
Tipo
Filme
Ano
2025
Duração
130 min
Status
Released
Lançamento
2025-11-11
Nota
6.7
Votos
1.948
Direção/Criação
Edgar Wright
Orçamento
US$ 110.000.000
Receita
US$ 69.000.000
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Em um futuro próximo, "O Sobrevivente" é o show de maior audiência na televisão – uma competição mortal onde os participantes precisam sobreviver 30 dias enquanto são caçados por assassinos profissionais. Cada passo é transmitido a um público sedento por sangue e cada dia sobrevivido aumenta o prêmio em dinheiro para o vencedor.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
João Jaime Jorge
A existência numa sociedade despojada de empatia é infernal e a única saída é vender a alma. Esta é a base de “The Running Man” de Edgar Wright, responsável pelo mordaz “Hot Fuzz” e que aqui chega depois de “Last Night in Soho”, em 2021, fantástico exemplo de estilo sobre substância, suportado pela divina Anya Taylor-Joy. Baseado numa obra de Stephen King de 1982 e remake do filme com o mesmo título de 1987, com Arnold Schwarzenegger a encabeçar um espetáculo de excesso e violência que nos transportava a uma sociedade distópica e profeticamente mostrava o poder da adulteração de imagens, deepfakes que hoje estão na ordem do dia, esta versão de Wright revela-se anémica, distinguindo-se, apenas, na capacidade de desapontar. Ao mesmo tempo dolorosamente longo e demasiado breve nos momentos essenciais do enredo, comete o pecado de não nos fazer torcer, ou mesmo, gostar, de qualquer personagem. Aliás, essencialmente, o filme apenas tem uma personagem, Ben Richards, um homem que é banido pelas megacorporações que controlam a totalidade do mercado de trabalho, por ter ousado falar sobre as perigosas condições de trabalho e se vê forçado a participar num programa onde arrisca a vida para poder proporcionar uma vida melhor à família. Programa cuja existência é dirigida a fomentar o ódio e a disseminar a desconfiança entre as classes mais desfavorecidas, promovendo simultaneamente a coisificação do ser humano e a desumanização da turba. A família de Richards cedo desaparece do ecrã e mesmo os vilões são pobres caricaturas, ausentes também da ação durante longos períodos, não proporcionando sequer prazer quando recebem o devido castigo. Richards existe apenas como função narrativa: pai, mártir e símbolo. Nunca como pessoa. O seu valor como faísca para a revolta nunca é credível. Glen Powell grita muito, confunde intensidade com volume e raiva com expressão, revelando um limite dramático que o filme nunca tenta contornar. O resto do elenco é desperdiçado com personagens insubstanciais ou cenas mínimas, sendo o mais gravoso a representação de Colman Domingo, cuja energética performance é sabotada pelo criminosamente diminuto tempo de ecrã. A ação é escassa e, tendo Wright na cadeira de realizador, surpreendentemente genérica. Resta a mensagem, a ideia de que o entretenimento concebido para trazer para fora o pior de nós serve apenas para nos manter anestesiados para a injustiça social e nos fazer odiar o próximo, enquanto a elite perpetua a exploração. Não deixa, porém, de ser irónico que tal venha de um blockbuster de Hollywood que exemplifica a falência criativa que ameaça implodir a indústria.
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