As Vinhas da Ira
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As Vinhas da Ira

As Vinhas da Ira

Os Joads saem direto das páginas do romance que chocou milhões!

Tipo

Filme

Ano

1940

Duração

129 min

Status

Released

Lançamento

1940-03-15

Nota

7.8

Votos

1.087

Direção/Criação

John Ford

Orçamento

US$ 800.000

Receita

US$ 1.591.000

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Tom, filho mais velho de uma pobre família de trabalhadores rurais, retorna para casa após cumprir pena por homicídio involuntário. Ele planeja levar os parentes até a Califórnia, onde dizem que trabalho não falta. Durante a viagem eles passam por diversos tipos de provações e quando finalmente chegam na "Terra Prometida" descobrem que é um lugar bem pior do que aquele que deixaram.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Um dos melhores filmes dramáticos de sempre, controverso ontem e hoje, assim como o livro que lhe deu origem.** Quando John Steinbeck publicou o livro “As Vinhas da Ira”, acredito que sabia que seria amado e odiado. O livro não receia expor as feridas do capitalismo individualista e dar voz às dores dos injustiçados da sociedade, que são aqueles que nada têm e, por isso, nada significam. As vítimas do Dust Bowl, fenómeno climatérico causado por anos de seca nas pradarias do Midwest, onde um século de cultivos intensivos empobreceu o solo de forma crítica, não sofrem devido à fatalidade, são mártires que trabalharam a vida toda em terras que lhes pertenciam (corporizando o slogan comunista “a terra para quem a trabalha”) e foram abandonadas pelo sistema capitalista, expulsas para cidades onde são escravizadas (não há outro termo) e vistas como vagabundos, úteis apenas para trabalhos mal pagos. Em resumo, eles simbolizam todas as vítimas do sistema capitalista, detestável aos olhos de Steinbeck, um assumido marxista (chega a mencionar Marx e Lenine no livro). John Ford, um conservador católico e democrata, condoeu-se com o retrato e arriscou fazer um filme que podia ser visto como uma apologia do socialismo. Não sendo eu um especialista em história dos EUA, não vou debruçar-me sobre a questão do rigor histórico. Não me parece importante esmiuçar aqui se Steinbeck fez ou não um relato fiel das vidas dos desterrados do Dust Bowl, ou se quis apenas fazer um manifesto sociopolítico num momento sensível. O que parece inequívoco é o efeito que o livro teve em Darryl F. Zanuck, o produtor que quis fazer o filme e chamou John Ford para o ajudar. Também Henry Fonda acreditou no projecto, vendo aqui um papel que podia definir a sua carreira. Não se enganou: o filme deu-lhe uma das nomeações ao Óscar de Melhor Actor, na cerimónia de 1940. Contudo, a produção teve de rever o material-fonte e retirar muita da sua carga política: não estavam interessados em fazer política. Isso explica por que razão o filme difere tanto do livro a partir do meio, isso e o desejo por finais felizes, afinal isto ainda é Hollywood. Curiosa, contudo, é a reacção das autoridades soviéticas, cujos censores aprovaram o filme até perceberem que o mais pobre dos americanos podia ter automóvel, coisa impensável no império do medo governado por Estaline. O filme segue a viagem dos Joad’s, uma família de lavradores arrendatários do Oklahoma, após perderem a sua casa e resolverem ir para a Califórnia, onde acreditavam haver mais oportunidades de trabalho. No entanto, concentra-se mais especificamente em Tom e Ma, personagens que carregam às costas o dever moral de manter o clã unido. Um representa o homem, o patriarca (apesar de o seu pai o ser nominalmente, não tinha já a força anímica para a tarefa), e a outra é a mãe, a cuidadora. Há muitas pessoas perdidas e desgastadas: por exemplo, pregador que perde a fé perante as adversidades ou Rosasharn, abandonada grávida pelo marido logo após chegarem à Califórnia. A cinematografia a preto-e-branco ajuda muito para acentuar o drama (não consigo imaginar o filme em tecnicolor), como se o mundo se tornasse cinzento e o sol dourado da Califórnia perdesse o fulgor aos olhos deles. A produção usou efeitos práticos muito bem feitos para trabalhar a luz, para recriar os cenários caóticos dos bairros de tendas e tornar tudo mais agreste. A banda sonora de Alfred Newman dá-nos uma tónica emotiva profundamente bem-vinda. O elenco é excelente e traz-nos alguns nomes significativos. Uns funcionaram melhor do que outros, mas, no cômputo geral, o elenco faz maravilhas pelo filme. John Carradine é talvez o mais deslocado, numa interpretação algo errática que exigiu muitas orientações irritadas do director Ford; Dorris Bowdon faz o que pode, mas o filme quase não lhe dá o tempo necessário para uma interpretação marcante; Frank Darien poderia dizer quase a mesma coisa; Grant Mitchell faz um papel curto, mas bem feito e muito elegante, assim como Zeffie Tilbury. Todos os olhos, contudo, vão para a poderosa interpretação feita por Jane Darwell e por Henry Fonda, cada um à sua maneira. As cenas onde ambos aparecem e contactam são impressionantes pelo realismo e pela humanidade que perpassa para nós. Darwell deixou-nos aqui o papel mais marcante da sua carreira. Quanto a Fonda, voltará a alavancar a carreira após a Segunda Guerra Mundial, na qual foi combater, mas sempre seria lembrado por este papel.

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