
Nome de Código: Sintra
Tipo
Série
Ano
2007
Duração
-
Status
Ended
Lançamento
2007-01-07
Nota
5.0
Votos
2
Direção/Criação
Jorge Paixão da Costa
Orçamento
-
Receita
-
Temporadas
1
Episódios
13
Sinopse
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Uma série agradável, com excelente ambiente e ‘suspense’, mas que tem vários problemas com o roteiro e a ligação das várias sub-tramas.** Baseada de modo muito superficial no livro “O Mistério da Estrada de Sintra”, escrito por Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, pioneiro da literatura policial e de mistério em Portugal, é uma série muito bem feita e interessante que já passou na TV há alguns anos e não pareceu ter um sucesso assinalável. A série começa com o assassinato de um político, vindo de família tradicional, e a acção foca-se principalmente na investigação ao crime. Acontece que a família já tem a sua quota de crimes não resolvidos, começando pela morte pouco clara de um oficial inglês na casa da família em 1870. O mais original de toda a série é a forma como ela procura interligar os factos do passado e do presente. A série brinca com a ideia de uma maldição familiar, ou de um karma que obrigue à repetição dos acontecimentos passados, como se o assassinato do deputado Silveira fosse uma consequência indirecta da morte, nunca clarificada, do oficial inglês. A investigação policial vai-se desenvolvendo ao mesmo tempo que outras personagens cuidam da pesquisa história e dos factos do passado, mas a verdade é que a série fracassa na intenção de interligar as coisas. Não se consegue estabelecer uma relação directa entre as sub-tramas, além do facto de acontecer tudo na mesma casa e a pessoa da mesma família, e as brincadeiras em torno da maldição, ou da maneira como o passado teria influenciado o presente, não passam de devaneios criativos que levantam o interesse do público, mas nunca redundam em nada. Mais eficaz foi a criação e modulação do ambiente, da tensão e do ‘suspense’. Apesar de a série não ser particularmente eficaz a surpreender-nos, fruto da excessiva previsibilidade, consegue dar-nos uma história agradável que mais palatável se torna quando é servida com contornos de conto gótico, sombrio, denso e algo pessimista. Esse ambiente tenso e sombrio é, de facto, onde a série marca pontos. Não é habitual vermos coisas destas na televisão portuguesa. O trabalho de fotografia, as filmagens à noite e em dias enevoados, a magia sombria das matas de Sintra, tudo ajudou a criar e empolar um ambiente que é quase vitoriano. O elenco conta com vários actores portugueses de créditos firmados, e o trabalho geral deles é bastante satisfatório, principalmente se considerarmos que é uma série de televisão, curta e de orçamento pouco vultuoso. Os actores que merecem maiores louvores são Diana Costa e Silva, Margarida Marinho, Ana Bustorff e Adriano Luz. José Wallenstein e Dinarte Branco também são boas adições e fizeram um bom trabalho, mas as personagens evoluem de modo previsível e de maneira muito óbvia. Fernando Luís tem bons momentos, mas a personagem dele serve apenas para ressuscitar o passado da família e conectar as duas tramas. Catarina Wallenstein também fez o que podia com uma personagem que nunca chega a ser mais do que uma menina mimada e revoltada, que contraria os pais fazendo tudo o que lhes desagradar. De entre o elenco há, todavia, alguns actores que, por sua própria culpa ou por culpa do mau material recebido, escorregaram na casca da banana: Bruna di Tullio tenta tudo, mas nunca vai ao encontro da sua personagem; além de nunca parecer realmente alguém do século XIX, não é fácil perceber o que viam os homens na personagem dela para ficarem todos de cabeça perdida. Paula Guedes não é má, mas a personagem dela é brutalmente subaproveitada, principalmente considerando o tanto de coisas que sabe e o eventual conflito interno de alguém que podia estar mais dividido entre o dever moral e a lealdade devida à pessoa a quem serve. Tobias Monteiro é unidimensional, Susana Félix não tem personalidade nenhuma e as brasileiras Giselle Itiê e Daniela Faria estão aqui apenas porque são atraentes o bastante para serem as amantes latinas dos respectivos enredos.
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