O Farol
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O Farol

O Farol

Há um encanto na luz.

Tipo

Filme

Ano

2019

Duração

110 min

Status

Released

Lançamento

2019-10-18

Nota

7.5

Votos

5.472

Direção/Criação

Robert Eggers

Orçamento

US$ 11.000.000

Receita

US$ 18.262.464

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Início do século XX. Thomas Wake, responsável pelo farol de uma ilha isolada, contrata o jovem Ephraim Winslow para substituir o ajudante anterior e colaborar nas tarefas diárias. No entanto, o acesso ao farol é mantido fechado ao novato, que se torna cada vez mais curioso com este espaço privado. Enquanto os dois homens se conhecem e se provocam, Ephraim fica obcecado em descobrir o que acontece naquele espaço fechado, ao mesmo tempo em que fenômenos estranhos começam a acontecer ao seu redor.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Um filme tenso e perturbador de que poucos irão verdadeiramente gostar.** Este foi o segundo filme longa-metragem da carreira do director Robert Eggers, que ainda é relativamente jovem, mas está a mostrar um extraordinário talento para filmes densos e com várias camadas de interpretação, e para um estilo de terror à japonesa, onde a tensão é permanente e o filme sugere mais do que mostra. Para o público comum das pipocas, é um tipo de terror que interessa muito pouco, mas que tem feito as minhas delícias, e as de outros que procuram uma experiência de terror mais refinada e psicológica. Portanto, apesar de eu recomendar vivamente este filme, compreenderei perfeitamente, sem julgar ou censurar, aqueles que me disserem que é um filme insuportavelmente lento e tedioso. A história começa com a chegada de dois faroleiros a um farol muito isolado, construído numa ilhota rochosa ao largo da costa da Nova Inglaterra. Eles vão, como habitualmente, render outros dois faroleiros com quem se devem revezar, em turnos mensais. O local não é hospitaleiro: quase não há vegetação e, com excepção do farol, não há outra construção na ilha, totalmente deserta. A água também é escassa, está reduzida a uma cisterna, e toda a alimentação depende exclusivamente do que eles conseguirem pescar e das provisões que trouxerem do continente. Assim, durante trinta dias, pelo menos, não irão ver mais ninguém e toda a rotina diária se concentrará na manutenção do farol e da sua lâmpada. O roteiro, ambientado no fim do século XIX, é muito hábil a sugerir-nos quão difícil pode ser a convivência entre dois homens que pouco têm em comum a partir do momento em que ficam sozinhos e longe do resto do mundo. O filme usa vários recursos (o preto-e-branco de alto contraste, um uso inteligente da sombra, a imagem praticamente quadrada, ângulos em plano holandês…) para acentuar essa claustrofobia e desconforto enormes. A partir de certo ponto, nós começamos a duvidar do que as personagens dizem e vêem, à medida que a sua sanidade parece esvair-se (e, na verdade, os faroleiros adquiriram fama de se tornarem depressivos ou maníacos com o passar do tempo de serviço, isso é algo historicamente comprovável), e o filme adquire a estética do expressionismo alemão. Há várias cenas bastante editadas aqui, para indicar os sonhos e os delírios das personagens. Tratando-se de um filme fortemente imersivo, demora o seu tempo para se abrir e tenta ao máximo introduzir-nos naquela rotina diária dos faroleiros, tornando-nos, também, nos guardiães daquele lugar isolado. O director quis que nós entrássemos na pele daqueles dois homens antes de nos fazer duvidar de tudo o que vemos e ouvimos, da mesma forma que eles. É um filme desagradável, intenso e assustador, onde há também espaço para o onírico e o sobrenatural: é bastante evidente que, para além dos relatos históricos acerca dos faroleiros antigos, Eggers também foi beber inspiração à mitologia greco-romana e à superstição e tradições do mundo marinheiro. Assim, temos aqui sereias, tritões, alusões a Poseidon, Prometeu e Proteu, e o filme deixa muito em aberto o que é verdade ou ilusão, de maneira a que sejamos nós, individualmente, a decidir em que queremos acreditar. Willem Dafoe é um actor que já nos mostrou que não tem medo de papéis desafiantes ou que exijam algo mais. Este filme é apenas mais uma tour de force numa carreira rica em grandes trabalhos e personagens que muitos outros actores se recusariam a fazer, mas não é por isso que Dafoe merece uma ovação menos intensa pelo seu esforço aqui. Ele tornou-se um faroleiro, indo um passo além da representação pura e simples. Mas a surpresa do filme foi Robert Pattinson, um actor que eu critiquei de modo bastante negativo na saga “Twillight”, mas que finalmente amadureceu e está a mostrar o talento que tem, com toda uma nova expressividade que eu desconhecia nele, e que me apraz ver.

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