
Tipo
Série
Ano
2002
Duração
90 min
Status
Ended
Lançamento
2002-10-07
Nota
6.8
Votos
84
Direção/Criação
Max Gallo
Orçamento
-
Receita
-
Temporadas
1
Episódios
4
Sinopse
Elenco principal
Reviews
Total: 1
Filipe Manuel Neto
**Um excelente trabalho de televisão.** Apesar de eu ser historiador, o período napoleónico não é propriamente a minha especialidade. Mesmo assim, consegui apreciar muito esta mini-série, de cerca de seis horas e meia, dividida em quatro filmes de uma hora e meia cada. E um dos pontos que mais me chamou a atenção e destaco é o esforço da produção, que junta vários países, mas é liderada pela França, para fazer uma obra historicamente precisa, ainda que corresponda à perspectiva francesa da vida dele. Napoleão Bonaparte é uma das grandes personalidades históricas sem as quais é difícil conceber o curso da história mundial. Um comandante militar genial, com ideias e tácticas ainda hoje alvo de estudo nas academias militares, soube aproveitar o seu prestígio entre os soldados para impor à França republicana uma quase estratocracia, e imprimiu solidez e estabilidade a um país cansado de reviralhos políticos. Porém, décadas de guerras levaram os franceses ao desespero, e a Europa a uma coligação unânime contra ele. Apesar de não ter chegado a governar sequer por vinte anos e de as suas conquistas terem sido rapidamente anuladas com a sua destituição, conseguiu colocar toda a Europa em xeque. Christian Clavier parece-me uma opção sensata para o papel principal, dado que se assemelha razoavelmente ao imperador. Ele também é um actor capaz, imprimindo à sua personagem uma certa rudeza de soldado, áspera e deselegante. Isabella Rossellini foi excelente como Josefina e Gerard Depardieu pareceu-me agradavelmente hipócrita no papel de um dos ministros do novo imperador. John Malkovitch também dá vida a uma importante figura política francesa, a qual irá passar por vários governos e adaptar-se como um camaleão. O actor conseguiu dar-lhe essa adaptabilidade e hipocrisia latente. Muito menos interessante foi Claudio Amendola, que tirou toda a personalidade a Murat para o transformar num mero seguidor cego de Napoleão. Muito importantes neste filme, os figurinos e os cenários são parte indissociável da beleza visual e do rigor histórico da produção. Houve uma boa equipa de historiadores a trabalhar aqui, e os detalhes foram tidos em conta até ao pormenor. A selecção dos locais de filmagem, numa série de palácios históricos franceses e outros locais imponentes, foi criteriosa e inteligente. Todo o trabalho de filmagem e fotografia, apesar de não ser brilhante, cumpre bem com o seu papel e faz o que tem de fazer. A edição parece-me boa. As cenas de batalha são realmente muito bem encenadas, apesar de serem poucas e pouco relevantes… pelo menos se tivermos em conta os inúmeros combates que Napoleão viveu, pessoalmente. A banda sonora, em meio a tudo isto, é o aspecto que mais tenho a criticar, oscilando entre o irritantemente pomposo e o insosso.
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