O Diabo Veste Azul
Voltar
O Diabo Veste Azul

O Diabo Veste Azul

O detetive particular Easy Rawlins foi pego no lado errado do segredo mais perigoso da cidade.

Tipo

Filme

Ano

1995

Duração

102 min

Status

Released

Lançamento

1995-09-29

Nota

6.5

Votos

448

Direção/Criação

Carl Franklin

Orçamento

US$ 27.000.000

Receita

US$ 16.140.822

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Na Los Angeles de 1948, um veterano negro da 2a. Guerra aceita bancar o detetive e encontrar a noiva desaparecida de um ricaço, candidato a prefeito, mas se depara com uma história mais complicada e perigosa do que esperava.

Anterior6.5Próximo

Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Um filme que aposta fortemente numa boa história, e na criação d um ambiente rico e envolvente.** O esforçado e discreto Ezekiel Rawlins procurava apenas um emprego para pagar as contas e viver normalmente, mas a necessidade acaba por o forçar a aceitar algo diferente: como um detective, ele deve procurar a namorada de um poderoso político de Los Angeles, que parece ter fugido com outro homem. Mas as coisas tornam-se mais complicadas quando ele percebe que ela pode ter-se envolvido com mafiosos e gente muito perigosa que pode ter todo o interesse em liquidá-lo. Resumido assim, o enredo é absolutamente prometedor e, de facto, fiquei bem preso à trama, curioso para saber o que tinha acontecido com aquela misteriosa mulher. É um roteiro que tem várias peripécias e reviravoltas e que, só por si, não nos enche de tédio, nem pareceu demasiado previsível. Mas acho que o enredo não teria a força que tem sem o ambiente que foi criado em torno. De facto, o director Carl Franklin misturou, de modo hábil e elegante, os géneros gangster e mistério com leves toques de "blaxploitation" pelo meio, harmonizando e dando ao filme uma dose elevada de charme, embalada em jazz e blues. A época cronológica em que acontece a história (fins dos anos Quarenta) ajuda muito: nós ainda podemos admirar aqueles míticos carros com guarda-lamas salientes e radiadores cromados, e os chapéus fedora ao estilo Bugsy Siegel. O director recriou cuidadosamente esse período histórico, consciente do impacto que isso teria. Para ajudar, ele inseriu uma boa banda sonora, que sabe sobressair nas alturas certas, tornando o ambiente mais denso e misterioso, enriquecendo o produto final. No meio de tanta qualidade, eu quase me arriscaria a dizer que o elenco apenas precisa não estragar tudo. De facto, nós estamos tão absorvidos pelo ambiente do filme e pela nossa própria curiosidade em relação ao enredo que quase não observamos a forma como os actores pegam nas suas personagens e lhes dão vida. Não é algo que se destaque, ao contrário da maioria dos filmes, onde a performance do elenco pode significar a ruína de todo o filme. Mas isso não significa que os actores não tenham trabalhado bem. Apesar de não ser o melhor filme, Denzel Washington cumpriu bem o papel dele e contracenou brilhantemente com Don Cheadle, que tem uma personagem mais impactante e intensa. Por outro lado, todas as actrizes ficaram na sombra e não se destacam, começando por Jennifer Beals, que parece ter preguiça de actuar neste filme, limitando-se a aparecer e dizer as falas que lhe pagaram para dizer. Lisa Nicole Carson tem uma aparição breve, mas faz uma personagem que se revelará importante e deu vida a uma das cenas de sexo mais risíveis que já vi no cinema. Resumindo tudo: este filme não é uma peça de arte, mas é uma boa peça de entretenimento. Ao apostar tão fortemente na criação de um ambiente de mistério, consegue envolver o público e prender a nossa atenção com uma história forte e cheia de charme, usando dos meios que tem ao seu dispor. Mas com excepção de dois ou três actores, o elenco não ajudou muito e algumas pessoas vão pensar que este filme é apenas cenário e música.

Fotos do título

Clique para abrir e expandir cada foto.