
Tipo
Série
Ano
2025
Duração
-
Status
Returning Series
Lançamento
2025-05-15
Nota
7.3
Votos
100
Direção/Criação
Benito Skinner
Orçamento
-
Receita
-
Temporadas
1
Episódios
8
Sinopse
A jornada caótica de Benny, um ex-jogador de futebol enrustido e rei da festa de boas-vindas, enquanto se torna amigo de Carmen, uma estranha com a missão de se adequar a qualquer custo. Muito engraçada e pessoal, a série explora até que ponto todos nós nos esforçamos muito enquanto descobrimos quem somos.
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Pedro Quintão
Começo a crítica a admitir sem rodeios: Overcompensating apanhou-me totalmente desprevenido. Numa altura em que a comédia parece refém do politicamente correto, onde tudo é cauteloso, castrado e muitas vezes sem qualquer piada, esperava mais uma série previsível. Mas a A24 entregou-nos uma das maiores surpresas do ano. Esta série resgata a ousadia das comédias adolescentes das décadas de 90 e 2000, com aquele humor cru, ácido, sexual e um pouco non-sense, mas no formato de uma produção que possui sempre com uma identidade própria. O facto de também termos adultos a interpretarem adolescentes, à boa maneira das comédias dessa época, reforça essa sensação de que estamos a assistir a algo "old school". Outro elemento que me fez amar Overcompensating foi ver-me a ser transportado para meados da década de 2010, o período em que também estudava na universidade, tal como as personagens da série. E isso tornou toda a experiência ainda mais envolvente e nostálgica. Aliás, se tivermos em atenção a banda sonora, elementos da cultura pop citados e outras coisas, a série parece ambientar-se nessa mesma altura. Um dos elementos mais fresh em Overcompensating é a coragem e ousadia, pois a série não tem medo de ser inconveniente, provocante e de fazer piadas que, noutras produções atuais, seriam censuradas logo à nascença. Há duas cenas, em particular, que me arrancaram gargalhadas como já não acontecia há muito: uma envolvem um poster da Megan Fox e outra um momento absolutamente caótico de sexo oral a uma estudante. Felizmente, a série não se limita ao choque fácil ou às piadas sexuais gratuitas, pois tudo está equilibrado. A narrativa é sólida, bem estruturada, e todas as personagens têm espaço para respirar e nos conquistar. O protagonista, que tenta esconder a sua homossexualidade fingindo ser o típico macho heterossexual da universidade, é bastante carismático e depressa entendemos a sua luta. E a sua amiga Carmen, torna-se um contraponto emocional forte e genuíno, resultando numa das personagens mais bonitas que me desejaram tê-la como amiga. O equilíbrio entre a comédia e o drama está bem conseguido. No meio da confusão e das gargalhadas, somos também convidados a refletir sobre a nossa identidade e as máscaras sociais que usamos para nos integrarmos perante algum contexto. Outro destaque vai para a banda sonora. Quem cresceu entre os anos 2000 e 2010 sentirá uma forte nostalgia com a maioria das músicas selecionadas e que acompanham a narrativa sem nunca atropelarem cada cena. Se há uma "crítica" a fazer, é só mesmo esta: mesmo tentando dosear os episódios para saborear cada momento, fiquei tão envolvido que senti que série acabou demasiado depressa. Foi uma experiência que me deixou com vontade de ver mais sobre aquelas personagens. Posso dizer que Overcompensating não é apenas uma comédia ousada que, atualmente, é tão escassa como água num deserto. É uma prova de que o humor ainda pode ser livre e tocar-nos. Se procuram algo que vos faça rir a sério, enquanto vos espeta uma ou outra lição pelo meio, não deixem escapar esta pérola.
Fotos do título
Clique para abrir e expandir cada foto.
