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Filipe Manuel Neto
**Mais um filme de qualidade, de produção nacional.** Tenho de confessar que os filmes de produção portuguesa têm merecido a minha atenção nos últimos tempos e tenho ficado mais satisfeito com o que vou encontrando. Mesmo assim, sinto que falta ao cinema nacional, muitas vezes, um pensamento verdadeiramente cinematográfico, na medida em que muitos filmes são ainda, aparentemente, mais pensados para a TV do que para a tela grande. Neste caso, não me parece que tenha sido o caso. O roteiro do filme dispensa apresentações: a história de Aristides de Sousa Mendes, reavaliada e revalorizada há cerca de dez anos, muito à custa de um concurso de televisão para a escolha dos maiores vultos portugueses da história, tornou-se sobejamente conhecida e um exemplo da hospitalidade e generosidade do povo português, e da abnegação e sentido de honra que devem nortear um homem público e um diplomata. Ao ignorar as ordens do Governo, que impediam a concessão de vistos a judeus numa tentativa de agradar ao regime nazi e manter Portugal numa neutralidade difícil de gerir, mas imperiosa, Sousa Mendes salvou a vida de dezenas de milhares de pessoas inocentes que teriam, provavelmente, sido mortas. Posteriormente, foi exonerado e esquecido, morrendo na miséria e não assistindo à reabilitação do seu nome. Com excepção da personagem principal, o filme envereda por uma concepção simples das suas personagens. Vítor Norte fez um bom trabalho como Sousa Mendes, ainda que me pareça que tornou o diplomata numa figura demasiado impassível… até os acessos de raiva, como na cena do copo de leite, parecem desprovidos de personalidade e espontaneidade. Será que Sousa Mendes era realmente assim tão morno? Joaquim Nicolau também esteve à altura do desafio que lhe foi proposto, dando vida a um adido diplomático de uma maneira muito institucional e credível. Leonor Seixas faz um bom trabalho, mas é uma personagem que não parece exigir muito da actriz. Os veteranos Manuel de Blas e Laura Soveral também merece um louvor. Menos positiva foi a participação de Pedro Cunha, mas a culpa não é do actor e sim da forma como a sua personagem foi pensada. Simplesmente não consigo conceber como aquela personagem se comportaria de modo tão rebelde. Tecnicamente, o filme tem vários pontos de mérito, começando pela escolha dos locais para as filmagens, na bela cidade de Viana do Castelo, onde a produção conseguiu emular ambientes de época sem grandes dificuldades. A concepção dos figurinos e, também, a escolha das viaturas e automóveis clássicos utilizados, pareceu-me muito criteriosa, feita com atenção aos detalhes e vontade de respeitar a estética da época em que tudo se passou. A banda sonora funciona bem, ainda que seja talvez um pouco melodramática e pareça uma tentativa de imitar a banda sonora do filme *A Lista de Schindler*. Também não gosto da cinematografia, muito cinzenta, nebulosa e sem cor.
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