
Tipo
Filme
Ano
2013
Duração
130 min
Status
Released
Lançamento
2013-03-07
Nota
5.9
Votos
6.761
Direção/Criação
Sam Raimi
Orçamento
US$ 200.000.000
Receita
US$ 491.868.548
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Quando Oscar Diggs é levado para a vibrante Terra de Oz, ele acha que ganhou a sorte grande — até encontrar três bruxas, que não estão convencidas de que ele é o grande mágico por quem todos esperam. Relutantemente envolvido nos problemas épicos que a Terra de Oz e seus habitantes enfrentam, Oscar precisa descobrir quem é bom e quem é mau antes que seja tarde demais. Utilizando suas artes mágicas através de ilusão, engenhosidade e até de um pouco de feitiçaria, Oscar se transforma não apenas no grande Mágico, mas em um homem melhor também.
Elenco principal
Reviews
Total: 2
Filipe Manuel Neto
**Oz perdeu grande parte da sua magia num filme que, apesar das falhas gritantes, ainda é digerível.** Este filme, concebido como uma prequela do famoso "O Feiticeiro de Oz" de 1939, mostra-nos como é que o "feiticeiro" foi parar àquela terra fantástica e como conseguiu tornar-se o líder do país. Dirigido por Sam Raimi, tem um elenco liderado por James Franco, Mila Kunis, Rachel Weisz e Michelle Williams. A prequela foi feita quase cem anos após o filme original, talvez por causa do seu estatuto como "clássico", e a ideia de ressuscitar Oz, décadas após a viagem de Dorothy, é bastante boa. O roteiro é interessante e a história não é má, desenrolando-se naturalmente desde o momento em que o mágico ilusionista chega a Oz. O maior problema é que este filme rompe completamente com o antecessor num ponto chave da história: o que Dorothy faz em Oz nunca aconteceu, foi apenas um sonho mas, neste filme, a magia realmente acontece e o ilusionista está realmente naquele lugar, acordado e consciente. O filme nunca explica como é que isso acontece. Isso nunca seria um problema se o resto do filme não fosse uma tentativa de prequela do primeiro filme mas, se o é e Oz foi um sonho no primeiro filme deveria ter permanecido um sonho neste filme. Os actores geralmente estiveram razoavelmente bem no seu trabalho. Rachel Weisz foi excelente como Evanora, e o seu charme britânico deu à personagem uma dose adicional de cálculo e crueldade que foi muito bem-vinda. Michelle Williams também não decepcionou como Glinda, conseguindo personificar as qualidades da personagem. Mila Kunis é boa para papéis com personalidade e presença, mas este não é o caso de Theodora, mulher altamente influenciada pela irmã e vítima dos seus próprios impulsos e paixões. Talvez isso tenha levantado problemas para a actriz, e a maneira como ela procurou superá-los não foi a melhor. O facto é que a personagem, inicialmente muito morna e sem piada, só melhora quando se torna uma vilã. James Franco era um ilusionista sedutor e cheio de charme mas também oportunista, hipócrita e egocêntrico. A maneira como ele vai mudando foi bem conseguida pelo actor, numa performance irregular, com cenas muito boas seguidas de outras totalmente desinteressantes. A produção deu a maior atenção aos cenários e efeitos visuais. Raimi sabia que o público exigiria a recriação, com técnicas actuais, do universo colorido e fantástico de Oz, e os efeitos computorizados foram essenciais para o conseguir. O resultado é excelente. A fotografia também ajudou muito. Pessoalmente, quero enfatizar a forma original e inovadora como demarca a "fronteira" do mundo de Oz, com uma mudança gradual de cor e formato de tela. O filme adopta inicialmente os tons sépia e o formato 4-3 que são, também, visíveis no filme de 1939, mas a mudança extremamente lenta e gradual foi linda de se ver. Os efeitos especiais também foram feitos com grande detalhe. Por outro lado, a banda sonora é algo absolutamente decepcionante. Se a música foi uma parte essencial do primeiro filme, que nos deu grandes temas e canções, a verdade é que não há um único momento musical decente neste filme e o tema principal é muito vulgar para ser digno de qualquer nota positiva.
Filipe Manuel Neto
**A VERSÃO CGI DE OZ ENCANTA, MAS É PRECISO MAIS DO QUE UM TRUQUE DE ILUSIONISMO PARA MILA KUNIS E JAMES FRANCO ACERTAREM NO TOM.** CRÍTICA QUE ESCREVI AO REVER O FILME. A obra literária de L. Frank Baum deu origem, como sabemos, ao filme clássico de 1939 “O Feiticeiro de Oz”, produzido pela MGM. No entanto, após o sucesso da versão de Tim Burton de “Alice no País das Maravilhas”, a Disney procurava por um outro clássico que lhe permitisse aplicar a mesma fórmula: actores famosos, um CGI saturado e ultra-colorido e orçamentos milionários. Decidiram apostar num filme sobre o universo mágico de Oz, aproveitando o facto de a obra literária original ter passado ao domínio público. No entanto, não podiam utilizar nenhum elemento exclusivo do filme de 1939, cujos direitos pertenciam à Warner Bros. Para escrever um argumento, chamaram Mitchell Kapner, que já há algum tempo conhecia o material-fonte e desejava fazer um trabalho neste género. Ele apresentou um texto que explora o passado do mago de Oz e a sua chegada ao país da magia, onde é forçado a usar os seus truques de feira e a sua inteligência para derrotar magia verdadeira. O texto foi depois revisto por David Lindsen-Abaire, que garantiu aos diálogos maior engajamento emocional. Para a direcção, contrataram Sam Raimi, convencidos pela boa performance na trilogia “Spider-Man”. Para a produção, reservaram generosos 215 milhões de dólares, mais do que suficiente para Louis B. Mayer fazer 50 filmes de 1939. O problema de envolver Sam Raimi numa produção deste estilo é que o director detesta filmar tudo em chroma key. Entenda-se: “problema” para o orçamento do projecto pois, para mim, foi a melhor decisão possível! Ele levou as filmagens para os Raleigh Studios em Pontiac, nos arredores de Detroit, e ocupou-os quase totalmente para construir trinta gigantescos cenários em sete espaços separados. A concepção de sets foi entregue a Dante Ferretti (“Gangues de Nova Iorque”), que criou uma Cidade Esmeralda com um visual Art Deco fantasioso, incluindo a praça central, os corredores e sala do trono. Até mesmo a Estrada de Tijolos Amarelos era mesmo feita com tijolos amarelos de polímero, pintados para parecerem gastos. Gary Jones e Howard Berger fizeram artesanalmente mais de duas mil peças de vestuário e adereços para o filme, incluindo uma marionete real da Boneca de Porcelana, pensada para dar aos actores um elemento realista nas cenas em que a personagem tem de estar. Isto foi a resposta da produção às críticas frequentes à interpretação canastrona de actores reais com personagens 100% CGI. Todo o design de produção foi, finalmente, revisto cuidadosamente por uma equipa de advogados da Disney, a fim de garantir que os direitos do material MGM estavam intocados e salvaguardar o risco de processos em tribunal. Até o tom de maquilhagem verde da bruxa teve de ser diferente. As filmagens decorreram em alguns meses e foram um esforço de fusão de técnicas e métodos clássicos com as últimas novidades do mundo digital. Como os filmes em 3D eram a nova moda e a maioria das produções optava pela conversão a posteriori, Raimi filmou em 3D nativo usando câmaras Red Epic sobre plataformas 3Ality Technica Atom, que simulam a visão humana e conferem maior imersividade ao resultado. O correcto alinhamento das lentes era vital, qualquer milímetro arruinaria o efeito e a equipa podia passar várias horas neste afazer. Numa homenagem ao filme de 1939, as cenas ambientadas no mundo real foram filmadas em sépia e formato 4:3 com som mono, transitando muito gradualmente para widescreen 2.35:1 com som surround nas cenas em que Óscar vê, pela primeira vez, o país da magia. Para mim, tenho de o dizer, esta transição é a parte mais bonita do filme. Poucas cenas feitas para cinema conseguem expressar tão eloquentemente o poder visual das cores, e mostrar o quanto evoluímos em termos técnicos no decurso de uma geração ou duas. O mago por trás desta magia é o cinegrafista Peter Deming, que usou uma iluminação de set muito especifica para obter a saturação de cores que desejava a fim de emular a aparência do velhinho technicolor. A pós-produção passou pela adição da banda sonora e dos efeitos CGI, sobrepostos nas telas azuis de chroma key existentes pelo meio dos cenários. A fim de evitar que o filme parecesse um videojogo caro, os técnicos da Disney tentaram criar a natureza usando o visual de plantas e formações rochosas reais do Parque Nacional de Yellowstone; para a Floresta de Cristais, estudaram formações de quartzos e geodes verdadeiras de forma a entender a correcta refracção da luz. Também usaram pirotecnia real e máquinas de fumo nas cenas finais. Os macacos voadores eram visivelmente realistas, assim como Finlay, onde a atenção dos técnicos esteve nas suas características de rosto e pelagem. A Boneca de Porcelana combina a maquete usada nas filmagens com CGI, aplicando-lhe um recurso que simula o aspecto translucido da verdadeira porcelana branca. Os técnicos de som procuraram harmonizar-se com esta fragilidade visual inserindo sons de chávenas a bater nos passos da boneca, como se ela pudesse quebrar-se a cada passo; para a floresta, usaram sons reais gravados em matas ou em florestas tropicais equatoriais. Os técnicos de som procuraram dar espacialidade ao som, permitindo o uso de sistemas modernos de surround que movem o som organicamente pela sala de cinema. Para a banda-sonora, que marca o retorno de Danny Elfman às boas relações com Sam Raimi (eles tinham-se desentendido severamente há algum tempo), foi criada uma melodia que mantém a sonoridade da era dourada de Hollywood ao ser tocada por uma grande orquestra de uma centena de músicos e coro. Nos créditos finais, foi inserida a melodia “Almost Home”, feita para o filme e cantada por Mariah Carey, para depois ser utilisada nos vídeos e trailers promocionais. Como vimos até agora, o filme tem quatro elementos que merecem nota francamente positiva: o primeiro é a sua narrativa, que nos dá uma história razoavelmente coerente e bem estruturada, com personagens que podem aguentar o tempo que o filme dura e uma personagem central que tem um arco evolutivo claramente definido; o segundo é o conceito visual do filme, com uma aposta sólida e feliz numa combinação de técnicas clássicas e modernas, em que os gigantescos cenários físicos detalhados coexistiram pacificamente com o chroma-key e com técnicas de CGI muito elaboradas; o terceiro é a modelação dos sons e da banda sonora, o que confere ao filme uma beleza sensorial que ultrapassa o que os olhos vêem; o quarto elemento é a direcção cuidadosa de Sam Raimi, que se mostrou à altura do desafio e conseguiu harmonizar os vários aspectos do projecto. Até aqui, o aspecto que me causa mais dúvidas é a filmagem em 3D, mas eu consigo entender o pensamento por trás da opção: naquela altura, muitas pessoas viram nesta tecnologia a evolução natural do cinema e não se podia adivinhar que, após uma década, o 3D estaria relegado a um nicho, sem nunca ter sido adoptado em massa pela indústria ou pelo público. Também não gostei muito da banda sonora. Danny Elfman costuma ser excelente com fantasia e não há dúvidas que fez um trabalho decente aqui, mas nunca será um dos melhores do seu repertório, havendo até algumas melodias que eu realmente não gostei, como aquele número musical dos Munchkins, que para mim é exagerado. Há quem tenha detestado a canção da Mariah Karey, mas como já está nos créditos finais eu nem a considerei, só serve de fundo musical para o público pegar nas suas coisas, ligar o telemóvel e sair da sala. Há outro ponto que quero salientar: quando vemos o filme de 1939, fica claro que Dorothy teve um sonho e nunca chegou a ir ao país de Oz, enquanto neste filme Óscar vai para lá. Quando notei isso há muitos anos, após ver o filme a primeira vez, não entendi a diferença e vi nisso um erro do roteiro, mas eu é que estava errado e admito-o! Eu não sabia, como agora sei, que os livros originais de L. Frank Baum tratam Oz como um lugar real. Este filme fez isso, alinhando-se com eles, mas os chefes da MGM preferiram mostrar tudo como um sonho por medo que o público não quisesse ver um filme de fantasia. Deixei o elenco para o fim por um motivo: quando vi o filme pela primeira vez, não notei grandes problemas, mas agora senti uma coisa diferente. Há aqui bons actores. Rachel Weisz, por exemplo, está excelente dando-nos uma vilã clássica, teatral e manipuladora. Isso combina bem com a tónica do filme e deve ter sido muito divertido para a actriz. Zach Braff e Joey King também estiveram à altura do desafio de dar voz e sentimentos a personagens fortemente digitais com quem o elenco humano costuma ter grandes dificuldades de relação. A forma como tudo foi pensado e calculado permitiu que as personagens interagissem naturalmente. Michelle Williams, no papel da gentil e açucarada Glinda, estava num terreno mais do que seguro e nunca correu riscos. O problema recai em Mila Kunis e James Franco. Ambos tiveram problemas com a dualidade das personagens, soando muito melhor e mais naturalmente na primeira metade do filme, quando ela é a bruxa apaixonada e ele é o aldrabão cheio de si mesmo. O problema é que, na segunda metade, ambos têm de sair do conforto dessas personagens, relativamente fáceis para eles, e ser coisas totalmente diferentes! Ela deveria ter sido uma ameaça latente, uma bruxa desapiedada e imprevisível cuja pele verde evoca o verde da inveja da sua irmã. Ele deveria tornar-se num líder convincente que comandasse um exército improvável e cheio de inseguranças. Nenhum deles acertou no tom: ela parece uma vilã de comédia teen e ele parece nunca se levar a sério a si mesmo. Eu não sei porque mudei de opinião, talvez a minha forma de ver o filme tenha mudado. Eles estão no lugar mais bonito e fantástico que poderia haver, mas são “reis de brincar”, sem estatura para uma coroa de verdade.
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