
Tipo
Filme
Ano
1973
Duração
123 min
Status
Released
Lançamento
1973-12-18
Nota
7.9
Votos
1.200
Direção/Criação
Federico Fellini
Orçamento
-
Receita
-
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Numa pequena cidade italiana na década de 30, sob domínio do fascismo, várias histórias se cruzam com as de uma família cujos membros assistem às manifestações em honra do Duce (o líder fascista Benito Mussolini), à passagens do transatlântico “Rex”, à chegada de um misterioso emir e suas odaliscas, aos filmes de Gary Cooper no cinema local è a passagem dos grandes pilotos da tradicional "Mile Miglia". Mágico e arrebatador, com personagens inesquecíveis criados a partir das lembranças da infância de Fellini (1920-1993). Tudo ao som de belos e nostálgicos temas musicais de Nino Rota.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**A minha opinião honesta sobre este filme, num texto impróprio para puristas.** Federico Fellini é um dos cineastas italianos mais respeitados de sempre, e este filme é, por muitos, considerado a sua obra-prima. E eu fiquei admirado com o aparente consenso em torno disso, e das qualidades e méritos deste filme em específico. Eu não sei, não sou um perito em Fellini, não vi toda a sua obra nem conheço o cineasta tão bem quanto eu desejaria. “La Dolce Vita”, “I Vitelloni” e “81/5” são filmes que quero ver, mas que não pude ainda desfrutar por absoluta falta de tempo. O dia só tem vinte e quatro horas! Seja como for, o que eu vou dizer agora pode ser uma enorme heresia para muitas pessoas e, por isso, sugiro que se poupem a crises cardíacas evitáveis e digam já que não gostaram do que eu escrevo. É preferível, porque eu vou cometer a heresia de dizer que este filme não é assim tão bom como todos dizem. Pelo menos, na minha opinião. Pronto! Agora, enquanto alguns vão hiperventilando e chamando os paramédicos, vamos desenvolver isto melhor, pode ser? A grande falha do filme, para mim, é a história que conta: apesar de não o ter admitido, Fellini, que assina a direcção e a escrita do argumento, concebeu o filme como uma colectânea de memórias da sua juventude em Rimini: porém, o cineasta deve ter introduzido pelo meio situações totalmente fictícias e a personagem que as “recorda” não é ele, é o jovem Titta, uma espécie de alter-ego. Este recurso é algo original, mas torna o filme episódico e dependente de uma personagem principal forte e carismática, capaz de chamar a atenção sempre que aparece e de servir de “fio condutor” entre as estórias que são apresentadas… e essa personagem não aparece. Titta é apagado, não tem a força necessária para carregar o filme e deixa todo o protagonismo para uma série de personagens bizarras. A certo ponto, eu já nem sabia se certas situações tinham relevância para ele ou se Titta era só um espectador da vida das pessoas do vilarejo. Para mim, este é o maior problema em “Amarcord”, um filme que, de resto, tem tudo para ser excelente. As estórias apresentadas combinam harmoniosamente humor e sentimento, e garantem bom entretenimento, não obstante um prazer medíocre em ridicularizar o clero e a aparente obsessão por tudo o que cheira a sexo (bem, isso parece ser mal endémico nos cineastas italianos, Bertolucci e Pasolini conseguem ser ainda mais pervertidos). Não tenho qualquer problema com a mensagem política antifascista, embora me pareça algo despropositada às vezes, e há algumas estórias e vinhetas que realmente vão longe demais e soam absurdas (a do harém, a do homem em cima da árvore e outras). E se esquecermos a personagem principal virtualmente amorfa e insignificante, temos um leque curioso de personagens excêntricas, e especialmente de mulheres sexualizadas e fogosas, e de jovens obcecados por “sexualidade manual”, se é que me entendem. Será que o director imprimiu aqui as suas fantasias eróticas de puberdade? Tecnicamente, o filme tem muitas, muitas qualidades. É Fellini, afinal! A cinematografia é simplesmente deslumbrante, com cores magníficas e um trabalho fantástico do cenário, das paisagens e da beleza visual daquela terra e dos tempos da juventude, os mais felizes na vida de uma pessoa. A câmara flerta com a Natureza, a neve, as árvores e as pastagens, as pedras milenares da igreja e os pólenes que voam no início da Primavera. Há nostalgia aqui, e a partitura de Nino Rota, uma das melhores deste compositor, acentua muito bem esse sentimento de que a vida era bela nestas coisas simples. As duas horas de duração do filme não são um grande problema, mas podem contribuir para criar no público uma sensação de inchaço sem conteúdo e de uma certa auto-importância desagradável. Resta falar um pouco do elenco. E quem leu até aqui e sobreviveu sabe que, para mim, é Bruno Zanin o actor menos feliz neste projecto. Eu não sei o que falhou, se a culpa foi do cineasta ou da juventude do actor, mas a verdade é que ele não é protagonista daquela que devia ser uma história mais íntima e pessoal. Em compensação, temos Luigi Rossi, que é verdadeiramente hilariante e comovente com os seus monólogos contra a “quarta parede”, Antonietta Beluzzi, que nos oferece uma vendedora de tabacos rechonchuda, e Josiane Tanzilli, uma boa adição cómica que, no entanto, depende do estereótipo da ninfomaníaca insaciável e não passa muito além disso. Assim, Magali Noel acaba por ter todo o espaço que precisa para brilhar e nos oferecer um trabalho muito bem feito.
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