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Filipe Manuel Neto
**Um regalo para os olhos e ouvidos.** São vários os filmes, americanos e europeus, que visam o reinado do rei francês Luís XIV, "O Rei Sol". É sem dúvida um período que faz os cineastas sonharem, graças a todo o explendor e magnificência da corte francesa. Mas, para compreender bem este filme, é preciso ter alguns conhecimentos sobre a corte, sobre a música deste período e sobre as personagens que vão aparecendo. De facto, a corte francesa era um pólo cultural nesta época, graças ao papel do rei como mecenas e protector de inúmeros artistas e escritores. O foco do filme é a figura de Giovanni Battista Lulli, um italiano que se naturalizou francês quando foi trabalhar para a corte e adoptou todos os hábitos do seu país de acolhimento, ao ponto de afrancesar o seu nome para Jean-Baptiste Luly. Viria a tornar-se um dos mais notáveis compositores do seu tempo. Inicialmente focado na dança, compôs diversos ballets e números de dança para a corte, onde envolvia o próprio rei, que era um dançarino hábil e orgulhoso na juventude. No entanto, com a passagem do tempo, o interesse do rei pela dança diminuiu e Lully passou a dedicar-se ao teatro, compondo a música para as peças mais populares de Moliére. Também se dedicou à ópera, obtendo por concessão régia o controlo da a música de palco na França até morrer, vítima da gangrena que consumiu as suas carnes após se ferir acidentalmente num pé com o bastão aguçado que usava para dirigia uma orquestra durante um Te Deum. Apresentado pelo filme como um homem obcecado pelo seu trabalho e pela arte do ballet, que procurava o quanto podia estar nas boas graças do rei, Lully foi, de facto, um libertino e pode ter sido bissexual. Além de Lully, do próprio rei e de Moliére, o filme apresenta diversas outras personagens históricas, como o Príncipe de Conti, Colbert, Louise de La Valiere, o Cardeal Mazarino e a rainha mãe, Ana de Áustria. Benoit Magimel foi um Luís XIV bastante competente, e creio que soube captar o essencial da personalidade do monarca, além de ter dançado bem. Moliére foi interpretado por Tchéky Karyo, um actor que não conheço mas que esteve brilhante e fez um excelente trabalho. O filme mostra bem a colaboração e, depois, o conflito entre Moliére e Lully. E, tal como sucedeu na vida real, também aqui Moliére morreu no palco (bem, na verdade ele nao morreu no palco, apenas desmaiou para morrer horas depois, mas isso são detalhes). Colette Emmanuelle também me pareceu excelente no papel da austera e devota rainha-mãe de França. Sendo um filme em pleno período barroco, usa e abusa do charme dos figurinos barrocos, cheios de detalhes, perucas, rendas e espadas, bem como de excelentes cenários, nos castelos e palácios franceses da época. Claro, como é também um filme profundamente ligado à música, estão bem presentes algumas das passagens mais conhecidas da música de Lully. Um filme que é, sem dúvida, um regalo para os olhos e ouvidos.
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