
Tipo
Filme
Ano
1993
Duração
117 min
Status
Released
Lançamento
1993-04-07
Nota
6.4
Votos
1.594
Direção/Criação
Adrian Lyne
Orçamento
US$ 38.000.000
Receita
US$ 266.614.059
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Um casal enfrentando dificuldades financeiras resolve tentar a sorte em Las Vegas, mas nada consegue. No entanto, conhecem um milionário que oferece um milhão de dólares ao marido para permitir que sua mulher vá para cama com ele por apenas uma noite. De imediato há um choque por parte do casal, mas tal proposta significava o fim dos seus problemas. Só que eles não contavam com as consequências que tal oferta traria.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Um filme que capta atenções pela polémica, mas é mais puritano do que parece.** A julgar pelo título, eu pensei que este filme seria apenas mais um dos muitos filmes de drama erótico que pulularam nos cinemas durante os anos 80 e 90, mas o que acabei por encontrar era consideravelmente melhor: dirigido por Adrian Lyne, o filme é um drama romântico que não soa excessivamente meloso e que traz uma história interessante, com a sua pitada de polémica, e um elenco de luxo. É uma poderosíssima ferramenta, o dinheiro: pode salvar um homem ou acabar-lhe com a vida, e até com a alma. Quantas pessoas não há que matam ou morrem por dinheiro, ou arruínam vidas alheias? Uns consideram-no a fonte dos pecados e maldades humanas… outros consideram-no o motor que move a Humanidade. Pode um homem comprar o amor de uma mulher, ou só a sua atenção e o seu corpo? O tema não é bem uma novidade, no cinema ou na vida real, e apesar de ainda ser polémico a verdade é que não faltam por aí maridos que achariam a proposta sedutora, seja pelo dinheiro em causa, seja pela simples tara sexual de saberem que a esposa está na cama com outro homem com a sua permissão. O director trabalha bem com a tensão dramática que vem do conflito entre personagens e consegue não deixar o filme excessivamente piegas ou chorão, ainda que haja momentos para as emoções falarem. A produção fez um esforço para dar à personagem de Redford uma imagem de poder e ostentação, criando um ambiente de luxo sem limites, sofisticação e dinheiro que escorre pelos dedos como água: temos o cenário em Las Vegas e o barco, e também as casas e os figurinos, dignos da alta costura europeia. A cinematografia aposta em cores como o dourado e branco quando Redford está presente, evocando não só o seu poder, mas também o vazio, a falta de calor humano e de amor, ao contrário do que vemos envolvendo o casal: cores vivas, vibrantes, ambientes alegres e cheios de vida e sonhos. Eles podem não ter um centavo no banco, mas têm o que mais importa: o amor construído e sólido. A edição é excelente, imprimindo movimento ao filme, sem momentos mortos. E claro, há um pouco de nudez, mas é um filme puritano considerando os temas que traz. A trama é o que sabemos: um milionário propõe a um jovem casal, que acabou de perder tudo no casino, um milhão de dólares por uma noite de sexo com a mulher. E essa acaba por ser a maior falha do filme: seja através do título escolhido ou de detalhes no seu primeiro terço, é fácil demais adivinhar o que vai ser proposto e o que vai suceder depois disso. É um filme que não traz surpresas, é previsível como uma linha recta. Além disso, há, sim, uma pieguice barata que ocasionalmente aparece para estragar tudo, especialmente quando o casalinho está a brigar pela quarta ou quinta vez consecutiva e o público só quer que eles assinem o divórcio depressa para se calarem. Afinal, foram eles que se meteram naquela confusão, ninguém os obrigou, não há como sentir pena por eles! O ponto mais forte do filme é, talvez, a soberba interpretação de Robert Redford. Este é um dos filmes que marcou a carreira dele, e foi também um grande desafio para um actor habituado a papéis muito mais benignos e simpáticos. A personagem dele aqui tinha que ter uma personalidade muito mais complexa e o actor correspondeu inteiramente. Demi Moore está igualmente em boa forma, dando-nos um trabalho cheio de ‘nuances’ e que fez muito para consagrá-la como uma das mais requisitadas actrizes dos anos 90. A maneira como ela contracena com Woody Harrelson é magnífica. Eu cheguei mesmo a duvidar se ele conseguiria dar à personagem a tónica adequada, porque convenhamos, Harrelson não é propriamente um galã, mas ele parece adequado para o que a personagem exige dele: é um homem bom com um coração bom e fragilidades óbvias. Então funciona muito bem!
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