
Uma Rua Chamada Pecado
Quando ela chegou lá conheceu o bruto Stan, e o lado de Nova Orleans que ela mal sabia que existia... Blanche, que queria tanto continuar sendo uma dama...
Tipo
Filme
Ano
1951
Duração
125 min
Status
Released
Lançamento
1951-09-18
Nota
7.6
Votos
1.460
Direção/Criação
Elia Kazan
Orçamento
US$ 1.800.000
Receita
US$ 8.000.000
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Blanche vai visitar sua irmã grávida e o marido dela, Stanley, que não gosta dela e começa a forçá-la a falar sobre uma propriedade que sabe que foi deixada para as duas. Aos poucos o clima entre Stanley e Blanche vai ficando cada vez mais pesado.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Um dos grandes dramas do cinema, adulto e controverso, que penso que seria difícil de produzir pacificamente nos dias actuais.** Baseado na peça teatral escrita por Tennessee Williams, e na produção da Broadway que se lhe seguiu, este filme é bastante pesado, adulto, denso e difícil de ver, considerando as personagens, a sua história e o seu comportamento. Tanto assim é que me parece difícil até que um filme assim pudesse ser feito nos dias actuais, onde a rigidez dos códigos de moral e os movimentos feministas provavelmente iriam condenar qualquer esforço assim a um fracasso desmoralizante. De facto, a história não podia ser mais dura: Blanche DuBois, uma mulher que começou a entrar no “Outono da vida”, é obrigada a ir viver para a casa da sua irmã, que é pobre e vive com um homem musculoso e bruto chamado Stanley. Blanche é aparentemente uma alma gentil, mas triste, e teve uma vida marcada por dificuldades financeiras e familiares. É também profundamente vaidosa e consciente da decadência da sua juventude, pelo que evita aparecer à luz plena e tornar visíveis as marcas do seu envelhecimento. Depressa se torna claro para todos que ela é uma pessoa mentalmente perturbada, que vive num mundo próprio como escape para evitar ver a miséria da sua realidade. Eu poderia falar bastante sobre o enredo, considerando que o filme é muito famoso, já é razoavelmente antigo e quase toda a gente já o viu, ou sabe o que acontece. No entanto, eu prefiro não falar demasiado. O que posso dizer é que a história é deprimente, e que o terço final do filme iria levantar problemas à mentalidade social actual: afinal de contas, a pobre Blanche será violada, desacreditada por todos quando denuncia a agressão de que foi vítima e, por fim, diagnosticada como louca e internada! É tudo o que condenamos na sociedade actual, onde a violência doméstica e o abuso sobre as mulheres são crimes que não merecem o nosso perdão. Elia Kazan fez um trabalho magistral neste filme, que não chega a ser a sua obra-prima, mas está entre os três melhores filmes do director. A cinematografia a preto-e-branco tem a capacidade notável de tornar o filme mais envolvente, mais misterioso e denso, e todo o trabalho de filmagem e de concepção dos cenários e figurinos foi efetuado com o maior empenho e atenção aos detalhes. A banda sonora, de Alex North, faz muito pelo tom e ambiente, com notas de ‘jazz’ que soam bem e que tornam tudo ainda mais intenso. Mas o que merece maiores aplausos neste filme são, realmente, os actores e o trabalho de actuação dos vários envolvidos. Kazan soube dirigir o seu elenco muito bem, e conseguiu importar para o filme boa parte do elenco da peça da Broadway. Até Vivien Leigh, que não participou nessa produção teatral, tinha já um bom contacto com o material, pois foi interpretar a mesma personagem em Londres sob a direcção do marido dela, Sir Lawrence Olivier. O resultado de tudo isto combinado foi a quase total vitória do filme nos Óscares de 1952, onde o filme, além da estatueta para Melhor Direcção de Arte, levou para casa as de Melhor Actriz, Melhor Actriz Secundária e Melhor Actor Secundário. Assim, podemos começar por dizer que Kim Hunter e Karl Malden merecem ambos uma nota francamente positiva pelo trabalho muito satisfatório que fizeram aqui, conferindo às suas respectivas personagens uma profundidade e densidade que nem sempre logramos encontrar no elenco de suporte. Marlon Brando também nos deixou uma actuação digna de louvor, mas acho que é pacífico dizer que o actor, ainda razoavelmente jovem, estava apenas a despontar e a começar uma fase brilhante da sua carreira, que nos levará até “On the Waterfront”, em breve tempo. Em certo sentido, de todos os actores envolvidos, ele acabou por ser o mais fraco e menos interessante, mas isso não é de todo um problema: é absolutamente capaz de os acompanhar, sendo a sua juventude e a brutalidade da própria personagem os únicos entraves a um trabalho de ainda maior excelência. Por fim, temos de nos levantar e aplaudir entusiasticamente Vivien Leigh. Ela já tinha mostrado toda a sua grandeza em “Gone With the Wind” e a sua relação, pessoal e profissional, com Sir Lawrence Olivier fez muito pela sua carreira e pelo seu crescimento como actriz. Neste trabalho de profunda maturidade, a britânica carimbou definitivamente o passaporte para a eternidade no cinema, com todo o mérito de uma grande dama da sétima arte.
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