
Tipo
Filme
Ano
2022
Duração
110 min
Status
Released
Lançamento
2022-03-16
Nota
6.6
Votos
289
Direção/Criação
Jean-Jacques Annaud
Orçamento
US$ 35.000.000
Receita
-
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Um relato do dia em que a catedral mais famosa do mundo pegou fogo. Combinando cenas reais e ficção, o filme mostra o trabalho árduo dos bombeiros e envolvidos em salvar o monumento cultural e religioso de Notre-Dame, em Paris.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Um filme que recria, com um realismo de documentário, uma tragédia que tocou muito a muitas pessoas, mesmo sem causar vítimas.** Ver este filme foi difícil para mim. Tenho bem presente na memória as imagens do fogo na Catedral de Notre Dame de Paris, parei o meu dia para acompanhar essa tragédia, que me afectou profundamente, mesmo não sendo francês nem nunca tendo visitado aquele monumento. Afinal, sou historiador e também católico devoto, a conservação de espaços como esta catedral é algo importante para mim, e ver tudo aquilo magoou-me muito. Foi como ver arder a casa de um amigo especial que muito estimo. Não esperem que eu seja imparcial, espero que me entendam. Hoje, a catedral está totalmente recuperada e, tanto quanto soube e vi, voltou exactamente a ser como era dantes, sem a introdução de “novidades” arquitectónicas ou artísticas mais contemporâneas. Este trabalho de restauro e de reconstrução, a todos os níveis impecável, é uma lição que França deu ao mundo, e que devia ser aplicada a outras situações, como a reconstrução do Museu Nacional da Quinta da Boavista, no Rio de Janeiro, que também muito me custou e que destruiu o único palácio real da América do Sul, e um enormíssimo acervo documental e artístico irrecuperável. Este museu está a ser reconstruído, mas sem os cuidados que eu consideraria essenciais e sujeito a arquitectos contemporâneos que, eu receio, desejam construir um espaço contemporâneo dentro da “caixa” do antigo palácio, obliterando a hipótese de reconstituir os espaços e salas originais. Dirigido e escrito por Jean-Jacques Annaud, o filme recria, com um realismo documental e angustiante, cada passo do incêndio que destruiu o icónico monumento. Não sei quanto do que foi mostrado corresponde exactamente aos factos daquele dia, mas sei que foram usadas imagens reais daquele dia, enviadas por transeuntes e transmitidas pela televisão, e que as filmagens decorreram em catedrais francesas, num esforço para tornar tudo mais realista e credível. Louvo esse esforço. O fogo visto no filme é, maioritariamente, real, e a filmagem implicou algumas recriações em estúdio, sendo o CGI usado com ponderação. Outro aspecto que me impressionou foi a sensibilidade do director para o assunto, não o tratando com a frieza de um "blockbuster" americano, onde tudo é destruído e massacres acontecem com a vulgaridade de um jogo de vídeo. O filme consegue transmitir-nos que aquele local é especial, seja pela sua monumentalidade e antiguidade, seja pelo peso dos séculos de orações, eucaristias e fé do povo parisiense. Não importa se não houve mortos ali. Era a destruição de um símbolo. E perante a força perversa do fogo, que sempre tem simbolizado algo potencialmente maléfico para os católicos, triunfou a força da oração do povo de Deus, unido numa só voz e numa única angústia que ultrapassou línguas e até fronteiras. Eu sei, porque eu rezei com eles nesse dia, mesmo distante e na minha língua.
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