O Libertino
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O Libertino

O Libertino

Tipo

Filme

Ano

2004

Duração

114 min

Status

Released

Lançamento

2004-09-16

Nota

5.9

Votos

479

Direção/Criação

Laurence Dunmore

Orçamento

US$ 11.000.000

Receita

US$ 10.900.000

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Em Londres, 1660, John Wilmot, o Conde de Rochester e amigo do Rei Charles II, é um gênio literário de comportamento irreverente. Ele escandaliza a sociedade londrina ao se dispor a transformar uma prostituta em artista famosa.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Com uma personagem tão iconoclasta e polémica, este filme não pode simplesmente agradar a todos. Mesmo assim, é um trabalho excelente.** Após um período de puritanismo social e de costumes, inspirado pela consolidação da Igreja de Inglaterra e de um regime político mais austero — a República Inglesa — as primeiras décadas do retorno à monarquia assistiram a uma reversão deste panorama, com a sociedade a permitir-se a costumes e hábitos mais mundanos, em especial na vida da corte. É neste contexto que surge a figura de John Wilmott, 2.º Conde de Rochester, cujo pai foi uma figura crucial no apoio à Casa de Stuart e a quem o próprio rei Carlos II devia gratidão. Este filme aborda, em traços muito genéricos e com uma dose de ficção, a vida deste dramaturgo e poeta controverso e a sua relação, flutuante e instável, com o seu protector Carlos II. Rochester casou-se jovem com Elizabeth Mallet, após a ter raptado, mas não foi um casamento feliz a longo prazo. Como o filme nos mostra, ele viveu uma existência dissoluta, delapidando a sua fortuna familiar entre os teatros, tabernas e bordeis mais mal-afamados de Londres e manchando a sua reputação com vários escândalos: além das numerosas amantes, actrizes e prostitutas com que se envolveu, terá tido uma conduta desonrosa numa situação que acabou no assassinato de um dos seus amigos, além de ter sido acusado de charlatanismo e prática ilegal da medicina. Apesar de o filme preferir não falar disso, Rochester chegou a conhecer vários países europeus, onde deixou boa fama intelectual, e também se notabilizou pela sua bravura nos combates navais da Guerra Anglo-Holandesa. Após uma vida de excessos sexuais e alcoólicos, o poeta acabou por pagar a factura ainda jovem, falecendo aos 33 anos, profundamente debilitado pela sífilis. Para a posteridade ficariam as suas últimas palavras, nas quais renunciou ao ateísmo, e uma obra de poesia e dramaturgia erótica e satírica profundamente cáusticas para a época e que ainda hoje é considerada bastante adulta e provocatória. O filme é bastante bom, e creio que só não recebeu mais reconhecimento e visibilidade devido à natureza provocatória e polémica da personagem sobre a qual se debruça. Não é, de todo, um filme adequado para ver com os avós ou o padre da paróquia. Laurence Dunmore dirigiu com habilidade e talento, conciliando muito bem o realismo histórico com a necessidade criativa de que um filme carece. A escolha do elenco foi inteligente e Johnny Depp é a opção mais indicada para dar vida ao dramaturgo. O actor tem uma inclinação por personagens bizarras e Rochester assentou-lhe como uma luva. John Malkovich também fez um excelente trabalho, dando ao rei Carlos II uma boa dose de realismo, sem pompas exageradas. Samantha Morton também esteve à altura da sua personagem, uma actriz que quer encarar a sua carreira com profissionalismo e não ser apenas uma prostituta ocasional de mecenas abonados. Por fim, uma palavra de apreço para o trabalho de Rosamund Pike e Richard Coyle. O filme exala realismo na forma como expõe os ambientes da corte restaurada. Longe do luxo das monarquias europeias, a corte inglesa surge-nos aqui em tons sombrios e quase violentos, com uma humidade omnipresente. Londres parece-nos uma cloaca enlameada e suja ao invés de uma grande capital. Não obstante, os figurinos e cenários traem o luxo e sumptuosidade dos ambientes e mansões da aristocracia. Gostei especialmente das roupas de Rochester e das longas perucas que pontificavam na moda masculina de então. A cinematografia aproveita bem estas sombras e a luz existente para matizar o visual, tornando o filme tão sombrio quanto a personalidade da sua personagem principal. Por fim, não posso terminar sem louvar a habilidade e elegância da banda sonora de Michael Nyman.

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