
Tipo
Filme
Ano
2022
Duração
100 min
Status
Released
Lançamento
2022-10-07
Nota
6.6
Votos
690
Direção/Criação
Carlota Pereda
Orçamento
US$ 2.400.000
Receita
US$ 543.064
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Uma adolescente com excesso de peso é perseguida por um grupo de mulheres junto à piscina enquanto está de férias na sua cidade natal. A longa caminhada para casa vai mudar o resto da sua vida.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Pedro Quintão
“Piggy” é um retrato cru, sufocante e profundamente humano sobre o bullying, isolamento e sentimento de culpa. A realizadora Carlota Pereda transforma uma história aparentemente simples num intenso estudo de personagem, onde a fronteira entre vítima e cúmplice se torna muito ténue e nos propõe a refletir: até que ponto seríamos capazes de nos vingar de alguém que nos fez muito mal? Os primeiros 20 minutos são os mais desconfortáveis que já vi num filme sobre bullying. A forma como a câmara se cola à protagonista, faz-nos sentir o peso da humilhação e da crueldade humana. E é isso que gosto num filme dentro deste género: uma experiência que não deixa ninguém indiferente. Laura Galán entrega uma interpretação brilhante, fazendo que que sintamos cada momento da sua vulnerabilidade ao ponto de nos arrepiar, principalmente quando é vítima de bullying e de bodyshaming. É impossível não empatizar com ela, mesmo quando as suas decisões começam a desafiar os nossos valores morais. A premissa central de Piggy é precisamente esse dilema moral: o que faríamos se tivéssemos a oportunidade de salvar quem nos destruiu? Essa reflexão acompanha-nos até ao fim, deixando-nos divididos entre a empatia e o desconforto pelas atitudes da personagem. A forma como o filme humaniza várias personagens é outro dos seus grandes trunfos. Senti que até mesmo os bullies têm os seus momentos de fragilidade, o que torna o contexto emocionalmente complexo. Ainda assim, Piggy perde parte da sua força à medida que o terror e o thriller ganham protagonismo. O tema do bullying, que inicialmente era o motor da história, vai perdendo força e acaba substituído por um enredo mais convencional, com um serial killer à solta. O terceiro ato também não tem o mesmo impacto emocional do início, tornando-se ligeiramente genérico. É uma pena, porque o drama humano era o verdadeiro terror do filme e seria uma obra de referência se envergasse totalmente por esse caminho. Mesmo assim, é um filme forte, necessário e emocionalmente devastador, com uma protagonista inesquecível e uma mensagem que nos persegue muito depois do final. E infelizmente, acredito que muitos de nós nos vamos identificar com ela.
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