Mistérios de Lisboa
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Mistérios de Lisboa

Mistérios de Lisboa

Tipo

Série

Ano

2011

Duração

55 min

Status

Ended

Lançamento

2011-05-01

Nota

6.4

Votos

12

Direção/Criação

Raúl Ruiz

Orçamento

-

Receita

-

Temporadas

1

Episódios

6

Sinopse

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Reviews

Total: 1

Filipe Manuel Neto

**Apesar de ser longo, impessoal e frio, este filme é um esforço bastante decente.** Este é mais um filme português inspirado pela literatura clássica nacional. Com base num trabalho de Camilo Castelo Branco, o filme acompanha um sacerdote católico, chamado Padre Dinis, à medida que ele vai encontrando personagens misteriosas e desvendando as tramas amorosas e trágicas de várias pessoas da sociedade dos meados do século XIX. Apesar de eu adorar a literatura de Camilo Castelo Branco, devo admitir que nunca li este livro, e tenho pena. Não sei até que ponto o argumento de Carlos Saboga é fiel à obra do escritor oitocentista, mas a maneira como se desenrola, com muitos diálogos e descrições, e um enredo novelesco ao gosto da época, é algo que me soa familiar e muito de acordo com aquilo que Camilo teria escrito. Dirigido por Raul Ruiz, o filme é extenso e está dividido em duas partes. Talvez por isso, deu lugar a uma mini-série televisiva quando foi exibido na televisão nacional. Acredito que isto se deveu à pouca vontade, tanto do director quanto do argumentista, de cortarem ou escamotearem o texto original, antevendo as críticas violentas do núcleo mais purista dos “camilianos”. O director procurou criar ‘suspense’ pela escolha de cenários e locais de filmagem profundamente sombrios, onde a luz e as sombras criam o ambiente ideal para uma dose adicional de tensão psicológica. No entanto, isso nem sempre funcionou bem: por exemplo, apesar de eu adorar a Quinta da Ribafria, em Sintra, acho que já se tornou um local de filmagens tão comum que teria sido preferível encontrar outro espaço menos reconhecível aos olhos do público. E a ausência de efeitos sonoros ou banda sonora, aliada à enorme carga de diálogos, dão ao filme um tom excessivamente pesado e carregado que induz mais ao sono do que à tensão dramática. Ao longo do filme, eu senti-me quase num camarote do Real Teatro de São Carlos durante uma ópera italiana: além do enorme distanciamento que cria entre si e o público, o filme tem um enredo colorido, digno de uma telenovela brasileira, com amores cruzados e traições, adultérios e filhos escondidos, justiça poética e segredos carregados até ao leito de morte. Pessoalmente, gosto bastante de algo assim, mas o filme ganharia muito se não fosse tão distante, se nos desse a oportunidade de nos envolvermos com as personagens e de nos importarmos com elas, ao invés de sermos espectadores impassíveis da sua vida e, não raramente, da sua morte. Por fim, uma palavra para o elenco: maioritariamente composto por actores portugueses de grande qualidade, com carreiras consolidadas na televisão nacional e estrangeira (por exemplo, Ricardo Pereira e Maria João Bastos já fizeram vários trabalhos de televisão no Brasil), é um elenco competente e com tudo o que necessita para levar a sua missão a um termo condigno. Claro, Adriano Luz é o mais eloquente e completo actor presente neste filme, e não nos decepciona, brindando-nos com um trabalho de qualidade. No entanto, Maria João Bastos não pode de maneira alguma ser ignorada, ainda que a personagem e a sua história sejam tão dramáticas que a actriz de facto parece uma soprano operática em diálogo. Ricardo Pereira evoluiu imenso como actor durante a sua estadia no Brasil, onde fez várias telenovelas de sucesso, e agora colhe os frutos do seu crescimento dando-nos um bom trabalho na sua terra natal. Afonso Pimentel, João Arrais e Albano Jerónimo são igualmente competentes em personagens secundárias.

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