
Tipo
Filme
Ano
2009
Duração
149 min
Status
Released
Lançamento
2009-10-22
Nota
6.8
Votos
360
Direção/Criação
Sönke Wortmann
Orçamento
-
Receita
US$ 28.748.076
Temporadas
-
Episódios
-
Sinopse
No século 9, uma mulher disfarçada de homem atinge o topo da hierarquia no Vaticano.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Um excelente filme, feito em torno de uma antiga e obscura lenda medieval.** O filme aproveita bastante bem uma das lendas mais obscuras e controversas em torno do Papado: a existência – que durante séculos foi alvo de algum crédito – de um papa que era, na verdade, uma mulher. Disfarçada de homem a fim de poder receber a educação e as oportunidades que eram negadas ao sexo feminino, fez-se monge e sacerdote, e foi até Roma, onde se torna coadjutor do papa Sérgio II. Tão relevante teria sido a sua acção que acabou por ser eleita para lhe suceder, governando a Igreja durante algum tempo. Segundo a lenda medieval, a verdade acerca deste pontífice terá sido tornada pública quando entrou em trabalho de parto durante uma procissão. Claro, tudo isto são lendas medievais, muito influenciadas pela consciência medieval, implícita nas entrelinhas, de que as mulheres teriam capacidades para brilharem, se quisessem e lhes fosse dado espaço, nos cargos e posições mais importantes. O filme é bastante bom e soube construir em cima da lenda medieval original uma história que, além de entreter bastante bem, soa pertinente no panorama actual do Catolicismo: há séculos que o papel da mulher no seio da Igreja não era algo tão debatido e controverso como tem sido ultimamente. A família de Joana representa bem a mentalidade da época: o homem mandava, decidia, e a mulher suportava, dava o apoio ao lar, tinha filhos. Não se pense que isto era um retracto uniforme: há imensos exemplos de mulheres medievais que se distinguiram aos mais diversos níveis. Mas não se pense, também, que a submissão da mulher era uma coisa contestada pelas mulheres. Bastante mais controverso era o choque religioso, levemente abordado pelas crenças naturais que a mãe de Joana, nesta série, mantém às escondidas do marido. A tolerância religiosa não era parte do mundo medieval europeu, ou era-o de modo residual e flutuante, talvez até mais presentes nas áreas do Sul da Europa, onde o contacto inter-religioso era mais frequente. O filme assenta bastante numa boa performance de Johanna Wokalek, actriz que nunca havia visto trabalhar, mas que me pareceu bastante competente, segura e à vontade com a sua personagem. Ela estava perfeita para a personagem, e soube aproveitar cada momento para brilhar. Igualmente notável foi o trabalho de David Wenham, que deu vida a um nobre por quem Joana se apaixona e com quem se envolve, e de John Goodman, um actor já veterano que se sai maravilhosamente na tarefa de dar vida ao corpulento e autoritário Sérgio II. Iain Glen deu vida à personagem mais execrável do filme, mas fê-lo de forma impecável, digna do talento do actor. Dirigido por Soenke Wortmann, o filme desenrola-se a um ritmo relativamente rápido, tendo em conta a história contada e a forma como parece querer mostrar muita coisa em relativamente pouco tempo. Mesmo assim, é um filme de duas horas e meia, que passam sem serem sentidas dada a qualidade do produto acabado. O filme soube aproveitar bem o CGI e as filmagens em locação para criar uma visão apelativa e interessante do século IX europeu. A cinematografia funciona bastante bem e os efeitos e CGI utilizados foram capazes de brilhar sem obscurecer a história nem lhe retirar realismo e uma dose razoável de credibilidade. Os cenários e figurinos funcionam igualmente, muito em particular todo o figurino do Papa, carregado de autoridade e de símbolos que, ainda hoje, são facilmente reconhecidos por qualquer católico
Fotos do título
Clique para abrir e expandir cada foto.
