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Filipe Manuel Neto
**Luís Ismael está de parabéns pela teimosia e persistência.** Ouvi falar bastante deste filme quando era adolescente, mas aquilo que ouvi falar dele fez com que perdesse qualquer vontade de o ver até hoje: afinal de contas, eu era adolescente e estudava numa escola pública na altura, e os maiores elogios ao filme vinham dos meus colegas de turma mais problemáticos e delinquentes, que eu aprendera a desprezar dentro do meu coração. Não é propriamente a melhor publicidade. Este ano, resolvi-me a ver o filme, sem grandes expectativas, e ainda bem: confirmaram-se os piores cenários: é verdadeiramente digno de ser atirado a um caixote de lixo. Nota-se que é um daqueles trabalhos que foi feito à base da carolice e do improviso, e que os envolvidos foram sobrevivendo de pequenos apoios (o Instituto Português da Juventude e algumas autarquias), logrando levar o projecto a bom termo apesar das intempéries. É um filme lamentável, tanto pelo mau acabamento técnico quanto pela história ridícula que nos oferece. Podiam ter feito coisa melhor? Sinceramente, com o pouco que tinham ao seu dispor, tenho as minhas dúvidas: um acabamento mais primoroso envolveria material fotográfico e edição profissionais, contractos formais para locais de filmagem, burocracia e outras despesas a que o pequeno grupo de produtores não se podia permitir. Fizeram o que foi possível com o pouco de que dispunham, movidos mais pela vontade do que por qualquer outro motivo económico… afinal, tentar fazer um filme português sempre foi, e continuará a ser, uma maneira segura e eficaz de espatifar uma fortuna quase inutilmente. Por isso, deixo o meu louvor à coragem, tenacidade e teimosa persistência de Luís Ismael e da sua equipa de amadores de bom coração. Levando à prática as palavras de Fernando Pessoa, eles provaram-nos que tudo vale a pena quando a alma não é pequena e deixam-nos um filme lamentavelmente vergonhoso de que se podem orgulhar com todo o direito. Mesmo que seja uma nódoa absoluta no cinema nacional, que não se pode exibir aos olhos de qualquer cidadão estrangeiro sem deixar Portugal numa situação humilhante, é o filme que eles lutaram para criar, nutriram como um bebé e conseguiram fazer nascer.
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