Convenção das Bruxas
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Convenção das Bruxas

Convenção das Bruxas

As bruxas existem!

Tipo

Filme

Ano

2020

Duração

104 min

Status

Released

Lançamento

2020-10-26

Nota

6.3

Votos

2.964

Direção/Criação

Robert Zemeckis

Orçamento

-

Receita

US$ 29.303.571

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

O remake de Convenção das Bruxas, clássico de fantasia dos anos 1990, acompanha um garoto de sete anos que se depara com uma conferência de bruxas em um hotel. Lá, ele acaba descobrindo que um grupo de bruxas está fazendo uma convenção, pretendendo transformar todas as crianças do mundo em ratos.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Um filme decente com uma história bastante adulta e pouco adequada para crianças.** Pessoalmente, eu não gosto da literatura de Roald Dahl. Sempre a achei excessivamente adulta e só adequada para idades acima de dez ou doze anos. Quem vir alguma adaptação cinematográfica destes livros entenderá o porquê: a narrativa é quase comparável ao terror ligeiro, é pesada demais. Sem falar que o próprio escritor era polémico e não deixou um legado sereno. Ele era um inveterado anti-semita, e se isso hoje em dia quase está na moda por culpa do actual governo de Israel, que merece todas as críticas que se possam fazer (esse governo, não o povo judeu em si), tal não ofusca o facto de que Roald Dahl era, sim, um homúnculo ríspido de língua viperina que podia ter guardado os pensamentos para si. O filme é uma adaptação de uma história do autor sobre bruxas, onde um jovem rapaz vai tentar travar os planos da bruxa mais poderosa do mundo para eliminar todas as crianças transformando-as em ratinhos. A história conheceu já uma adaptação cinematográfica em 1990, que me parece até mais fiel ao material original que esta. Isso motivou um coro de críticas sobre como o filme é desnecessário porque já existe outro, mas não é corriqueiro ver o cinema refazer-se a si próprio? Desde quando se deixou de se fazer um filme pelo simples motivo de já existir outro idêntico? Não me parece que isso seja assunto a discutir. O que importa verdadeiramente é se o filme vale a pena o preço do bilhete ou não. O filme foi dirigido por Robert Zemeckis, uma boa escolha: ele tem uma carreira com este material (“Death Becomes Her”, “Who Framed Roger Rabitt” ou até “Polar Express” e “A Christmas Carol”). Na verdade, este filme bebeu muita inspiração aos dois primeiros filmes que citei. Para escrever o argumento, ele contou com a cooperação de Guillermo del Toro, outro director cujo talento dispensa apresentações. Tudo isto são qualidades e boas escolhas, e não há dúvidas de que o filme beneficiou com isso. Está cheio de CGI, de facto, até porque Del Toro usa muito este recurso e nós podemos ver o toque dele em toda a estética do filme, da concepção dos figurinos e cenários até à cinematografia e à forma como cor e luz foram tratadas. Comparem o visual deste filme com “The Shape of Water” ou “Pan’s Labirinth” e verifiquem! É grotesco? É… mas Roald Dahl aprovaria. Desta vez, a acção decorre no Alabama, e eu não fiquei chocado por a história passar do Reino Unido para o Sul dos EUA, e logo numa época de preconceitos raciais tão vincados. Penso que foi a forma encontrada por Del Toro e Zemeckis para lidar com a grande carga anti-semita velada o livro original, a qual já levou à sua remoção de bibliotecas públicas por pessoas estúpidas que não entendem que os livros pertencem à mentalidade do tempo em que foram escritos. Transportando a história para um ambiente onde podiam abordar o racismo de modo explícito, os produtores incluíram-no no roteiro com alguns toques de crítica social… afinal, os heróis da história são afro-americanos. A nível do elenco, atrevo-me a dizer que a grande força aqui vem de Anne Hathaway. Ela está irritantemente histriónica, mas a forma como a personagem foi pensada aqui pedia isso e a actriz teve a sensatez de corresponder. A interpretação dela foi auxiliada por uma dose pesada de maquilhagem e outros efeitos, mas penso que isso não retira o mérito à actriz e ao trabalho que desenvolveu. Não será nunca uma das obras da vida dela, mas é um trabalho que não a deve envergonhar. O mesmo se pode dizer de Octavia Spencer. A actriz está longe de ser uma das minhas preferidas, sempre a considerei unidimensional e pouco versátil, ainda que simpática, e a sensação que fica é que Spencer viver a interpretar a mesma personagem filme após filme. Então, o trabalho dela neste filme está bem, mas podiam ter sido consideradas outras opções, como, por exemplo, Whoopi Goldberg, uma actriz que seguramente poderia injectar uma vida diferente na personagem. Jahzir Bruno deu vida ao menino protagonista da história, e ele cumpre o seu papel sem deméritos. Já Chris Rock providenciou uma narração muito boa e Stanley Tucci, excelente como alívio cómico, foi uma óptima adição ao elenco ainda que o actor pudesse ter mostrado mais o seu talento com uma ou duas cenas adicionais. Vale este filme o dinheiro do nosso bolso? Eu penso que sim. Não é um filme notável ou que vá ficar na memória de ninguém, é apenas um bom pedaço de entretenimento feito por pessoas competentes para o nosso lazer e ócio. Qualquer comparação com a versão de 1990 é um desfavor a ambos os filmes, pois ambos possuem as suas qualidades. Então, por que não?

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