Shine - Brilhante
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Shine - Brilhante

Shine - Brilhante

Uma história verdadeira do mistério da música e o milagre do amor

Tipo

Filme

Ano

1996

Duração

105 min

Status

Released

Lançamento

1996-08-15

Nota

7.4

Votos

699

Direção/Criação

Scott Hicks

Orçamento

US$ 5.500.000

Receita

US$ 35.892.330

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Numa noite de inverno David entre num bar. Embora claramente excêntrico, ele é um excelente pianista, despertando desde logo a atenção e a simpatia de todos. A sua vida sempre foi caracterizada pelo domínio avassalador do seu pai que sempre pretendeu transformá-lo num grande pianista apesar do seu excessivo protecionismo. Desafiando a autoridade do seu pai, aceita um convite para ir estudar para Londres. Apesar de toda a sua genialidade David tem bastantes dificuldades de adaptação o que transforma sua vida num caos.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Talvez um dos filmes mais marcantes da obra de Geoffrey Rush, e um dos retractos mais duros e sinceros da genialidade que o cinema viu até hoje.** Apesar de eu ser um melómano bastante sério, e de gostar de música clássica desde sempre, não conhecia David Helfgott até ter visto este filme. O universo musical está cheio de prodígios que revelam talento desde a infância. Mozart é, talvez, o exemplo mais famoso disso. Contudo, é um daqueles assuntos que eu sinto que tendemos a sobrevalorizar, porque também podem encontrar-se crianças prodigiosas em outras áreas do saber, incluindo nas Ciências Humanas. É, todavia, curioso que tenhamos tão poucos exemplos de génios musicais com carreiras sólidas e bem sucedidas. A maioria dos pianistas e intérpretes musicais, por muito talentosos que sejam, dependem mais da sua auto-disciplina e treino intensivo do que do seu talento de base. Helfgott, de acordo com este filme, teve uma infância difícil, às mãos de um pai autoritário, que basicamente o empurra para a carreira musical, apercebendo-se do seu talento. O problema é que a situação exigiu muito do jovem génio, levando-o a desenvolver esquizofrenia e diversos outros problemas mentais. Com sérios problemas discursivos (é gago e fala compulsivamente), é também incapaz de manter uma relação convencional com as pessoas que o rodeiam. Claro, a longo prazo, veremos a forma como ele contorna as dificuldades e consegue a consagração. Helfgott é interpretado por vários actores, mas é Geoffrey Rush que brilha no papel. O actor foi capaz, neste filme, de fazer franquear as portas do cinema internacional graças a um dos mais completos e imersivos retractos da genialidade no cinema. Surgindo em cena quando o filme já vai a meio, ele domina toda a obra, impõe-se, exige a nossa atenção, merece aplausos. Mesmo que o filme não tivesse mais nenhum motivo de mérito – tem! – ver o desempenho deste actor britânico seria sempre razão mais do que suficiente para justificar uma ida ao cinema. Porém, ele não está sozinho: o filme dá-nos ainda uma excelente interpretação de Armin Mueller-Stahl no papel do pai, exigente e dominador. Noah Taylor, que dá vida à personagem de Helfgott na juventude, também nos deixa um trabalho bem feito e de valor. O roteiro e a direcção também merecem uma nota de louvor. Scott Hicks, que assegura ambas as tarefas, conseguiu criar um filme profundamente dramático, intenso, capaz de emocionar e de nos fazer pensar, sem cair no erro de o tornar excessivamente melodramático ou fazer uma exposição demasiado negra e pessimista das coisas. O filme é profundamente emotivo, tem até diversas cenas intensas, quase dolorosas, mas nunca é um filme pesado. Além disso, o filme faz um uso muito inteligente da cinematografia e da banda sonora para aligeirar ou adensar todo o ambiente em que a acção decorre. Além das peças de Rachmaninoff – um génio do piano, mas que encontra equivalentes em compositores como Chopin, Scriabin ou Liszt, autor da ingénua, mas terrivelmente exigente, “La Campanella”, para mim a mais difícil para piano solo – o filme tem um vasto repertório de peças clássicas habilmente inseridas na banda sonora. Vale a pena ver como elas são aproveitadas no filme.

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