Orquídea Selvagem
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Orquídea Selvagem

Orquídea Selvagem

Uma aventura para os sentidos.

Tipo

Filme

Ano

1989

Duração

112 min

Status

Released

Lançamento

1989-12-22

Nota

5.3

Votos

298

Direção/Criação

Zalman King

Orçamento

US$ 7.000.000

Receita

US$ 11.060.485

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Para comprar um resort Claudia Dennis (Jacqueline Bisset) viaja para o Rio de Janeiro com Emily Reed (Carré Otis), uma jovem advogada recém-contratada que é vulnerável e inocente. Ao chegar Emily se envolve com um milionário, James Wheeler (Mickey Rourke), que tem um estilo de vida incomum.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Brutalidade e intimidação sexual numa cidade que, para os EUA, é sinónimo de luxúria.** Decidi ver este filme, em boa parte, por acaso. Estava prestes a começar num canal de TV que costuma passar bons filmes, e simplesmente reclinei-me a ver, sem saber o que esperar. Faço isso muitas vezes. O filme é um softcore inchado dos finais dos anos 80, com Mickey Rourke no papel principal (pasme-se!) e uma história ambientada no Brasil que, convenientemente, é um dos países mais hipersexualizados do mundo, alvo habitual dos turistas sexuais e do tráfico de mulheres para a prostituição noutros países. A direcção ficou a cargo de Zalman King, que tem alguma apetência por filmes de forte temática erótica. O filme começa com uma premissa intrigante: uma jovem e inexperiente advogada de uma firma norte-americana tem de acompanhar a sua chefe ao Rio de Janeiro para se acertar um negócio imobiliário importante. No entanto, a pressão de concorrentes do Sudeste Asiático leva a que ambas se separem e força o encontro entre a advogada e um misterioso milionário que é parte interessada no negócio em questão. Todavia, ele interessa-se mais por ela do que pelo negócio em si, e decide começar a brincar com a mente e os instintos da jovem, aparentemente apenas para o seu prazer pessoal. Tecnicamente, o filme apresenta certo esmero mediante uma fotografia que utiliza o melhor dos cenários tropicais, do sol e da praia, e que sabe como mover a câmara da melhor maneira para explorar os ângulos mais apetecíveis e enriquecedores. A banda sonora não é um ponto forte, mas faz o seu trabalho de modo eficaz e cumpre com o seu papel, tal como os efeitos visuais e sonoros. Os cenários, figurinos e adereços são adequados para o que se propõe, em especial o hotel abandonado, que não só é cenário regular das divagações da personagem principal como também é o centro do negócio que ela veio tratar ao Brasil. Há um esforço para tentar retratar a riqueza por meio de limusinas, jantares elaborados e roupas aparentemente caras, mas tudo nos parece mero capricho de novo-rico, o que não é propriamente um defeito, mas apenas uma questão de gosto pessoal. Os valores de produção fazem o que podem para nos oferecer um filme bonito, elegante, e cumprem esse objectivo. O maior problema do filme é o seu roteiro, que nos traz uma história cheia de buracos, largamente insuflada, que nunca se torna crível, e personagens clichés orientadas de maneira que o filme nunca fique mais de quinze minutos sem uma cena quente para apresentar a um público maioritariamente masculino (ainda que este filme represente, de modo simples, uma fantasia comum entre mulheres que têm de viajar a trabalho). O ambiente é o que esperamos de um filme que se esforça por mostrar o lado mais sensual de uma cidade que, para a mentalidade americana, é sinónimo de sexo fácil e gratuito. Há vários momentos de puro non-sense surreal, como toda a sequência do casal de alemães. Não há refinamento, há muita roupa rasgada e alguma dose de brutalidade crua, muito sexo, desejo e excitação, mas nenhum tipo de carinho ou jogo amoroso. Carré Otis e Jacqueline Bisset são as personagens femininas mais centrais da trama. Ambas são elegantes, até podemos dizer que são bonitas, especialmente Otis, mas a qualidade da interpretação dramática é duvidosa. Bisset desaparece durante uma boa parte do filme e as coisas não ficam melhores quando a personagem dela volta, mais devassa do que uma felina no cio, para se juntar à “festa” sem acrescentar muito ao enredo que, supostamente, devia ser o foco do filme. Otis não é uma boa actriz, tem uma absoluta falta de personalidade em cena, parece constantemente ofegante e sem outra expressão facial além das que mostram constrangimento, vergonha ou receio. Outro detalhe a ter em conta é que a personagem dela nunca nos mostra qualquer tipo de mérito profissional que justifique a sua ida ao Brasil numa situação que parece tão importante para os seus patrões. Já Mickey Rourke foi um erro de casting: ele é bastante convincente em personagens de acção ou ‘suspense’, mas não tem qualquer atractivo sexual, é feio, não tem qualquer bom gosto estético e torna a personagem dele num ‘stalker’ irritante que intimida e atemoriza a sua presa ao invés de a seduzir.

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