Um Jogador Entre Flores
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Um Jogador Entre Flores

Um Jogador Entre Flores

Tipo

Filme

Ano

1967

Duração

92 min

Status

Released

Lançamento

1967-03-10

Nota

10.0

Votos

1

Direção/Criação

成沢昌茂

Orçamento

-

Receita

-

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Outono de 1928. Ryuichi Kitagawa é um jogador de hanafuda que vive sob a proteção da família Kasugai, em Tóquio — hábil o bastante nas cartas para ganhar respeito, mas sem ambição de subir na hierarquia do submundo. Sua vida muda quando cruza caminho com Umeko, trapaceira genial que trabalha ao lado de um velho cego, Ishi — e que esconde um segredo capaz de virar tudo de cabeça para baixo.

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Reviews

Total: 1

Hayllander

Tem um tipo de filme de yakuza que prefere o silêncio ao tiro, e "Um Jogador Entre Flores" é exatamente esse tipo. Dirigido e roteirizado por Masashige Narusawa — mesmo nome por trás do roteiro de "Sword of Destiny" sete anos antes —, o filme troca a estética mais operística do gênero ninkyo (aquela em que o herói marcha para a morte ao som de uma balada, espada/faca em punho, honra intacta) por algo mais frio, mais calculado, mais próximo do noir do que do épico. A trama segue Ryuichi Kitagawa, jogador de hanafuda sem pressa de subir na hierarquia da família Kasugai, e Umeko, trapaceira que cruza seu caminho numa casa de jogo em Chiba. O que poderia ser só mais um romance proibido entre gente de fora da lei vira, nas mãos de Narusawa, uma reflexão sobre o que significa tentar ser honesto num mundo que só recompensa o engano — "o mundo está cheio de engano, grande ou pequeno", diz Ryuichi perto do fim, num dos poucos momentos em que o filme baixa a guarda cínica para deixar a amargura falar diretamente. A estrutura circular é o golpe de mestre do roteiro: o filme abre e fecha no mesmo encontro marcado numa loja de saquê, com anos de distância entre as duas pontas. É só ao voltar para aquele ponto — sabendo tudo o que aconteceu no meio — que a cena ganha peso de verdade. Não é um truque de reviravolta; é mais parecido com reler uma carta sabendo, agora, tudo que ela não disse. A crítica japonesa costuma descrever o filme como estilizado e "cool" para os padrões do gênero, e é fácil ver por quê: há uma economia de gestos, um jeito de a câmera preferir sugerir violência a exibi-la, que separa o filme do resto da produção ninkyo da Toei daquela época. Tatsuo Umemiya carrega o filme com uma centralidade discreta — sem o carisma extrovertido que marcaria seus papéis mais famosos depois, mas com algo mais contido, quase resignado, que talvez explique por que ele próprio, décadas depois, apontaria justamente este papel como o mais pessoal de sua carreira. Haruko Wanibuchi, como Umeko, e Chitose Kobayashi, como Hisae, dividem o peso emocional do filme quase por igual — duas mulheres presas no mesmo sistema de lealdade e posse, cada uma tentando escapar dele à sua maneira. O pano de fundo histórico também trabalha a favor do filme: ambientado entre o fim dos anos 1920 e a escalada da guerra na China, o roteiro deixa a modernidade entrar pelas bordas — o cinema falado como novidade, os zepelins alemães como assunto de mesa de bar, a iminência do serviço militar pairando sobre os personagens mais jovens — sem nunca deixar isso virar pano de fundo decorativo. Quando a guerra finalmente invade a trama, na reta final, ela não chega como comentário político, mas como mais uma forma de o mundo cobrar a conta de quem tentou, e falhou, em escapar dele. Não é um filme de ação, e quem espera duelos coreografados vai se decepcionar. É, antes, um filme sobre pessoas presas em papéis que não escolheram — jogador, trapaceira, herdeiro por conveniência, policial corrupto — e sobre o pequeno, quase inútil, gesto de tentar florescer mesmo assim.

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