
Tempestade de Gelo
Tipo
Filme
Ano
1997
Duração
112 min
Status
Released
Lançamento
1997-09-27
Nota
6.9
Votos
740
Direção/Criação
李安
Orçamento
US$ 18.000.000
Receita
US$ 16.000.000
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Uma repentina tempestade de gelo prende grande parte das pessoas em casa. Dentro de casa, a família passa a encarar todas as suas contradições e seus problemas, formando um melancólico retrato de uma família burguesa nos anos 70.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Um filme muito bem feito, com personagens ricas e complexas, mas estático, modorrento e impessoal em todos os sentidos.** Estamos perante um filme que é, inteiramente, acerca das relações entre as personagens. O filme decorre durante o feriado de Acção de Graças de 1973 e acompanha a trajectória de uma família de uma vila do Connecticut: o patriarca tem um caso com a esposa de um vizinho de quem eles são amigos e a própria mulher já desconfia. Enquanto o casal vive o seu drama conjugal, o filho mais velho, que é caloiro universitário, procura ambientar-se a um lugar novo e lidar com os sentimentos amorosos que nutre por uma colega. Ao mesmo tempo, a irmã parece entregue a prazeres provocatórios com o filho dos vizinhos. Isto é, o filme aproveita o frio intenso de Novembro para espelhar nisso todo um mundo de frigidez cadavérica onde vivem as personagens: apesar de a família aparentar absoluta normalidade, nada é normal naquela casa e não há grandes laços afectivo com excepção, talvez, dos dois irmãos, que compartilham momentos de intimidade. Há, também, alguma proximidade ternurenta entre pai e filha que, todavia, são compensados por um aparente distanciamento entre pai e filho. Mesmo assim, o peso dos segredos pessoais impede que as personagens consigam, verdadeiramente, unir-se como família. Dirigido por Ang Lee, o filme procura reflectir acerca da maneira como as famílias foram assimilando as mudanças e desafios impostos pela Revolução Sexual, e pela mudança dos costumes e padrões morais que aconteceu durante esse período. Se eles parecem perdidos é porque realmente se sentem perdidos, imersos num turbilhão de sensações em que não se sabe verdadeiramente o que é certo ou errado. Podemos ver isso nas atitudes distantes e, também, nas decisões algo aleatórias e, por vezes, desprovidas de sentido, que cada um deles vai tomando. Quando se perde a noção do perigo, até brincar com fogo pode parecer uma boa ideia, figurativamente falando. A cinematografia impecável, que brinca de modo elegante com a neve, o ar frio, a noite e o gelo, monta o cenário ideal para tudo isto. O elenco adulto é composto por nomes pesados da indústria como Kevin Kline, Sigourney Weaver, Joan Allen e James Sheridan, e não podemos verdadeiramente dizer mal deles. Cada actor fez tudo ao seu alcance para explorar a mente, as dúvidas e a psicologia rica das personagens que lhes foram oferecidas, e muito bem desenvolvidas por um bom duo de argumentistas. E apesar de o elenco jovem ser sempre um risco, ainda que mais ou menos calculado, temos reunidos alguns dos actores mais fortes daquela geração, como a enigmática Christina Ricci, a bela Katie Holmes, o excelente Elijah Wood e o confiável Tobey Maguire. É muito bom vê-los todos juntos, tão jovens, a darem mostras do talento que vimos florescer com o passar dos anos. Dito tudo isto, o filme tem alguma falha ou problema? Claro que sim. Ao conceber todo o filme desta maneira, Ang Lee e o duo de argumentistas, Rick Moody e James Schamus, conseguiram fazer um trabalho digno de prémios no circuito dos festivais e de aplausos encomiásticos da maioria dos críticos, mas esqueceram-se totalmente do público geral. O filme é tão estático que dificilmente agradará ao “público das pipocas” e vai afugentar os jovens no espaço de cinco minutos. Não é um filme para todos, muito menos para ver em família, é denso demais para isso e as suas personagens, sempre atrás de uma barreira de gelo psicológica, nunca conseguem a simpatia do público. Eu não posso dizer que isto é um erro, até porque eu lidei bem com isso e o filme até me agradou. No entanto, eu compreendo aqueles que disserem que odiaram este filme. O filme é mesmo assim, isto não é um defeito, e cabe ao público decidir se quer um filme mais reflexivo e profundo ou algo para entreter. Outro aspecto que me incomodou, mas que eu entendo considerando a época da acção, é a extraordinária amoralidade sexual: brincadeiras eróticas, jogos sexuais, festas com troca de casais… são coisas que eu reprovo, mas que compreendo que façam parte deste filme.
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