A General
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A General

A General

Buster leva "A General" a uma tremenda gargalhada.

Tipo

Filme

Ano

1926

Duração

79 min

Status

Released

Lançamento

1926-12-25

Nota

7.9

Votos

1.388

Direção/Criação

Clyde Bruckman

Orçamento

US$ 750.000

Receita

US$ 1.000.000

Temporadas

-

Episódios

-

Sinopse

Johnnie Gray é apaixonado por sua locomotiva chamada General, e também por Annabelle Lee. Durante a Guerra da Secessão, General e Annabelle são raptadas por espiões da União e Johnnie tentará salvá-las em uma aventura através da ferrovia.

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Uma pérola valiosa que merece ser revisitada e revalorizada pelos públicos actuais.** Quem é que ainda vê filmes mudos em 2025? Aparentemente, eu, e ainda com prazer: de facto, até sentimos falta da voz humana, mas, por outro lado, não podemos deixar de sentir que o cinema, feito desta maneira, era quase tão universal quanto a música: vencendo as barreiras da cultura e da língua, concentramo-nos no que estamos a ver, na cena diante de nós e na expressividade física dos actores. E poucos actores eram como Buster Keaton: ele é capaz de dizer um discurso inteiro usando apenas gestos e trejeitos de rosto. O filme, hoje, seria provavelmente impossível de fazer, considerando as sensibilidades e pruridos em torno da Guerra Civil Americana, um fantasma que nunca esteve tão vivo na mente dos norte-americanos. Compreendo perfeitamente. Antes desta guerra sangrenta, os Estados Unidos eram uma miscelânea de territórios diferentes unidos sob uma bandeira comum. Depois desta guerra, contudo, nasceu um país, uma nação com uma identidade e carácter forjados à base de fogo, cinzas e lágrimas, e que ainda hoje se debate com traumas e cicatrizes que são fruto de um parto brutal. Este filme, no entanto, foi feito há um século, está agora a fazer cem anos! Eram outros tempos, e a Guerra Civil era encarada com outro romantismo, quase como se lêem os romances de cavalaria andante com cavaleiros audaciosos e idealistas, donzelas puras, dragões assustadores e um Santo Graal elusivo à espreita por trás de um arco-íris. O filme traz-nos esse idealismo pueril, essa simplicidade, e conta-nos uma história que quase podíamos usar para adormecer um bebé. Mais importante do que as peripécias que Johnny Gray vai vivendo com a sua locomotiva é o enorme trabalho de filmagem e efeitos visuais. Usando técnicas simples e o máximo de realismo possível, o filme funciona bem e encanta-nos pela sua elegância. Também é importante destacar a qualidade da cinematografia, do trabalho de filmagem e da edição. Para a época, este filme deve ter sido um dos grandes investimentos do estúdio, onde se apostam actores e profissionais da melhor qualidade. O humor pode hoje parecer morno demais para o nosso gosto, mas comigo funcionou bem. É um humor construído, que não aparece imediatamente, e se vai moldando ao ritmo do filme. Buster Keaton assegura uma liderança extremamente eficaz e oferece-nos um dos mais eloquentes trabalhos da sua carreira. Não tenho dúvidas de que o actor, que estava a fazer o momento mais feliz da sua vida artística, conseguiu neste filme uma verdadeira obra-prima que o colocou no patamar da eternidade. Hoje, é um dos actores que associamos à época do cinema mudo, nem é preciso pensar muito! Marion Mack e Jim Farley ajudam bastante e dão um grande desempenho, mas temos de ser honestos: o filme é todo feito a pensar em Keaton e no seu enorme talento, e o actor aproveitou-o ao máximo… sem ter a menor suspeita de que, poucos anos depois, o advento dos “talkies” acabaria com o seu estrelato e abateria a sua carreira para um nível muito abaixo daquele que conheceu aqui.

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