O Artista
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O Artista

O Artista

Um Amor Sem Palavras

Tipo

Filme

Ano

2011

Duração

100 min

Status

Released

Lançamento

2011-10-12

Nota

7.4

Votos

3.485

Direção/Criação

Michel Hazanavicius

Orçamento

US$ 15.000.000

Receita

US$ 133.432.856

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Na década de 1920, o ator George Valentin é uma estrela do cinema mudo, mas sua carreira está ameaçada pela chegada do cinema sonoro. Enquanto ele luta para manter seus filmes, Peppy Miller, uma coadjuvante, alcança a fama.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Um filme encantador, que une uma história muito bonita, boa execução técnica e notas artísticas de grande mérito.** Este foi um dos melhores e mais encantadores filmes que vi em tempos mais recentes. É um daqueles filmes que combina harmoniosamente a beleza e magia de uma boa história com uma excelente execução técnica e brilhantismo artístico. É, também, uma espécie de homenagem a uma das grandes reviravoltas na indústria cinematográfica: a passagem dos filmes mudos para o cinema falado, uma mudança que significou o fim súbito das carreiras de alguns astros (não tantos quanto se pensa), como Charles Morton, ou a perda de relevância de actores como Nils Ashter e Antonio Moreno, muito prejudicados pelo forte sotaque. O roteiro foi muito bem escrito e começa por nos apresentar George Valentin (eu não sei, mas senti que a personagem foi levemente inspirada em Douglas Fairbanks ou a Rodolfo Valentino, pelo menos no nome e na dimensão das suas carreiras), um astro do cinema, rico, famoso e bem-sucedido. A sua carreira — e também a sua vida pessoal — desaba como um castelo de areia com o advento do cinema falado, o fim da produção de filmes mudos e a sua pertinácia em não se adaptar aos novos tempos. Enquanto isso, uma jovem actriz que ele ajudara a lançar torna-se numa das maiores figuras do cinema, suplantando-o, de certo modo. Porém, e apesar de ele ser orgulho e se sentir magoado, ela admira-o e está determinada a ajudá-lo. O filme é uma produção francesa, e uma das mais bonitas e interessantes que o cinema francês fez (que eu tenha visto, claro) em anos recentes. Dirigido e escrito por Michel Hazanavicius, foi aclamado pela crítica e conquistou um rol intenso de prémios, com destaque para cinco Óscares (venceu Melhor Filme, Melhor Director, Melhor Actor, Melhor Figurino e Melhor Banda Sonora Original, tendo sido nomeado ainda para Melhor Actriz Secundária, Melhor Roteiro Original, Melhor Cinematografia, Melhor Edição e Melhor Direcção de Arte), seis César (Melhor Actriz, Melhor Cinematografia, Melhor Design de Produção, Melhor Banda Sonora, Melhor Director e Melhor Filme) e sete BAFTA (Melhor Figurino, Melhor Cinematografia, Melhor Actor, Melhor Director, Melhor Filme e dois prémios especiais para o director e a banda sonora). É um enorme e prestigiante palmarés! O elenco é elegantemente liderado por Jean Dujardin, num trabalho cheio de talento, em que o actor aproveita toda a sua expressividade física e facial para nos fazer entender aquilo que ele não diz por palavras. Igualmente expressiva e carismática, Bérénice Bejo foi impecável no papel de uma diva do cinema em ascensão. O filme conta ainda com a participação de John Goodman e James Cromwell e ainda um cameo de Malcolm McDowell. A nível técnico e artístico, o filme tem imensos valores que merecem ser observados com muita atenção, começando pela forma como toda a cinematografia e a parte visual foi trabalhada pelo director, de modo a manter-se relativamente fiel aos filmes antigos. Por exemplo, o filme nunca usa o zoom, porque era um recurso técnico indisponível à época do cinema mudo. Sendo um filme virtualmente sem falas nem som para além da banda sonora e de alguns efeitos sonoros muito pontuais, é natural que a banda sonora tenha sido um ponto importante e onde toda a produção se concentrou. O resultado desse empenho é uma das bandas sonoras originais mais interessantes que ouvi em muito tempo. Achei, todavia, curioso que tenham aproveitado uma famosa parcela da banda sonora de *Vertigo - A Mulher Que Viveu Duas Vezes* para as partes mais depressivas e tensas do filme. E finalmente uma palavra de louvor para a grandiosa sequência de dança no fim do filme!

Fotos do título

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