Garganta Profunda
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Garganta Profunda

Garganta Profunda

Tipo

Filme

Ano

1972

Duração

72 min

Status

Released

Lançamento

1972-06-12

Nota

5.3

Votos

167

Direção/Criação

Gerard Damiano

Orçamento

US$ 25.000

Receita

US$ 100.000.000

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Uma mulher insatisfeita com sua sexualidade por não conseguir ter orgasmos procura um terapeuta que faz uma descoberta impressionante: a mulher possui o clitóris na garganta e somente sexo oral pode lhe trazer prazer. Filme responsável por descriminalizar o gênero pornô nos Estados Unidos e abrir as portas do gênero nos anos seguintes.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Como filme, não tem qualidade alguma. Porém, teve um impacto tão forte na época que ainda estamos aqui a falar sobre ele.** Em primeiro lugar, preciso de fazer uma nota sobre a minha crítica a este filme: eu não sou um consumidor de material pornográfico e até acredito que a indústria pornográfica devia ser regulada com maior severidade, para protecção dos envolvidos e para controlo do que pode ser exibido e dos meios em que isso pode ser feito. Chamem-me moralista se preferirem. O que me levou a ver este filme foi o impacto fortíssimo que teve na época em que foi feito. Eu queria ver se justificava realmente o “hype” que criou e a importância cultural que muitos lhe reconhecem, e devo concluir que, se a importância cultural e social é inegável (afinal, foi o primeiro filme pornográfico a conquistar o espaço dos cinemas normais e a ter direito a escaparates), a qualidade da produção em si deixa muito a desejar. Não me vou tecer em considerações sobre o enredo, quem quiser realmente saber do que se trata deve simplesmente perder a timidez e ver o filme, seja na versão original, seja na versão censurada. O que realmente merece destaque é o simples facto de o filme ter um enredo, coisa inédita. Até aqui, os filmes pornográficos eram poucos e assemelhavam-se aos vídeos caseiros de celebridades que, por vezes, escoam para a imprensa e provocam dores de cabeça às pessoas que estão lá. A partir de “Garganta Funda” nasce uma indústria e surgem outras produções com direito a trama, ainda que na esmagadora maioria dos casos (incluindo este mesmo filme!) essa trama não seja mais que uma desculpa para as cenas de sexo explícito. Tecnicamente, nada me chamou a atenção. Não há um investimento em cenários ou numa produção de qualidade. O filme poderia ter sido filmado na casa de qualquer um daqueles actores e parece extremamente barato. E não há qualquer cuidado com a cinematografia: a câmara tenta posicionar-se onde tiver espaço, sem preocupações com o enquadramento, a cor, a luz ou a nitidez da imagem. As cenas de sexo são, basicamente, aquilo que se imagina. Obviamente, são muito editadas e os sucessivos e incómodos cortes pareceram-me excessivos, fruto de um trabalho muito amador na pós-produção. O filme marca o ponto alto da carreira de Linda Lovelace, a primeira superestrela porno e uma das figuras mais marcantes da era de ouro da indústria. As qualidades dela enquanto actriz são paupérrimas, mas o filme, pela sua natureza, não exige que ela represente. Todo o filme é, porém, uma farsa se dermos crédito às palavras da própria Lovelace, anos mais tarde, quando denunciou os abusos que alegadamente sofreu na produção, onde terá sido forçada e praticamente violada diante da câmara. Pessoalmente, dou crédito ao que disse a ex-estrela porno, principalmente se considerarmos o machismo dominante na época e a ausência de qualquer regulação legal ou moral sobre este material. De resto, ela é a única actriz que se destaca aqui. O filme foi um sucesso tremendo e a produção arrecadou fortunas. Há quem diga até que a máfia aproveitou a oportunidade da forma que mais lhe conveio. Para a posteridade, no entanto, ficou o forte impacto social que o filme teve, e que lhe confere uma importância que, de outra forma, nunca teria direito a almejar.

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