Treta
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Treta

Treta

A vingança é um prato que se come cru.

Tipo

Série

Ano

2023

Duração

-

Status

Returning Series

Lançamento

2023-04-06

Nota

7.8

Votos

1.025

Direção/Criação

Lee Sung Jin

Orçamento

-

Receita

-

Temporadas

2

Episódios

18

Sinopse

Um incidente no trânsito desperta a fúria e os impulsos mais sombrios de dois desconhecidos: um empreiteiro falido e uma empresária frustrada.

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Reviews

Total: 1

victor damião

A segunda temporada de "Treta" é menos explosiva do que a primeira, mas talvez ainda mais incômoda, porque troca a raiva aberta por ressentimentos silenciosos, frustrações conjugais, ambição, desejo, classe social, poder e aquela sensação persistente de que a vida que temos nunca parece suficiente. A temporada usa Ashley e Austin, Josh e Lindsay e a própria estrutura do Monte Vista Point para mostrar como pessoas aparentemente diferentes acabam presas aos mesmos ciclos de inveja, comparação, medo, orgulho e necessidade de reconhecimento, e como é fácil julgar quem está acima de nós antes de ocuparmos a posição deles. O grande mérito da história está em transformar a "treta" externa em reflexo de conflitos internos: cada personagem luta não apenas contra outra pessoa, mas contra a distância entre quem é, quem gostaria de ser e aquilo que acredita precisar conquistar para finalmente se sentir completo. Dinheiro, status, casamento, carreira, sexo, prestígio e poder aparecem constantemente como promessas de realização, mas a série demonstra que nenhuma conquista externa resolve automaticamente aquilo que não foi enfrentado por dentro; ao contrário, quando inseguranças e ressentimentos permanecem reprimidos, eles retornam na forma de mentiras, manipulação, passivo-agressividade, traição, controle e violência. A própria Sra. Park representa o extremo dessa lógica, pois mostra que chegar ao topo não elimina medo, solidão ou insatisfação, apenas amplia o alcance das consequências de nossas escolhas, enquanto o clube funciona como uma miniatura da sociedade, marcada por hierarquia, privilégio, aparências e pessoas tentando desesperadamente subir sem perceber que talvez estejam apenas tomando o lugar daqueles que antes criticavam. É justamente por isso que o salto de oito anos no final é tão poderoso: Ashley e Austin conseguem ascender, mas acabam reproduzindo, em outra posição, as mesmas tensões que observavam em Josh e Lindsay, sugerindo que vencer o sistema pode significar apenas tornar-se parte dele quando não há verdadeira transformação interior. As formigas que atravessam a temporada reforçam essa ideia de maneira simples e eficaz: alguns indivíduos conseguem subir, outros ocupam seus lugares, outros são esmagados mas logo são substituídos e todos continuam marchando em frente, mas a estrutura permanece, e a grande pergunta deixa de ser "como chegar ao topo?" para se tornar "quem você terá se tornado quando chegar lá?". Ao mesmo tempo, Treta fala de relacionamentos com rara maturidade ao lembrar que amar alguém não elimina solidão, frustração, desejo ou a consciência das vidas que deixamos de viver, porque toda escolha implica renúncia, e parte do amadurecimento consiste justamente em abandonar a fantasia de possuir todas as possibilidades ao mesmo tempo e aprender a habitar plenamente a vida escolhida. A série também entende que a raiva muitas vezes é apenas a superfície de emoções mais profundas (vergonha, medo, humilhação, carência, inveja, sensação de fracasso e desejo de ser visto) e que aquilo que não conseguimos comunicar diretamente tende a reaparecer de forma mais destrutiva. Nesse sentido, a segunda temporada é uma reflexão amarga sobre como pequenas concessões morais podem se acumular até transformar completamente uma pessoa, como a vingança costuma se disfarçar de justiça, como o orgulho impede reconciliações simples e como quase ninguém começa querendo se tornar aquilo que depois se torna; geralmente tudo começa com um "só desta vez", uma mentira aparentemente necessária ou a convicção de que ainda teremos tempo para consertar depois. A circularidade do final não significa necessariamente que estamos condenados a repetir para sempre os mesmos erros, mas que, sem autoconsciência, repetiremos padrões antigos apenas ocupando posições diferentes: o funcionário vira chefe, o jovem vira adulto, o rebelde vira instituição, o casal apaixonado vira o casal ressentido que antes julgava. No fundo, a temporada pergunta o que realmente define uma pessoa quando retiramos carreira, dinheiro, posição social e imagem pública, e sua resposta é desconfortável porque mostra que sucesso não é sinônimo de plenitude, amor não funciona sem comunicação, poder não produz segurança interior e desejar sempre mais pode transformar qualquer conquista em apenas mais uma etapa de uma fome sem fim. A maior lição da temporada, portanto, é que não basta conquistar a vida que imaginamos desejar; é preciso saber quem estamos nos tornando enquanto a construímos, reconhecer quando a ambição deixou de servir à vida e passou a dominá-la, aprender que maturidade também significa aceitar aquilo que nunca teremos e perceber que talvez a verdadeira vitória não esteja em chegar mais alto do que os outros, mas em conseguir olhar para aquilo que já temos, para quem escolhemos amar e para nós mesmos e finalmente dizer: isso é suficiente. Disponível na Netflix. Nota 8/10.

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