Esqueceram de Mim
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Esqueceram de Mim

Esqueceram de Mim

Uma comédia familiar, sem a família!

Tipo

Filme

Ano

1990

Duração

103 min

Status

Released

Lançamento

1990-11-16

Nota

7.5

Votos

12.397

Direção/Criação

Chris Columbus

Orçamento

US$ 18.000.000

Receita

US$ 476.684.675

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Uma família de Chicago planeja passar o Natal em Paris. Porém, em meio às confusões da viagem, um dos filhos, Kevin, acaba esquecido em casa. O garoto de apenas oito anos é obrigado a se virar sozinho e defender a casa de dois insistentes ladrões.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Uma das comédias mais memoráveis do fim do século XX.** Este é uma das comédias mais marcantes do fim do século XX. Barato de produzir, é um filme que assenta num argumento muito bem escrito, com diálogos espirituosos e grandes momentos de humor “slapstick”, dois vilões que, sendo engraçados, conseguem ameaçar e inspirar algum respeito e um protagonista que, superando qualquer imaturidade infantil, se mostra totalmente maduro, seja nas decisões que vai tomando, seja na interpretação e entrega do actor que lhe deu vida. O filme teve lugar cativo na programação televisiva de Natal praticamente até 2010, altura em que penso que deixei de o ver tão regularmente na grelha televisiva dos canais generalistas. A história é simples e baseia-se numa premissa que, não sendo inteligente nem credível, é suficientemente boa para sustentar o filme: uma família extremamente numerosa decide reunir-se e viajar toda junta para Paris, mas as crianças na casa são tantas que uma delas, a mais nova, acaba por ficar em casa, esquecida por todos. Assim, aquele menino acaba sendo o único que se apercebe de que dois ladrões andam a assaltar as casas vizinhas, e a casa deles é o próximo alvo a ser visitado. A grande falha do filme, para mim, é a necessidade que sinto de “desligar” o senso lógico para o filme funcionar em pleno: se uma situação daquelas acontecesse hoje na realidade, a mãe ia ter de dar boas explicações a um batalhão de assistentes sociais se quisesse manter o poder paternal, afinal ser pai agora quase que implica fazer testes psicotécnicos e dar garantias de que se possuem condições financeiras e psicológicas para ter crianças! Fica a dúvida sobre como podiam eles ter certas coisas (como um maçarico) em lugares onde uma criança poderia ir buscá-las. Ainda assim, a inconsciência dos pais vai existir sempre, como vemos ainda hoje quando pais oferecem ‘smartphones’ aos seus filhos antes de eles terem sequer catorze anos. O filme brinca com a situação com uma leveza fantástica, dando a Kevin, o protagonista, a inteligência e maturidade necessárias para se desenvencilhar de cada problema que vai surgindo. Ele compreende que não pode dizer a ninguém que está sozinho, mentindo nos momentos em que isso é necessário, e defendendo o seu castelo – a casa dos pais – com a coragem de um guerreiro medieval e uma deliciosa capacidade de se divertir com cada traquinice que vai infligindo. Por seu lado, os vilões são adequadamente clichés – um é idiota e trapalhão, o outro é esperto – e o filme usa bem vários clichés de humor que já vimos em outros filmes ou até no circo. Chris Columbus assegura uma direcção sólida e meticulosa, que trata cada detalhe com o carinho de um relojoeiro artesanal. A edição e a montagem foram muito bem executadas e o filme nunca se sente cansado ou apressado demais, com cada coisa a acontecer quando deve e sem perda de tempo. O filme dá-nos tempo para rir, tempo para nos emocionarmos e tempo para ter saudades da nossa própria infância. Há um factor nostalgia aqui que não é desprezável: brinquedos de várias gerações que aparecem, travessuras que fizeram um pouco parte da vida de todos nós, uma sensação agradável de familiaridade que termina com a glorificação da importância da família, do sentimento de pertença a um clã. Sobre tudo isto, impera a maravilhosa banda sonora de John Williams, indicada a dois Óscares. O elenco foi muito bem escolhido e faz precisamente o que o filme requer: Joe Pesci, que o cinema recordará para sempre por papéis mais violentos, mostra-nos que tem uma veia cómica fantástica. Daniel Stern é excelente no que faz e só ver a cara dele já é capaz de nos fazer sorrir. Roberts Blossom faz um trabalho memorável e cheio de ternura e, claro, Macaulay Culkin é incrível no papel principal. Foi uma enorme pena que este pequeno actor tenha acabado por não desenvolver o seu talento como poderia.

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