Ladrões de Bicicleta
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Ladrões de Bicicleta

Ladrões de Bicicleta

O triunfo que eles querem censurar

Tipo

Filme

Ano

1948

Duração

90 min

Status

Released

Lançamento

1948-07-21

Nota

8.2

Votos

2.630

Direção/Criação

Vittorio De Sica

Orçamento

US$ 133.000

Receita

US$ 450.159

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Desempregado Antonio Ricci (Lamberto Maggiorani) está eufórico quando finalmente encontra trabalho colocando cartazes pela cidade de Roma, destruída pela guerra. Sua esposa Maria (Lianella Carell), vende os lençóis da família para resgatar a bicicleta de Antonio da loja de penhor, para que ele possa aceitar o trabalho. Porém, o desastre ataca, quando a bicicleta de Antonio é roubada. (e 10 - Estimado 10 Anos)

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Reviews

Total: 2

Marte

_Atenção! Contém spoilers substanciais. Prossiga com cautela._ Ladrões de Bicicleta é um filme em que não acontece nada, e acontece muita coisa ao mesmo tempo. Em menos de 2 dias acompanhando os personagens, conseguimos sentir seu desespero perante a fome e a pobreza, com a esperança literalmente roubada por outra pessoa que passa fome e pena com a pobreza. Como vi em outra resenha fora daqui, o filme "é sobre pais e filhos, sobre como os pobres roubam-se entre si porque outras pessoas roubam deles todos". Durante a busca pela bicicleta, eu não fiquei TÃO engajada, mas o final recuperou meu engajamento completamente, e a atuação de Enzo Staiola, com apenas 9 anos, brilha na cena. Você tem vontade de pegar Bruno, levar pra casa e dizer que vai ficar tudo bem (ainda que não vá). A cena dele comendo o lanche de mussarela, dividido entre o prazer, a culpa e a vergonha, enquanto se vê incapaz de usar talheres como o garoto rico da mesa ao lado, resume todo o filme e a humilhação da pobreza extrema. Em resumo, roubando (rs) a resenha de outra pessoa na rede ao lado, "(...) o protagonista termina sua jornada da mesma maneira que começou. Porém, agora vai carregar pelo resto de sua vida a vergonha de saber que seu filho assistiu seu ato de desespero."

Filipe Manuel Neto

**Um dos filmes mais aclamados de Vittorio De Sica, cheio de preocupações sociais fortes, é um filme simples, mas que não pode ser analisado de modo simplista.** Quando se fala no neo-realismo italiano é impossível não falar neste filme. Além de ser o epítome deste género cinematográfico, profundamente socialista na sua abordagem dos problemas mais prementes das classes laborais e no compromisso, declarado, de mostrar a realidade nua das pessoas comuns, o filme é impactante pela maneira quase jornalística com que nos mostra as angústias e incertezas de uma chusma humana de pessoas pobres, em meio a um país devastado pela guerra e em profunda reconstrução (tanto física quanto mental e psicológica). Ver este filme é mergulhar nas preocupações destas pessoas, e num tempo em que o simples roubo de uma bicicleta podia de facto condenar uma família à fome e à miséria. Não vou discutir se este é o melhor filme de Vittorio De Sica. Isso é um debate académico para os grandes críticos profissionais e para os estudiosos do cinema, e eu não sou nada disso. Limito-me à minha insignificância afirmando que este é, indubitavelmente, um dos trabalhos mais reconhecidos e aclamados do cineasta, e um dos filmes italianos de maior projecção internacional de sempre. Para isso contribuiu, claro, o facto de ter ganho, nesse longínquo ano de 1950, o BAFTA para Melhor Filme, o Golden Globe Award de Melhor Filme Estrangeiro e um Óscar especial, numa altura em que a Academia de Hollywood ainda não tinha um prémio para o melhor filme de produção estrangeira. Não irei, também, falar muito do enredo: é uma história bastante simples e, por isso, sinto que falar demais irá revelar demasiado sobre a trama e eu nunca gostei de fazer “spoil”. O que quero dizer é isto: recomendo que cada um veja o filme, e também outros do mesmo cineasta, pois a simplicidade aparente desta e doutras histórias dos seus filmes não nos dão margem para uma abordagem simplista ou para a mera indiferença. Num tempo em que sentimos que os valores de humanismo, de altruísmo, de generosidade, de compaixão e comprometimento social parecem estar ameaçados ou condenados a um wokismo vão, que apenas os canibaliza, vale a pena voltar a rever estes trabalhos, pois apesar de o tempo ter passado e as coisas, hoje, serem felizmente diferentes, muitas das suas preocupações e anseios permanecem actuais na vida de imensas pessoas mundo afora. Além do recurso a actores realistas e credíveis, De Sica aposta fortemente na construção das personagens e da tensão dramática. Estabelecendo rapidamente a psicologia, tanto do pai quanto do seu filho pequeno, o director oferece-nos duas pessoas com as quais somos capazes de criar um laço empático, e depois obriga-nos a sofrer com elas, e por elas, até ao final pungente e angustiante, que nos deixa sem respostas. Barato de fazer e simples de executar, De Sica faz uma omelete refinada com poucos ovos: a fotografia é notável e os cenários e figurinos carecem de grande preparação, como se a produção tivesse, pura e simplesmente, saído para as ruas e filmado tudo enquanto as pessoas passavam ao seu redor, imersas nas suas vidas e no seu quotidiano. Funciona muito bem, e a banda sonora de Alessandro Cicognini aumenta largamente a tensão e a profundidade dramática sempre que tal se torna necessário.

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