias cada vez mais idiotas, sem inteligência ou elegância. Este filme foi um passo numa nova e pertinente direcção, mas ainda é um passo tíbio. Um dos defeitos que merece crítica é o facto de, mais que um remake, ser uma cópia de “Open Waters 2”. Fazer um remake é fazer de novo uma coisa que já foi feita, mas isso não significa fazer igual, em todos os detalhes, ao que já existe. Já vi remakes (estrangeiros) onde a produção arriscou e alterou elementos da história, deu finais diferentes, tirou ou adicionou personagens… tudo isso é legítimo, pode ser feito e acrescenta algum sabor a novidade à produção. Lamento que isso não tenha sido feito aqui. Há ainda um problema que gostaria de colocar… apesar da forma crível como elenco trabalhou, eu senti por várias vezes que a equipa técnica tinha muito para melhorar, principalmente ao nível do som, do trabalho com a sonoplastia. O ruído ambiente e o ruído das ondas, muitas vezes, quase encobrem o que é dito pelos actores e há maneiras de trabalhar o som de maneira a isso não acontecer. A edição também podia ter sido melhor, com cortes mais bem colocados e uma série de erros de continuidade que não são admissíveis e precisam de ser corrigidos. E por último, mas não menos importante… há um bebé no barco. Por que motivos, durante a maioria do tempo em que eles estão na água, aqueles dois pais quase não falam sobre isso? Se fosse eu o pai, eu estaria mais preocupado com ele do que comigo. Só isso.

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