
Bonnie e Clyde: Uma Rajada de Balas
Eles são jovens... estão apaixonados e... matam pessoas.
Tipo
Filme
Ano
1967
Duração
111 min
Status
Released
Lançamento
1967-08-13
Nota
7.5
Votos
1.776
Direção/Criação
Arthur Penn
Orçamento
US$ 2.500.000
Receita
US$ 70.000.000
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Durante a Grande Depressão, Bonnie Parker conhece Clyde Barrow, um ex-presidiário que foi solto por bom comportamento, quando este tenta roubar o carro de sua mãe. Atraída pelo rapaz, ela o acompanha. Ambos iniciam uma carreira de crimes, assaltando bancos e roubando automóveis.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Um clássico esquecido, que ajudou a construir um mito ao invés de contar uma história real.** Este filme é considerado um clássico porque é muito realista e violento. É um daqueles filmes obrigatórios para os estudantes de cinema, para os cinéfilos, para os críticos especializados. No entanto, é um filme largamente esquecido pelo público geral, e que raramente passa na TV, até nos canais da especialidade. Dirigido por Arthur Penn, o filme aborda a trajectória criminal de Bonnie Elizabeth Parker, uma jovem casada, e do seu amante Clyde Chestnut Barrow. Na vida real, eles tiveram uma existência curta, em meados da década de 30, mas calcorrearam boa parte do Midwest Americano, onde assaltaram bancos, lojas de conveniência e postos de gasolina, etc., num total que supera os cem assaltos e onde cerca de vinte pessoas foram mortas (tal como o filme mostra, eles evitavam a violência gratuita e preferiam evitar confrontos e tiroteios). O filme não perde tempo e, logo nos primeiros minutos, revela-nos a forma súbita, até mesmo inverosímil, com que ambos se conhecem e apaixonam. Porém, um dos problemas do filme é realmente continuar a criar mitos em torno dos bandidos, da mesma maneira que a imprensa da época o fizera. Eles são charmosos, são carismáticos, são quase heróis, e não parece haver nada de mal em assaltar bancos neste filme. Para tornar tudo ainda mais dúbio, a produção escolheu para os protagonistas dois belíssimos actores, que nada se assemelham aos verdadeiros bandidos. Realmente, o filme conta uma história agradável, no entanto, não é historicamente rigoroso, nem tampouco faz o relato fiel do que eles fizeram. O elenco é liderado por dois bons actores: a bela e loira Faye Dunaway é muito boa, carismática e elegante, e faz neste filme um dos trabalhos que a imortalizaram enquanto actriz, e o mesmo se pode dizer de Warren Beatty, que deu vida a Clyde, com empenho, profissionalismo, energia e entrega. De facto, o trabalho dos dois actores é impecável, e a forma como contracenaram, e a química intensa que emana do trabalho de ambos quando estão juntos, é algo poderoso. Eles dão-nos uma visão idealizada dos bandidos? Sim… mas são extremamente competentes para a tarefa e estão a fazer aquilo que lhes foi pedido. O filme conta ainda com as participações de Michael Pollard, Gene Hackman e Denver Pyle, todos eles adições de grande qualidade e que se empenharam muito nas suas personagens. Para mim, só Estelle Parsons estraga o cenário com a sua personagem histriónica e irritante, sempre aos gritos, ou a chorar como uma Madalena arrependida. Sinceramente, não consigo compreender como diabos ela ganhou o Óscar com este filme! Tecnicamente, é um filme com vários aspectos interessantes a considerar, começando logo por uma excelente cinematografia, carregada de realismo, sem embelezamentos excessivos e sem artifícios exagerados. Os cenários são bons, estão dentro do que eu esperava encontrar; adorei os automóveis usados no filme, e a maneira como o filme os aproveita e utiliza. Da mesma forma que gostei igualmente das paisagens utilizadas, que nos mostram uma visão árida e desolada do Midwest Americano, assolado não só pelas dificuldades da Grande Depressão como também por uma grave seca, o “Dust Bowl”. Os efeitos visuais, especiais e sonoros funcionam muito bem, particularmente nas cenas de acção, e aquela cena da destruição do carro dos bandidos a tiro é verdadeiramente antológica. A única coisa que não gostei, embora compreenda e considere que se encaixa bem no filme, da maneira como ele foi pensado e executado, é a banda-sonora, com todos aqueles solos de banjo.
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