
Tipo
Filme
Ano
1995
Duração
100 min
Status
Released
Lançamento
1995-12-15
Nota
7.2
Votos
11.200
Direção/Criação
Joe Johnston
Orçamento
US$ 65.000.000
Receita
US$ 262.821.940
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
Quando duas crianças encontram e jogam um jogo de tabuleiro mágico, elas soltam um homem preso por décadas - e uma série de perigos que só podem ser detidos ao terminar o jogo.
Elenco principal
Reviews
Total: 2
Filipe Manuel Neto
**Uma comédia interessante, com Robin Williams a ter todo o protagonismo.** Este filme fala sobre um jogo de tabuleiro, ambientado nas inóspitas selvas das ilhas da Indonésia. O jogo é mágico, e quando se começa a jogar tem de se levar o jogo até ao final, custe o que custar, porque ele vai libertando diversos animais e perigos, para pânico dos jogadores. Quando Alan Parrish o descobre, escondido no sótão, em 1969, e joga com uma amiga, ele acaba sendo engolido pelo jogo, que nunca foi acabado. Vinte e seis anos depois, os irmãos Peter e Judy redescobrem a caixa e terão a difícil tarefa de acabar o jogo para que tudo volte ao normal. Sim, o tema daria um óptimo filme de terror, mas o que aqui temos é uma comédia. Dirigido por Joe Johnston, o filme tem como principal protagonista o grande actor Robin Williams. E ele era definitivamente o "Senhor Comédia": qualquer papel cómico encaixava como uma luva neste versátil actor. Embora a sua personagem tenha uma certa profundidade psicológica, isso serve apenas para acentuar a inclinação cómica do que diz e faz. Kirsten Dunst e Bradley Pierce deram vida aos papéis das duas crianças. O roteiro é interessante, simples e muito imaginativo. A história funciona, entretém bem o público mas assusta um pouco em certas cenas. Contudo, esses sustos nunca são em dose excessiva para crianças. Os cenários são bons e os efeitos especiais, visuais e sonoros são excelentes. No entanto, algumas das criaturas e animais do filme são tão claramente falsas que têm um aspecto mais engraçado do que assustador. A banda sonora é regular, não nos dá nada de surpreendente mas faz o seu trabalho.
Filipe Manuel Neto
**ALEA JACTA EST: A BUSCA PELO TEMPO PERDIDO E A SOMBRA FREUDIANA DO PAI NUM JOGO DE TABULEIRO.** CRÍTICA QUE FIZ APÓS REVER O FILME Este é um dos filmes que marcou a minha infância e que lembro de ver com algum medo. De facto, acho que um filme assim seria mal recebido nos dias actuais, dada a superprotecção à volta do público infanto-juvenil. No entanto, este filme foi feito numa época em que o cinema ainda era capaz de dar às crianças algum material denso. Baseia-se num livro de Chris Van Allsburg, ilustrado a preto-e-branco, de 1981. No livro, as ilustrações sombrias revelam a sensibilidade artística do autor e a trama fala de um jogo infantil que prende os jogadores, usando o medo para transmitir valores educacionais à imagem dos contos dos Irmãos Grimm. Allsburg vendeu os direitos ao produtor Peter Guber, então chairman da Sony Pictures Entertainment, dona da TriStar, que fez o filme com um orçamento de 65 milhões de dólares, aprovado após Robbin Williams ter entrado no projecto. A adaptação do roteiro foi feita por Jonathan Hensleigh em cooperação com o autor original: o argumentista trouxe-nos o ritmo alucinante de um filme de sobrevivência, em que a selva indonésia invade o nosso mundo ordeiro com ameaças letais, desafiando-nos e ocupando os espaços que considerávamos seguros; já Allsburg foi essencial para impedir que o filme descarrilasse numa comédia familiar genérica e levezinha, mantendo o foco da narrativa, a visão original do seu livro e o peso dramático de um pesadelo realista com consequências profundas. Nem tudo funciona: há regras do jogo que parecem aplicar-se de modo arbitrário e a subtrama que envolve o polícia é totalmente dispensável e corta o ambiente, não se encaixa aqui. Para dirigir, os produtores chamaram Joe Johnston, um antigo membro da ILM, que colaborou com George Lucas e Steven Spielberg e, portanto, sabia valorizar e usar efeitos visuais sem se distrair nem descurar a direcção do elenco. O filme não seria o mesmo sem a direcção de Joe Jonston e a sua capacidade para modelar a tensão de forma angustiante. As filmagens decorreram em cerca de cinco meses, em vários locais do Maine, New Hampshire e Colúmbia Britânica. O local mais notável é a Olde Woolen Mill, em North Berwick, Maine. Para a Casa Parrish, criaram uma maquete e uma fachada em tamanho real num terreno vago, sendo os interiores feitos no Bridge Studios para adição de efeitos. Usaram câmaras Panaflex Platinum e Arriflex 35-III com lentes Primo e negativo 35 mm, garantindo a qualidade das cores, que começam em tons quentes e confortáveis, emulando a sensação de segurança do protagonista, e evoluindo para uma paleta cada vez mais fria, sombria e desconfortável à medida que a tensão dramática se avoluma e a luz começa a exibir matizes de crescente intensidade. A maquilhagem usada é notavelmente eficaz, em particular no que concerne a Bradley Pierce, que começa a ter características símias, e a Jonathan Hyde, que deve fazer duas personagens diferentes de forma que as consigamos relacionar psicologicamente. Para os efeitos, Johnston recorreu à «velha escola», às técnicas práticas como marionetes, animatrónicos (o leão, as aranhas, o crocodilo), tanques de água (as cenas de inundação), chuva artificial e outros recursos pensados para parecerem autênticos. O CGI, que na época era pré-histórico, foi reservado para os detalhes e coisas manifestamente impraticáveis, como os animais em debandada. A ILM criou um software pioneiro para dar pêlo realista aos animais, algo inexistente até então. É claro, tudo isso parece datado hoje, a tecnologia evoluiu surpreendentemente depressa, mas o uso restrito do CGI permitiu que o filme envelhecesse bem e se mantivesse impactante. Por fim, vale a pena prestar atenção à banda sonora de James Horner, um compositor que estava a viver uma das fases mais criativas da carreira. As suas melodias, confesso, cresceram na minha consideração à medida que explorava o filme, revisitando-o, e exploram bem o clima de aventura e magia, bem como a profunda tristeza, medo e solidão de Alan. O destaque, porém, são as referências ao perigo escondido na selva. A selva está lá! Ouçam as flautas de pã e os tambores rítmicos que simulam os batimentos acelerados do coração, não deixando dúvidas sobre a ameaça latente que emana daquele jogo de tabuleiro! A única falha: a selva do filme situa-se geograficamente na Indonésia e os tambores remetem mentalmente para a África Central, mas vamos perdoar o compositor, é uma falha menor. Uma das chaves do sucesso deste filme foi Robin Williams. Contrariamente ao seu costume, ele não improvisa nem tenta ser herói ou demasiadamente engraçado. Ele tinha talento e sensibilidade para compreender que a personagem pedia densidade, pedia trauma, pedia medo e noção real do perigo, algo que os jovens actores nunca poderiam ter! No entanto, também lhe pedia que não deixasse de ser uma criança interiormente, que soubesse manter-se fiel a quem era quando tinha doze anos. Jonathan Hyde também é essencial para fazer este filme funcionar: ele dá vida a duas personagens que, na mente do protagonista, estão ligadas: o controlador e autoritário pai e o ameaçador caçador da selva. Duas figuras atemorizantes com um rosto quase igual, algo de nitidamente freudiano, como se o jovem tivesse de derrotar o pai para passar à maturidade. O actor trabalhou bem esta semelhança, explora bem a sua fisicalidade e aprofunda eficazmente a relação de pai e filho. Bonnie Hunt é eficaz no papel de amiga ou interesse romântico e trabalha bem como alívio cómico graças a uma boa química de trabalho com Williams. Os actores jovens, onde Kirsten Dunst merece algum destaque, fazem tudo o que é esperado que eles façam, mas o filme não é deles para brilhar. Eles apenas são necessários à trama.
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